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1188 Palavras
CAPÍTULO VINTE E CINCO. Laurent Duvall Uma cidade pequena, todo mundo conhece todo o mundo, nada ao que eu cresci habituado. Eu cresci bem longe daqui, literalmente, por proteção. A inimizade entre o meu pai e o Garrett Moreau não é um "eu não gosto de você", envolve sangue. Sangue esse que durante todo esse tempo fora, eu aprendi a lidar, até que o meu pai decidiu que agora seria um bom momento para revelar que tem um filho para todos. — Eu estou repensando a sua vinda para cá — Anakin, meu pai diz, sentado de frente para mim. Estamos no seu escritório. — O nosso nome não deve estar associado com o daquele canalha do Garrett — ele diz, e eu me encosto a poltrona, terminando o whisky que eu estava tomando. — Ou... — falo, pousando o copo na mesa de madeira. — Ele quis comprar para expandir o negócio clandestino que estamos tentando decifrar para os entregar — falo. — Integrados lá, mais difícil fica para eles esconderem o que queremos saber, e mais fácil de revelar os seus esquemas para nós — falo, e ele me observa. Convencido ele está, só não quer admitir. — Bem, eu vou sair — falo, levantando-me. — E para onde? — ele pergunta, fazendo-me sorrir. — Conhecer a vizinhança, e depois vou para a minha casa — falo, e ele se levanta. — Você é um alvo, tenha noção disso — ele diz. — Eu treinei a vida toda por causa disso, não se preocupe — falo. — Eu vou ter com o Duliner — ele diz, saindo do escritório comigo. — E porquê? — pergunto. — Provavelmente porque você me fez fazer um acordo com ele, para depois despachar o noivado com a filha dele, Laurent — ele diz, casualmente. — De raiva, ele pode se juntar ao Moreau, e você será alvo dele também — afirma. — Aqui são todos muito vingativos — comento. — Não aceitam um não como resposta — digo, sarcástica. — Teria outra razão para eu te mandar para o outro lado do mundo, se assim não fosse? — questiona retoricamente, enquanto saímos de casa. Vejo no mesmo instante o Apollo entrar com o carro, ele tinha saído para dar uma volta. — Se quiser eu vou com o senhor — falo. — Desnecessário — responde. — Apenas se cuidem! — ele diz, já entrando no carro e o motorista fecha a porta. — O que está rolando? — o Apollo pergunta, enquanto caminho para o carro. — Leila — falo, entrando no carro e ele faz o mesmo. Aceleramos para fora dali. — O que tem aqui? — pergunto-lhe. — Nada demais — ele diz. — Cafés, restaurantes e montanhas — ele fala, e como eu disse, totalmente diferente ao que eu cresci habituado. — Ontem fomos para aquele restaurante, podemos ir outra vez, eu estou com fome — comento, e ele assente. — Parece que a Selene irá se casar amanhã — conta, e a minha calmaria acaba. — O que está dizendo? Onde escutou isso? — pergunto, sentindo o meu sangue ferver. — A pouco, quando eu estava num café — responde. — Aparentemente, as notícias aqui correm rapidamente — ele diz, e eu estou perdendo a cabeça. Pego no meu celular e tento ligar para ela novamente, mas o número cai na caixa postal. Ela quer me deixar maluco. — Que droga... — atiro o celular para o centro do carro. — Vamos para a casa do Moreau — falo, e o Apollo me encara. — Só se você quiser morrer — ele diz. — Nem pensar — fala. — Essa alguma vez foi uma preocupação? — pergunto, indignado, por não ter pego o volante antes dele. — Devia — ele diz. — Se acalme, até amanhã nós iremos pensar em alguma coisa, não cause um ataque cardíaco no senhor Anakin — ele diz, e eu reviro os olhos, vendo o restaurante em que estivemos ontem. Maldição. Minutos se passaram, e a minha cabeça está nela, como sempre esteve, mesmo quando eu não queria. — O filho do Bennett, sobrinho do pai da Selene está vindo — Apollo fala, discretamente, e eu o encaro. — Boa tarde! — o moço que vi aqui ontem saúda, aproximando-se e nós nos levantamos. Ele aperta a mão do Apollo e depois a minha. — Lion Moreau — ele diz, com a mão ainda na minha. — Laurent... — ele completa por mim. — Duvall — diz. — Todos sabem quem é. Seja bem-vindo a cidade — ele diz, e eu sorrio. Bem-vindo? — Agradeço, mas não me parece que a sua família me ache tão bem vindo — respondo irônico, e ele sorri minimamente. — Verdade — responde, e eu sorrio. — Podemos conversar? A sós — ele frisa, olhando para o Apollo, que obviamente está desconfiado. Olho para ele, que suspira impaciente. — Eu vou lá fazer uma chamada — ele diz, saindo a contragosto. Faço sinal para ele sentar-se a mesa, e assim que ele o faz, eu me sento. — Eu serei direto — diz, e eu mantenho o meu olhar nele. — Eu podia perguntar quais as suas intenções são com a minha prima, porque feliz ou infelizmente, pela coincidência mais ferrada do mundo, ela esbarrou com o único filho do Duvall — ele diz, e suspira. — Eu quero ajudá-la — eu não tinha certeza, mas eu estou começando a gostar dele. — Eu só preciso que me diga como entrar naquela casa — falo, e ele suspira, encostando-se a cadeira. — O quarto dela tem uma varanda... — conta o necessário, era só disso que eu precisava. — Espero que já tenha acabado com seja lá o que é precisava falar — Apollo diz, chegando. Eu diria que ele está mais enciumado do que frustrado. O Lion levanta-se. — Faça o que fizer, não me obrigue a tornar você o meu alvo também — diz. — Ameaças não funcionam comigo — falo. — E se tem alguém que se importe com ela, esse sou eu — deixo claro. — Eu espero que sim — responde, e se retira. Volto a sentar-me um pouco mais tranquilo. — O que foi isso? — o Apollo pergunta, sentando-se, e eu faço o mesmo. — Eu vou precisar de uma pequena montaria amanhã, prepare as armas — falo, e ele me observa. — Que droga está acontecendo, Ren? — ele pergunta. — Menos de um dia aqui, e já quer armas? — questiona. — Do que ele estava falando? — pergunta, e eu suspiro. Peço a conta. — Eu conto mais tarde, precisamos ir — já ficamos horas aqui. — Eu não estou gostando disso. Desde quando você guarda segredos de mim? — pergunta, saindo comigo do restaurante. — Agora não, Apollo — falo, entrando no carro. — Para onde estamos indo? — pergunta. — Para casa, o meu carro já chegou — falo. Eu podia o contar agora, mas ele anda um pouco neurótico desde que chegamos. Até ele se acalmar, eu irei resolver sozinho essa questão.
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