Narrado por Kevão Eu desci a viela. A Glock pendurada na mão. A alma pendurada no ódio. A boca seca. A cabeça latejando. ** Cheguei na boca. O sangue ainda fresco. Os vapor calados. O radinho chiando. O silêncio pesado. ** Sentei no trono. Joguei a Glock na mesa. Peguei o maço. Acessei um cigarro. Fumei. Acessei outro. Fumei por cima. A fumaça engolindo o rosto. A mão tremendo leve. ** Cuspi no chão. Bati o cigarro no cinzeiro. Mirei o nada. Mirei o buraco. Mirei o morro morto. ** — “Fábio, seu filho da p**a…” — murmurei baixo. A risada veio curta. Azeda. Fraca. ** — “Não me falou que tua irmã era assim, não…” Traguei fundo. Soltei a fumaça devagar. A raiva mastigando no dente. ** — “Afiada… desgraçada…” Bati o cigarro no trono. Cuspi pro lado. — “

