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1937 Palavras
CAPÍTULO VINTE E TRÊS. Selene Moreau A nossa conversa durou horas, a minha mãe foi a única que subiu, de resto, com certeza ficaram fofocando da pouca vergonha da Márcia assim que o pai dela a levou daqui. A Vesper tem que sair com a minha mãe, e a Kaiane. Obviamente, eu quis ir junto, por isso estamos descendo às escadas. — Garrett, nós já vamos — a minha mãe diz, fazendo o olhar do meu pai, da minha madrasta, e os outros que permanceram aqui nos encararem. — Já vão tarde! — a s*******o da minha madrasta diz, nos fazendo revirar os olhos. — E, para onde você acha que vai, Selene? — o meu pai, que me ignorou esse tempo todo, questiona. — Eu vou para a casa da minha mãe, vou ficar lá — respondo. — Você vai ficar aqui — a sua voz é áspera, e o meu coração falha. — O senhor não pode me obrigar, eu disse que estou saindo e vou sair — falo, querendo dar meia volta, mas o seu rosno paralisa os meus pés. — Eu tenho a sua guarda, você fica onde eu digo para você ficar, Selene — ah! — Eu sou maior de idade, se é que já se esqueceu — falo, indignada. — Até você morrer continua sendo minha filha, e isso significa você vai me obedecer a bem ou a m*l — ele diz. — Ou se esqueceu do que eu sou capaz? — indaga, me fazendo perder a minha longa paciência. — Para que mais o senhor quer que eu fique? — pergunto. — Você viu a pouca vergonha que colocou aqui? — ele questiona ultrajado e eu dou de ombros. — E a culpa é minha? Era eu no vídeo? — pergunto, com um ressentimento. — O senhor está mais preocupado com a vergonha que não foi causada por mim, do que com o que tentaram fazer com a minha imagem! — falo, ultrajada. — Talvez seja, porque foi ele ou a Medina quem tenham ordenado que fizessem isso — a minha mãe diz. — O que está para aí falando, Lorena? Eu jamais envergonharia o meu marido, não sou você — ela responde. — Eu estou sem paciência para essa maluca — a minha mãe fala. — Aquilo é coisa que se mostre aos mais velhos, a família, Selene? — a minha tia pergunta, e eu a encaro. — Convenhamos que essa família não é normal — respondo, e eles se entreolham. — Eu até fiz um favor, eu mostrei para vocês e não para todo mundo no meio da praça, deviam estar agradecidos — falo. — Essa garota está fora de controle — o meu tio Bennett diz, e eu sorrio, magoada. — A sua outra sobrinha estava fazendo malabarismos obscenos, fazendo cosplay da minha face com o meu suposto ex-noivo, e eu... eu, Selene, estou fora de controle? — pergunto, ultrajada. — Ex-noivo? — o meu pai questiona, e eu franzo o cenho. — Selene, não me deixe irritado — o meu pai diz, e eu o encaro, perdida. — Você continuará se casando daqui a três dias. A pouca vergonha que você mostrou não alterará nada — ah! — Pai, ele feriu a honra da minha irmã. O senhor não pode permitir que ela se case com um traidor, que ainda a traiu com a prima — a Vesper diz. — Querida, se todos os homens que traíssem fosse abandonado, esse mundo seria repleto de solteiras amarguradas — argh... Eu reviro os olhos, sentindo o meu sangue ferver. — Você irá se casar, e até lá permanecerá no seu quarto — ele diz. Como se eu fosse uma menor de idade. — E por quê? — questiono. — Não me faça perder a paciência, você acha que essa merda que você fez não terão consequências? — ele diz, lançando o contrato para perto da lareira não acesa. Nervoso. — Tem noção da merda que você fez?! — ele questiona, com os punhos cerrados. — Já chega, Garrett — a minha mãe fala. — Volte para o seu quarto, eu não quero ver o seu rosto por um tempo — ele diz, de forma insultuosa, e de raiva, eu saio não fazendo questão de não ficar mais um segundo no mesmo ambiente que ele. Frustrada. Por que simplesmente não sai, Selene? Eu não chegaria a essa porta sem que um dos seguranças me carregasse lá para cima e ainda trancassem a minha porta. Eu estou alterada, ele vai continuar me obrigando a casar com aquele nojento depois do que viu? Que tipo de pai, faz isso? — Argh! — o candeeiro foi contra a parede antes mesmo que eu pudesse raciocinar. Mas que maldição! O tempo passou, e as minhas refeições foram trazidas para o meu confinamento nessa minha torre. Já estava de banho tomado e pijama posto, sentada na varanda do quarto, que tem vista para o jardim aqui de casa. Pensando. O pensamento durou uma noite, e mais um dia, porque não pude sair nem no dia seguinte. Ou seja, dois dias até a maldição desse casamento, e eu estou perdendo a cabeça sem saber o que fazer. Hoje eu não vi ninguém, apenas falei ao celular com a Vesper. São vinte e duas horas da manhã, e eu estou desgastando o chão com a minha caminhada de estresse. Quando finalmente o meu cérebro começou a funcionar ao meu favor. Alcanço o meu celular e dou uma pequena pesquisada, e encontro exatamente o que sabia que encontraria. O Zade. Caminho até ao meu closet, e me troco. Pego a minha bolsa e desço. — Oh! — a Medina exclama, ao me ver