CAPÍTULO VINTE E TRÊS.
Selene Moreau
A nossa conversa durou horas, a minha mãe foi a única que subiu, de resto, com certeza ficaram fofocando da pouca vergonha da Márcia assim que o pai dela a levou daqui.
A Vesper tem que sair com a minha mãe, e a Kaiane. Obviamente, eu quis ir junto, por isso estamos descendo às escadas.
— Garrett, nós já vamos — a minha mãe diz, fazendo o olhar do meu pai, da minha madrasta, e os outros que permanceram aqui nos encararem.
— Já vão tarde! — a s*******o da minha madrasta diz, nos fazendo revirar os olhos.
— E, para onde você acha que vai, Selene? — o meu pai, que me ignorou esse tempo todo, questiona.
— Eu vou para a casa da minha mãe, vou ficar lá — respondo.
— Você vai ficar aqui — a sua voz é áspera, e o meu coração falha.
— O senhor não pode me obrigar, eu disse que estou saindo e vou sair — falo, querendo dar meia volta, mas o seu rosno paralisa os meus pés.
— Eu tenho a sua guarda, você fica onde eu digo para você ficar, Selene — ah!
— Eu sou maior de idade, se é que já se esqueceu — falo, indignada.
— Até você morrer continua sendo minha filha, e isso significa você vai me obedecer a bem ou a m*l — ele diz. — Ou se esqueceu do que eu sou capaz? — indaga, me fazendo perder a minha longa paciência.
— Para que mais o senhor quer que eu fique? — pergunto.
— Você viu a pouca vergonha que colocou aqui? — ele questiona ultrajado e eu dou de ombros.
— E a culpa é minha? Era eu no vídeo? — pergunto, com um ressentimento.
— O senhor está mais preocupado com a vergonha que não foi causada por mim, do que com o que tentaram fazer com a minha imagem! — falo, ultrajada.
— Talvez seja, porque foi ele ou a Medina quem tenham ordenado que fizessem isso — a minha mãe diz.
— O que está para aí falando, Lorena? Eu jamais envergonharia o meu marido, não sou você — ela responde.
— Eu estou sem paciência para essa maluca — a minha mãe fala.
— Aquilo é coisa que se mostre aos mais velhos, a família, Selene? — a minha tia pergunta, e eu a encaro.
— Convenhamos que essa família não é normal — respondo, e eles se entreolham. — Eu até fiz um favor, eu mostrei para vocês e não para todo mundo no meio da praça, deviam estar agradecidos — falo.
— Essa garota está fora de controle — o meu tio Bennett diz, e eu sorrio, magoada.
— A sua outra sobrinha estava fazendo malabarismos obscenos, fazendo cosplay da minha face com o meu suposto ex-noivo, e eu... eu, Selene, estou fora de controle? — pergunto, ultrajada.
— Ex-noivo? — o meu pai questiona, e eu franzo o cenho.
— Selene, não me deixe irritado — o meu pai diz, e eu o encaro, perdida. — Você continuará se casando daqui a três dias. A pouca vergonha que você mostrou não alterará nada — ah!
— Pai, ele feriu a honra da minha irmã. O senhor não pode permitir que ela se case com um traidor, que ainda a traiu com a prima — a Vesper diz.
— Querida, se todos os homens que traíssem fosse abandonado, esse mundo seria repleto de solteiras amarguradas — argh...
Eu reviro os olhos, sentindo o meu sangue ferver.
— Você irá se casar, e até lá permanecerá no seu quarto — ele diz.
Como se eu fosse uma menor de idade.
— E por quê? — questiono.
— Não me faça perder a paciência, você acha que essa merda que você fez não terão consequências? — ele diz, lançando o contrato para perto da lareira não acesa.
Nervoso.
— Tem noção da merda que você fez?! — ele questiona, com os punhos cerrados.
— Já chega, Garrett — a minha mãe fala.
— Volte para o seu quarto, eu não quero ver o seu rosto por um tempo — ele diz, de forma insultuosa, e de raiva, eu saio não fazendo questão de não ficar mais um segundo no mesmo ambiente que ele.
Frustrada.
Por que simplesmente não sai, Selene?
Eu não chegaria a essa porta sem que um dos seguranças me carregasse lá para cima e ainda trancassem a minha porta.
Eu estou alterada, ele vai continuar me obrigando a casar com aquele nojento depois do que viu?
Que tipo de pai, faz isso?
— Argh! — o candeeiro foi contra a parede antes mesmo que eu pudesse raciocinar.
Mas que maldição!
O tempo passou, e as minhas refeições foram trazidas para o meu confinamento nessa minha torre.
Já estava de banho tomado e pijama posto, sentada na varanda do quarto, que tem vista para o jardim aqui de casa.
Pensando.
O pensamento durou uma noite, e mais um dia, porque não pude sair nem no dia seguinte.
Ou seja, dois dias até a maldição desse casamento, e eu estou perdendo a cabeça sem saber o que fazer.
Hoje eu não vi ninguém, apenas falei ao celular com a Vesper.
São vinte e duas horas da manhã, e eu estou desgastando o chão com a minha caminhada de estresse.
Quando finalmente o meu cérebro começou a funcionar ao meu favor.
Alcanço o meu celular e dou uma pequena pesquisada, e encontro exatamente o que sabia que encontraria.
O Zade.
Caminho até ao meu closet, e me troco.
Pego a minha bolsa e desço.
— Oh! — a Medina exclama, ao me ver no final das escadas. — Para onde vai? — ela pergunta.
