Capítulo 26

1325 Palavras
Samanta: Acordei com a garganta seca, sem saber onde tava. Meu corpo doía em todos os lugares, parece que levei uma surra das boas. Abri os olhos devagarzinho e vi uns treco grudados em mim, acho que tô num hospital. E agora lembrei que senti uma tontura e me esburrachei no chão. Meus olho foram direto pra um homem deitado no sofá, é o Maike. — Ai, ele ficó aqui por mim? Mas de que adiante, se ele é tão rude comigo? Ele me odeia, e nem fiz nada. Ele é tão bonito, parece um príncipe. — Só queria entender essa sua mania de ficar me olhando feito uma boba. — Quem tá olhano pra você aqui, meu filho? Pensei que você tava morto. E o que eu tô fazendo aqui? — Você desmaiou. Tive que trazê-la para um hospital, pois a sua febre não cedia. Fiz uma cara de confusa. — Cedia? O que é isso? — A febre não passava. Como não queria ser culpado caso você morresse, tive que trazê-la. Estava com cálculos renais, vê se bebe mais água daqui pra frente e evita comer certas coisas. — Você queria que eu morresse? Seu bebum, safado! Era só tê deixado eu ir embora, já que num me qué na sua casa. A porta do quarto foi aberta, e um homem todo de branco entrou. Arregalei os zói. E se for um bandido? Me encolhi na cama, e o medo tomou conta do meu corpo. Maike: Quando Raul entrou, Samanta se encolheu. Rapidamente, segui meu olhar para ele e o encarei. Ele levantou as mãos em rendição. Por puro instinto, me aproximei de Samanta e indaguei Raul: — O que está fazendo aqui? Você não tem plantão hoje. Eu não confiava em ninguém, por mais que soubesse que Raul era um homem íntegro. Raul — Calma, meu amigo. Você pediu que eu cuidasse dela, esqueceu? Ele riu e se encostou na porta, de braços cruzados. — Achei que não viria, só isso. Geralmente você não deixa de estar com suas filhas para trabalhar. Por que veio? Ele levantou uma sobrancelha, mas gargalhou em seguida. Raul — Está com ciúmes, Maike? Revirei os olhos. — Mas você está certo, não gosto de ser atrapalhado quando estou com as minhas filhas. Entretanto, vim assinar a alta da sua futura esposa e me divertir com você tentando disfarçar os sentimentos. — Ei... Num quero ser esposa desse cachaceiro, bem capaz de eu virar sapo quando beijar ele. Bufei. Ela não estava com medo até agora? — Escuta aqui, sua pirra... Raul — Maike, se acalma, meu amigo. Você está muito nervoso. Posso me aproximar, Sam? Me permite chamá-la assim? Ela confirmou com a cabeça. Mas não estava assustada há poucos minutos? — Samanta, o nome dela. Me sentei na poltrona e cruzei as pernas. Ele gargalhou e rebateu: Raul — Mas o seu Rodolfo a chama de Sam. Ele disse que posso chamá-la assim também, caso ela permitisse. — Você conhece tio Dolfo? Poxa! Que legal. Revirei os olhos com o entusiasmo dela. Raul — Sim, ele e meu pai são grandes amigos. Ele começou a examina-la. — Pelo visto, você está ótima, já pode ir para casa. — Num tenho casa, me escorraçaram. Ele olhou para mim com uma cara de indignação. Raul — Fez isso, Maike? Ela precisa descansar, não pode ficar ao relento. — Antes eu tivesse deixado ela ficar grudada na cerca elétrica. Essa maluca queria pular um muro de quase dez metros de altura. Ele olhou para Samanta sem acreditar. Raul — Como ela conseguiu escalar? Perguntou ele, curioso. — Por uma árvore que tem próxima ao muro. Tive que sair debaixo de chuva para não ser culpado de uma morte depois. Raul gargalhou, mostrando que não acreditava em mim. Acha que fiquei desesperado por ela tentar ir embora. — Você é um bestão, deveria ter te dado uma sapatada. Ele riu ainda mais e se sentou ao