CAPÍTULO VINTE E QUATRO.
Selene Moreau
Sentada no sofá da minha casa, com o meu pai aqui sentado, o meu tio Bennett, o meu primo, a sua esposa e a Medina.
— Ele levantou a mão para a minha filha... — finalmente, eu o vejo indignado. O seu punho está vermelho de tão forte que está preso.
— Ninguém encosta na filha! — isso é bom de ouvir.
— Eu posso me encarregar de sumir com ele, tio — o meu primo, no caso, o que eu gosto, o Lion diz.
— Não há que sumir com ninguém — o tio Bennett fala. — Selene, querida... Por que razão você foi até lá a essa hora? — ele questiona.
— Porque ele estava me traindo, tio. Está aí o vídeo — falo, apontando para o celular que atirei na mesa quando cheguei.
— Kran! — o meu pai diz, o encarando.
— Eu confirmo, senhor — ele diz, e eu assinto. — Eu teria atirado nele quando ele colocou a mão nela, mas a senhorita Selene não permitiu — ele justifica, e eu assinto.
— Eu fui coletar a prova que vocês ignoram. Que aquele i****a, não presta e é um traidor, mas ele provou que também é um agressor — eu falo.
— Se tivesse ficado em casa, não teria levado — a Medina fala, e eu olho para ela, clamando por paciência.
— Eu espero que o senhor não esteja planejando em me obrigar a casar com um agressor — falo, olhando para o meu pai, que está com o pensamento longíquo.
— Não... — antes que ele me respondesse direito, o meu tio interrompe.
— Você sabe que esse casamento não será um qualquer, Selene — ele diz. — Tem uma razão pela qual era suposto você já estar casada com o Zade antes de ir fazer a faculdade — ele fala, e eu reviro os olhos.
— E eu não me importo, eu não sou nenhuma mercadoria de troca — respondo, e ele suspira, clamando por paciência.
— Selene, vá para o seu quarto — o meu pai fala, mas não foi uma ordem raivosa, e sim, um eu preciso pensar.
E eu espero que ele pense corretamente.
Que pai pensaria, depois da filha ser agredida?
O meu.
Haja paciência.
Meio irritada, mas com um pouco de esperança que esse pesadelo acabe, eu pego no meu celular e subo.
Troquei-me novamente, e me sentei na varanda aguardando ver eles saírem daqui para que eu finalmente saiba a resposta do meu pai.
Com os meus olhos na lua, que está cheia hoje eu distraio-me aguardando.
Essa é a minha única alternativa.
A esse ponto, acho que está claro que fugir para mim não é uma solução. Eu sou controlada mesmo estando do outro lado do mundo, aqui eu não irei longe.
Não se eu não tiver alguém igualmente forte para me proteger do meu próprio pai e os seus negócios.
A única pessoa que eu confiei para isso... Eu não posso contar.
Ouço batidas na porta, e eu me levanto para abrir a porta.
— Lion? — falo, ao abrir a porta e ele oferece-me um sorriso.
— Posso entrar? — ele pergunta, e eu assinto.
— Claro, entre — respondo, dando-o espaço e fecho a porta.
— O seu refúgio continua bonito — ele elogia, enquanto nos sentamos à mesa que eu estava aqui na varanda.
— Atualmente ele está mais para prisão do que para refúgio, mas ele agradece — respondo, e ele sorri.
— Eu ia perguntar como você está, mas eu já sei a resposta — ele diz, e eu suspiro, exausta.
— Eu estou encurralada, Lion... — falo, jogando a minha cabeça no apoio da cadeira passando a mão pelo meu rosto, frustrada.
— De um lado, eu estou aqui com a sonsa da Medina e do outro, eu não tenho apoio algum da minha mãe, e todos estão me jogando para o maldito do Zade! — exclamo, indignada.
— Quem quer se casar com o Zade? — ele pergunta, igualmente indignado.
— Quem? — reforço, e sorrimos.
— O que eu faço, Lion? Eu estou perdendo a minha cabeça... — falo.
— Se eu tivesse uma solução, com certeza já estaria ajudando você, priminha — ele fala, e eu suspiro.
— Você sabe que além do pai do Zade e o seu serem amigos, eles são parceiros desses negócios, e eles estão armando contra o senhor Anakin — ele diz.
— Nenhum deles vai abrir mão disso, pelo que deu para escutar lá embaixo, só para avisar — pronto.
— Com o filho do senhor Anakin chegando, eles estão mais preocupados — ele diz, e o meu rosto fecha.
— Me escute, Selene — ele diz, e eu o encaro. — A cidade está uma agitação que só com a chegada do Laurent — ele diz, e a minha barriga esfria. — Todos os estão ovacionando, e claramente, sendo filho do Anakin, ele não só exala poder, como possui poder — diga-me uma coisa que eu não sei...
— Vocês estiveram juntos, você assinou um contrato de associação do resort — ele fala. — Se o fez, e se veio com aquele vídeo, quer dizer que o m*l entendido que te fez vomitar no meu carro de tanto whiskey foi resolvido, não? — questiona, meu coração falha, meu rosto ruboriza, e eu não sei o que dizer.
— É mais complicado do que isso, Lion... — respondo, e ele apenas me observa em silêncio.
— Ele não está mais noivo da Leila Duliner — ele diz, e eu o encaro, curiosa.
— Como você sabe disso? — pergunto.
— Ele esteve no restaurante hoje — ele conta, e eu sinto cócegas na minha barriga. — Coincidiu que eu estava lá, e olha... — ele diz.
— Eu achei que o odiaria depois de ter feito você vomitar no meu carro — ele diz, todo engraçadinho, e eu reviro os olhos. — Mas ele... Ele tem uma coisa — ele diz, me fazendo rir, mesmo sem querer.
— Ele é simpático, mesmo sendo intimidante a primeira vista. Ele exala poder, mas não um que amedronta ou sufoca — falo por ele, e ele concorda. — Esse é o Laurent Duvall — digo.
Ele suspira.
— Selene, você tem apenas duas opções e das duas, apenas uma com certeza dará certo — ele fala.
— Ou você expõe aquele vídeo para todos, e obriga o tio Dawson a casar a Márcia com o Zade — ele diz. — Ou você, se casa com o Laurent Duvall — ele diz, e eu riu.
— Lion! Casar? — pergunto, rindo. — Ele não quer casar comigo, e isso é impossível em menos de dois dias — falo, e ele suspira. — Outra, eu mostrei aquele vídeo de raiva por ela ter me deixado nessa situação — falo.
— Era um misto de sentimentos, e foi por isso que eu expus a Márcia daquele jeito, mas embora não me falte vontade, eu não cometerei a insanidade de a expor para tudo quanto é pessoa aqui, Lion — falo.
Ambos suspiramos.
— Eu não sei o que fazer — falo, encolhendo os meus pés na cadeira, e olhando para a lua.
— Pela primeira vez, nem eu — ele diz, fazendo-me o encarar e sorrir.
Ele é como um irmão mais velho, e está preocupado do seu jeito.
— Eu também não... — falo.
Ficamos assim, em silêncio até ele infelizmente ter de ir embora.
E como ele já havia me avisado, nem violência contra a própria filha, fez o meu pai recuar.
Eu estou oficialmente ferrada.