no final das escadas. — Para onde vai? — ela pergunta. — Não é do seu interesse — respondo. — Ah, se é! — exclama. — O seu pai saiu, mas eu estou aqui, não vai me obrigar a fazer o que eu quero, para a sua mãe dizer que eu estou com inveja dela — ela fala, e eu sorrio. — E você não está? — pergunto, e ela fecha a cara. — Eu estou saindo — simplesmente digo, já vazando. Caminho, ignorando o olhar do monte de homens que estão aqui até a entrada, que fica o estacionamento dos carros. — Senhorita Selene, para onde vamos? — o Kran, o esposo da Kaiane e o chefe de segurança daqui, pergunta. — Eu conduzo, Kran. As chaves — peço, e ele entrega as minhas chaves. Ele entra no banco de passageiro e eu acelero para fora dali. — Não vai mesmo me dizer para onde vamos? — ele pergunta. — Encerrar o meu noivado, Kran — respondo, pisando no acelerador. — E como? Posso saber? — ele pergunta, e eu simplesmente presto atenção na estrada. Em cinco minutos estamos no portão da casa do Zade. Os homens que estavam aqui a paisana vêm até o carro. — Senhorita Selene... — eu ouço um deles falar, surpreso e eu forço um sorriso. — Abram os portões — o Kran ordena, e eles se entreolham. — Agora — eu falo, e a contragosto, eles o fazem e antes que ousassem ligar para o Zade, eu acelero e paro bem na entrada. Vejo o Kran tirar a arma, e eu saio do carro junto com ele. Aqui está tudo escuro. — Senhorita Selene, o... O senhor Zade não está... — eu o corto. — Eu sei que ele está — afirmo, e o nervosismo sai pelos seus poros. — Ele está, mas está em reunião... — ele para de contar a sua mentira, quando som de pessoas festejando e música soam do outro lado da casa, e é para lá que os meus pés se direcionam. — Senhorita! — um deles diz, vindo atrás de nós e o Kran os manda calar. Pisando pesado no chão, eu retiro o meu celular, já ligando a câmera discretamente. As portas de vidro denunciam o que se passa ali dentro, um monte de mulheres, e alguns homens, e o maldito beijando no pescoço numa que está do seu lado. Eu me importo? Claro que não. Mas eu preciso fazer um espetáculo. Eu entrei e por conta da música, ele que está bem concentrado não nota a minha presença, mas os seus convidados sim. Enojada e com o Kran atrás de mim, as minhas mãos espalmam uma na outra, ovacionando o seu show e atraindo a sua não desejada atenção. — Selene?! — exclama, pálido e confuso em me ver. — O que está fazendo aqui? — pergunta, oscilando o seu olhar de mim para os seus homens, repreendendo-os com o olhar. — Claramente não era suposto eu estar aqui, visto que está engolindo alguém para variar, enquanto enche a boca para dizer que eu sou a sua noiva — falo, e ele se aproxima. — Nem ouse chegar perto — falo. — Você entendeu tudo errado — ele fala. — Eu não sou cega, Zade! — falo. — Seja que idiotice tenha sido essa... acabou — falo, finalmente tirando esse maldito anel do meu dedo. — ... — os inúmeros convidados deles murmuram. E o seu rosto fica vermelho de nervosismo. — Você não pode fazer isso, você não tem escolha, não tem dizer nessa decisão — ele fala, e eu o confronto indo mais para frente. — Oh, se eu tenho, Zade — afirmo, olhando nos seus olhos. — É melhor que você não ousar se aproximar mais de mim, nem da minha família — eu falo, e ele pega forte no meu braço, onde eu o desfaço no mesmo instante. — Pensa que eu deixarei você, hamn? — seu tom é asqueroso, sua mão toma a minha novamente e com mais força. — Você é minha noiva, e de mais ninguém... — eu cuspo na sua face, com raiva, enojada, e no segundo que ele solta a minha mão, ela encontra o seu rosto numa chapada. — Oh... — todos balbuciam, chocados e aparentemente isso o irritou tanto ao ponto de ele levantar a sua mão na direção do meu rosto, por conta do seu ego ferido. O choque foi grande, pois ele não poupou na força e o clique da arma do Kran soa atrás de mim até ver ele apontar a arma para o Zade. Eu toco no meu rosto, e eu nunca fiquei tão feliz em receber uma chapada. O rosto do Zade está em choque, e os seus homens apontam as suas armas para o Kran que está com a dele bem no rosto do chefe deles. — Uma palavra sua e eu explodo com o crânio dele, senhorita — o Kran diz, e eu o encaro. Não seria nada mau, mas eu não quero ter nada a ver com a morte de ninguém. Eles são muitos para o Kran tomar conta deles sozinho, se atirar nele. — O que tinha para fazer aqui já foi feito — falo. — Vamos embora, Kran — falo, saindo na frente e o Kran vem atrás. Desligo a câmera, satisfeita por ter encontrado exatamente o que sabia que ele estava fazendo. E ele entregou muito mais. Entro no carro do lado de passageiro e deixo o Kran nos conduzir para fora daqui. Baixo o vidro, e observo o meu rosto. A marca da mão dele ficou bem visível. — Está tudo bem? — o Kran procura saber. — Está — afirmo. — Devia ter me deixado atirar nele — ele avisa, e eu dou de ombros. — Ele não vale a pena — respondo.
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