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1543 Palavras
CAPÍTULO VINTE E SEIS. Selene Moreau — Então, Selene... — a Medina fala, com o seu característico tom de deboche, fazendo-me levantar o olhar na sua direção. Estamos na mesa de jantar. — Ansiosa para usar o seu vestido de noiva? — pergunta, só para me irritar. — Está perguntando porque nunca vestiu um, ou só está me importando? — devolvo a inconveniência, frustrada. — Selene! — o meu pai me chama atenção, e eu simplesmente me levanto. — A sua maldita esposa está me provocando, o senhor já estragou a minha vida, e ainda tem a coragem de me repreender?! — questiono, fula. — Já não está satisfeito com o que fez? — pergunto, o odiando mesmo não querendo. — Baixe o seu tom de voz... — Medina fala, e de raiva a água que estava no meu copo foi direto para o rosto dela. E saí dali para o meu quarto ignorando os seus gritos, e deixando o meu pai cuidar da mulher dele. A m*l bato a porta, o meu coração para por um milésimo quando eu sinto a presença de alguém atrás de mim, que tapa a minha boca bem antes que eu pudesse gritar. Um ladrão... O meu corpo é virado e encostado contra a porta, e os meus olhos encontram o oceano azul de quem me tem imobilizada e silenciada contra a porta. De susto, o meu rosto passa de sem cor a ruborizado. E ele acelera num extremo que fica audível. Ele faz um sinal para eu me manter calada, mas não tira a sua mão dos meus lábios até rodar a chave da minha porta. — O que está fazendo aqui? — pergunto, sussurrando, atônita, incrédula, surpresa em vê-lo aqui. — Como... — o meu olhar oscila da porta da minha varanda, para ele. — Como conseguiu entrar aqui? — pergunto, extremamente confusa. — Pela varanda — responde casualmente, e eu estou embasbacada. Tem muitos homens aqui, e o meu pai não vai pensar duas vezes antes de meter bala nele. Como ele entrou? — Eles vão matar você, o que pensa que está fazendo? — pergunto, meio em choque. — Ninguém aqui tem capacidade de me matar — oras, olha ele. — E eu estou apenas fazendo o que já devia ter feito antes — fala, e eu estou ficando agitada. Primeiro, o Laurent Duvall não só está nessa cidade, como também está simplesmente no meu quarto. Parece até que eu estou sonhando. Um sonho que parece que irá se tornar um pesadelo novamente a qualquer momento. — O quarto combina com você — ele comenta, e eu estou tão nervosa que não consigo reter a piadinha dele como deve ser. — O que veio fazer aqui, Laurent? — pergunto. — Vim impedir que a mulher que eu amo se case amanhã, tudo bem para você? — pergunta, e, oh... se eu não sou a personificação de um vulcão em erupção. O que ele disse? Mulher que eu amo? Ele está falando de mim? — Depende de quem está falando. Você tem a reputação de amar muito facilmente as mulheres, e tão pouco cumpre com o que diz — falo, e ele me observa. — Eu não vou discutir com você agora. Vai querer ou não escutar o meu plano? — soou como um ultimato. Eu estou tão desesperada que até a loucura que estou ponderando escutar esse canalha. — Entendido? — pergunta, e o meu coração está disparado, mas a minha mente está entorpecida. A última vez que fiz um plano... Seus olhos cativam os meus, e o meu rosto consegue queimar ainda mais. — Selene? — suspiro. — Eu não consigo confiar em você — falo, e vejo o seu maxilar cerrar. — Eu sou a sua única alternativa, Selene e eu não pretendo deixar você — socorro. — Selene! — a voz do meu pai soa do outro lado da porta, e eu pulo de susto. — Sai, você precisa ir embora... — sussurro, colocando as mãos nele, o empurrando para a varanda. Ouço o meu pai bater na porta, e está me deixando agitada. — Se você não aparecer amanhã, saiba que eu mesma sumirei com você dessa cidade — falo, o empurrando e ele sorri. — Selene! — o tom do meu pai aumenta fazendo-me olhar para o quarto, e quando viro de volta o meu olhar, ele sumiu. Simplesmente sumiu, nem espreitando eu vejo onde ele está. Nervosa, torcendo para que ele saia sem ser pego, eu entro no quarto e tranco a porta da