— Não é do seu interesse — respondo.
— Ah, se é! — exclama. — O seu pai saiu, mas eu estou aqui, não vai me obrigar a fazer o que eu quero, para a sua mãe dizer que eu estou com inveja dela — ela fala, e eu sorrio.
— E você não está? — pergunto, e ela fecha a cara. — Eu estou saindo — simplesmente digo, já vazando.
Caminho, ignorando o olhar do monte de homens que estão aqui até a entrada, que fica o estacionamento dos carros.
— Senhorita Selene, para onde vamos? — o Kran, o esposo da Kaiane e o chefe de segurança daqui, pergunta.
— Eu conduzo, Kran. As chaves — peço, e ele entrega as minhas chaves.
Ele entra no banco de passageiro e eu acelero para fora dali.
— Não vai mesmo me dizer para onde vamos? — ele pergunta.
— Encerrar o meu noivado, Kran — respondo, pisando no acelerador.
— E como? Posso saber? — ele pergunta, e eu simplesmente presto atenção na estrada.
Em cinco minutos estamos no portão da casa do Zade.
Os homens que estavam aqui a paisana vêm até o carro.
— Senhorita Selene... — eu ouço um deles falar, surpreso e eu forço um sorriso.
— Abram os portões — o Kran ordena, e eles se entreolham.
— Agora — eu falo, e a contragosto, eles o fazem e antes que ousassem ligar para o Zade, eu acelero e paro bem na entrada.
Vejo o Kran tirar a arma, e eu saio do carro junto com ele.
Aqui está tudo escuro.
— Senhorita Selene, o... O senhor Zade não está... — eu o corto.
— Eu sei que ele está — afirmo, e o nervosismo sai pelos seus poros.
— Ele está, mas está em reunião... — ele para de contar a sua mentira, quando som de pessoas festejando e música soam do outro lado da casa, e é para lá que os meus pés se direcionam.
— Senhorita! — um deles diz, vindo atrás de nós e o Kran os manda calar.
Pisando pesado no chão, eu retiro o meu celular, já ligando a câmera discretamente.
As portas de vidro denunciam o que se passa ali dentro, um monte de mulheres, e alguns homens, e o maldito beijando no pescoço numa que está do seu lado.
Eu me importo?
Claro que não.
Mas eu preciso fazer um espetáculo.
Eu entrei e por conta da música, ele que está bem concentrado não nota a minha presença, mas os seus convidados sim.
Enojada e com o Kran atrás de mim, as minhas mãos espalmam uma na outra, ovacionando o seu show e atraindo a sua não desejada atenção.
— Selene?! — exclama, pálido e confuso em me ver. — O que está fazendo aqui? — pergunta, oscilando o seu olhar de mim para os seus homens, repreendendo-os com o olhar.
— Claramente não era suposto eu estar aqui, visto que está engolindo alguém para variar, enquanto enche a boca para dizer que eu sou a sua noiva — falo, e ele se aproxima.
— Nem ouse chegar perto — falo.
— Você entendeu tudo errado — ele fala.
— Eu não sou cega, Zade! — falo. — Seja que idiotice tenha sido essa... acabou — falo, finalmente tirando esse maldito anel do meu dedo.
— ... — os inúmeros convidados deles murmuram.
E o seu rosto fica vermelho de nervosismo.
— Você não pode fazer isso, você não tem escolha, não tem dizer nessa decisão — ele fala, e eu o confronto indo mais para frente.
— Oh, se eu tenho, Zade — afirmo, olhando nos seus olhos. — É melhor que você não ousar se aproximar mais de mim, nem da minha família — eu falo, e ele pega forte no meu braço, onde eu o desfaço no mesmo instante.
— Pensa que eu deixarei você, hamn? — seu tom é asqueroso, sua mão toma a minha novamente e com mais força. — Você é minha noiva, e de mais ninguém... — eu cuspo na sua face, com raiva, enojada, e no segundo que ele solta a minha mão, ela encontra o seu rosto numa chapada.
— Oh... — todos balbuciam, chocados e aparentemente isso o irritou tanto ao ponto de ele levantar a sua mão na direção do meu rosto, por conta do seu ego ferido.
O choque foi grande, pois ele não poupou na força e o clique da arma do Kran soa atrás de mim até ver ele apontar a arma para o Zade.
Eu toco no meu rosto, e eu nunca fiquei tão feliz em receber uma chapada.
O rosto do Zade está em choque, e os seus homens apontam as suas armas para o Kran que está com a dele bem no rosto do chefe deles.
— Uma palavra sua e eu explodo com o crânio dele, senhorita — o Kran diz, e eu o encaro.
Não seria nada mau, mas eu não quero ter nada a ver com a morte de ninguém.
Eles são muitos para o Kran tomar conta deles sozinho, se atirar nele.
— O que tinha para fazer aqui já foi feito — falo. — Vamos embora, Kran — falo, saindo na frente e o Kran vem atrás.
Desligo a câmera, satisfeita por ter encontrado exatamente o que sabia que ele estava fazendo.
E ele entregou muito mais.
Entro no carro do lado de passageiro e deixo o Kran nos conduzir para fora daqui.
Baixo o vidro, e observo o meu rosto. A marca da mão dele ficou bem visível.
— Está tudo bem? — o Kran procura saber.
— Está — afirmo.
— Devia ter me deixado atirar nele — ele avisa, e eu dou de ombros.
— Ele não vale a pena — respondo.