Emiliano: Contemplo os relatórios sobre a mesa e meus lábios se curvam num sorriso amargo. Como pude confiar tanto naquele miserável? Num rompante, bato as mãos sobre o tampo de madeira maciça e me ergo, tomado pela fúria. Essa é a minha maior frustração: ter depositado minha confiança em alguém que andava pelos cômodos da minha casa, compartilhava refeições sob meu teto, convivia com meus filhos. Afrouxo o nó da gravata, tentando respirar com mais facilidade, tentando conter o peso da indignação. A mulher que Maike procura está sob os meus cuidados, Continha. Está internada em um hospital afastado da cidade, vigiada dia e noite por homens da minha mais estrita confiança. Não me tornei governador por acaso, e tampouco permaneci no poder todos esses anos sem saber com quem lido. Há an