lado dela. Raul — Você bateu nele? Ela, rindo, afirmou com a cabeça e disse: — Ele entrou no meu quarto feito alma penada, bêbado. Tentou me agarrar. Joguei água nele, depois enfiei a escova na testa e dei uma sapatada na cabeça dele. Ele só faltou mijar nas calças de tanto rir. Eu já estava nervoso. — Num dia que ele me chamou de ladra e correu atrás de mim, meti um galho na testa dele. Raul — Você é maravilhosa! Disse ele, quase chorando de rir. — Espero que vá me visitar um dia, adorarei saber mais sobre seus feitos e aventuras no palácio do Maike. — Ah, obrigada. Qualquer dia lhe faço uma visitinha, moço. Raul — Você está liberada, mocinha. Precisa ficar de repouso e, quando puder, dê outra sapatada no Maike, mas preciso estar presente. Ele saiu do quarto correndo antes que eu pudesse levantar, mas voltou só para jogar a receita e sair correndo de novo. Minutos depois... Como ainda estava chovendo e a passagem para minha casa continuava interditada, tivemos que retornar de helicóptero também. O problema? Samanta nunca tinha visto um de perto, muito quando ela entrou em um estava desacordada. Assim que chegamos ao heliponto, ela travou no meus braços. Os olhos arregalados, a boca meio aberta, e as mãos segurando a bolsa com tanta força a gola da minha camisa, parecia que ia me matar sufocado. — Num vô! Ela gritou, tentando saindo dos meus braços. — Isso aí num é de Deus, não! Revirei os olhos. — Para de drama, Samanta. É só um helicóptero. — Só um quê? Um bicho? Um troço voador? Isso num tem roda, Maike! Como é que isso anda sem pata?! Suspirei, já sem paciência. — Isso voa, Samanta. É seguro. — Seguro pra quem? Pra mim que num é! Eu nunca vi um trem desse na minha vida! E se essa coisa cair? E se acabar a gasolina no meio do céu? O piloto segurou a risada, mas eu sabia que ele estava se divertindo com aquilo. Apertei Samanta em meus braços e tentei caminhar sem que ela me impedisse, mas ela tentou pular novamente feito uma criança teimosa. E os movimentos que ela está fazendo são muito perigosos. — Num vô! Nem amarrada! — Você prefere ficar aqui no hospital ou voltar pra casa? Ela me encarou, claramente ponderando a ideia de fugir. Mas quando olhou em volta e percebeu que a única opção era o helicóptero, começou a resmungar. — Se eu morrer, Maike, eu vô puxar seu pé! — Você já faz isso viva, imagina morta... Com muito esforço, consegui entrar no helicóptero com ela. Assim que o motor foi ligado e as hélices começaram a girar, ela deu um pulo do banco em que a coloquei sentada e segurou meu braço como se a vida dela dependesse daquilo. — Ai, Jesus, segura essa lata voadora! Ela fechou os olhos com força. — Eu sinto que meu estômago tá subindo pras ideia! O helicóptero decolou, e Samanta soltou um grito tão alto que até o piloto deu um leve sobressalto. Ela apertava meu braço como se eu fosse a única coisa mantendo ela viva. — Tá subindo! Tá subindo! Eu num pedi isso, Maike! Eu só queria ir pra casa, de pé no chão! — Para de gritar, Samanta! — E se isso explodir? E se um passarinho bater aqui e derrubar nós tudo? Ela se agarrou ainda mais em mim. — Eu vô desmaiar... Ai, meu Deus, minha alma já tá indo! Eu não sabia se ria ou se me irritava. — Para de besteira, Samanta. Você não vai morrer. Ela entreabriu um olho e olhou pra mim, pálida. — Se eu morrer, avisa pro tio Dolfo que eu num queria roubar nada, só peguei emprestado... Suspirei e olhei para o piloto, que agora ria sem disfarçar. — Dá pra acelerar isso? Senão eu que vou morrer... mas de dor de cabeça!
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