varanda, caminhando para a porta. Abro, e ele entra já olhando para tudo quanto é canto. — Por que estava com a porta trancada? — pergunta, e eu não consigo segurar a minha fúria. — Talvez por que eu sou maior de idade, e o meu quarto é o único lugar que posso ter privacidade — falo. — Ou, talvez eu quisesse me matar, e queria que demorassem achar o meu corpo mas nem isso o senhor me deixa fazer também — digo, e eu vejo ele suspirar. — Selene, você está sendo injusta — fala, e eu não acredito. Eu estou sendo injusta... — Eu não quero nenhum m*l para você, eu só quero o seu bem — rio. Mas eu rio, mesmo. — O senhor vai me obrigar a casar pelo senhor — falo. — Quer me obrigar a casar com quem eu não gosto, que é um traidor e ainda me agrediu, é assim que não quer nenhum m*l para mim? — questiono, inconformada. — Não aja como se você e o Zade não se conhecessem desde crianças, Selene — fala, e eu reviro os olhos. — Eu não sei se sabe, mas o tempo passa. Eu já não sou nenhuma criança, e talvez seja isso que o senhor deva ter noção — falo, e ele me observa com o maxilar trincado. — Se fosse pararia com essa rebeldia infundada — ele diz. — Se estiver assim por causa do filho do Duvall, se tentar fazer alguma gracinha, Selene, eu o mato e darei para você mesma enterrar — os meus pelos eriçam, a minha coluna vibra. — Saia do meu quarto, por favor — peço, com o meu estômago embrulhado. Ele suspira e sai. Logo em seguida eu fecho a porta, sufocada. — ... — grito contra a cama, porque eu simplesmente caí de cara nela. Tem como não perder a cabeça? Não, claro que não tem! Juro que eu estou a um tris de ficar tão louca como eles. Em algum momento do meu surto acabei adormecendo. Acordei com alguém fazendo carinho no meu cabelo. Abro os olhos, e encontro os olhos da minha irmã. — Eu ia dizer bom dia, mas não é — ela fala, e eu passo a mão pelo meu rosto, sentando-me ainda sonolenta. — Talvez seja, quem sabe? — pergunto retoricamente, e ela me encara curiosa. — O que aconteceu? — pergunta. — Sair desse inferno não deve ser tão mau, não? — pergunto. — Depois de casada eu provocaria algum dos vários inimigos que o Zade tem, e eles o tirariam do meu caminho de imediato — falo, e ela sorri. — Seu humor é tão assustador as vezes que chega a ser engraçado — ela diz, e eu sorrio. — Desculpa, os meus neurônios estão sofrendo as consequências de morar aqui. Eles estão cedendo — comento e ela ri. — Onde está a mamãe? — pergunto. — Ela esteve aqui, deixou o seu vestido no closet e depois desceu — diz. — Vestido? — pergunto, e ela assente. — Eu não achei que quando esse dia chegasse, você estaria tão infeliz — ela fala, e eu suspiro. — Bem, nós devemos ir — ela diz. — Infelizmente já está atrasada, e basta acabar de se vestir, iremos para o local onde foi organizado para o casamento — fala, e eu estou... Estou que estou. O que pode acontecer hoje pode acabar m*l, ou de maneira imprevisível. E depois da ameaça que o meu pai fez ontem, eu tenho ainda mais medo. Ele não estava blefando. — Vamos — ela diz, e eu levanto-me a contragosto. — Você pode descer, eu me arrumo sozinha — falo. — Tem certeza? — pergunta, e eu assinto, indo até ao banheiro. — Tenho, não se preocupe — falo. — Como quiser, eu espero por você lá embaixo — diz, e eu assinto entrando no banheiro. Ouço a porta dela saindo, e depois de um minuto de silêncio, eu tomo o meu banho, e simplesmente me preparo. Faço a minha maquiagem, o meu cabelo, e vesti um fato de cor branca, nem pensar que eu usaria um vestido. E só usei branco, porque eu não quero ser puxada de volta para o quarto. Calcei uns saltos, passei perfume, peguei no meu celular que está sem carga para variar e desço. — Minha filha — minha mãe diz, no final das escadas com o meu pai. — Vamos logo, eu não preciso ouvir o discurso de ninguém — falo. — Selene — meu pai diz, e eu simplesmente saio em direção a porta. — Não quero ouvir ninguém — repito saindo, o meu sangue está fervendo. Valha-me...
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