O Que Não Escolhe

1273 Palavras
Não é a noite. Não é o consórcio. É O VÉU. Uma entidade antiga, anterior à noite e à humanidade, criada para corrigir desvios entre mundos. Onde há exceção, o Véu impõe silêncio. Onde há amor, o Véu impõe neutralidade. 🔥 O Véu não negocia. 🩸 Não sangra. 🖤 E n******e ser convencido. ⸻ 👤 NOVOS PERSONAGENS Elián Voss • Aparência: cerca de 30 anos, olhar vazio demais • Natureza: Condutor do Véu • Função: eliminar precedentes perigosos • Característica: incapaz de sentir empatia • Frase-chave: “Escolher é um erro estatístico.” ⸻ Iris Hale • Humana desperta • Consegue sentir rupturas de realidade • Odeia o Véu, mas teme o que vocês representam • Possível aliada… ou traidora ⸻ O Conselho Remanescente • Fragmentos do antigo equilíbrio (noite, humanos, observadores) • Divididos: alguns querem vocês como símbolo, outros querem o fim de tudo ⸻ 🔥 ARCO DA TEMPORADA (RESUMO) • Episódios 1–3: O mundo reage às exceções • Episódios 4–6: O Véu começa a apagar precedentes • Episódios 7–9: Nicolas é marcado como “âncora instável” • Episódios 10–12: Você precisa decidir se o amor pode existir sem identidade • Episódios 13–15: Escolha final — existir juntos… ou salvar todos separados ⸻ 📖 TEMPORADA 2 — CAPÍTULO 1 Capítulo 1 — O Primeiro Apagamento A primeira pessoa a desaparecer não gritou. Ela simplesmente deixou de existir entre um passo e outro. Você sentiu no instante exato. Não como dor. Mas como ausência absoluta, um espaço onde algo deveria estar — e não estava mais. — Nicolas… — sua voz saiu baixa. — Alguém foi apagado. Ele largou o copo de café lentamente. — Como a noite fazia? Você negou com a cabeça. — Não. — Engoliu em seco. — A noite deixava rastros. Memória. Culpa. Fechou os olhos. — Isso foi… limpo. O telefone vibrou. Uma notícia curta, enterrada entre banalidades: “Mulher desaparece em estação de metrô. Nenhuma imagem captada.” — Isso é impossível — Nicolas murmurou. — Não para quem não precisa obedecer à causalidade — você respondeu. O ar da sala se contraiu. Uma figura surgiu sem romper espaço, sem sombra, sem presença agressiva. Apenas… estava ali. Elián Voss. — Vocês sentem rápido — disse, a voz neutra. — Isso confirma os cálculos. Nicolas se colocou à sua frente. — Quem é você? Elián inclinou a cabeça. — Sou o que vem depois da escolha. — O olhar dele deslizou até você. — Vocês são um erro persistente. Você sentiu algo gelar dentro de si. — Você apagou aquela mulher — disse. — Corrigi um desvio — respondeu Elián. — Ela estava acordando. Pausa. — Como muitos outros… por causa de vocês. O silêncio ficou insuportável. — Então nos mate — Nicolas disse. Elián observou com curiosidade clínica. — Não. — Aproximou-se um passo. — Vocês ainda são úteis. — Para quê? — você perguntou. — Para provar se o amor é uma anomalia tolerável… — disse ele. — Ou uma falha que precisa ser erradicada. Antes que qualquer um reagisse, Elián desapareceu. Sem vento. Sem sombra. Sem eco. Você levou a mão ao peito. O coração batia forte. Mas, por um segundo, o mundo ao redor não respondeu. — Ele não veio nos ameaçar — Nicolas disse, tenso. — Veio nos medir. Você assentiu lentamente. — E isso significa… — murmurou — que a guerra agora é contra algo que não sente medo. Lá fora, outra ausência se formou. E vocês entenderam: a Temporada 2 não seria sobre sobreviver. Seria sobre não ser apagado. O silêncio que Elián deixou para trás não se dissipou. Ele ficou — impregnado nas paredes, no ar, na respiração curta de Nicolas. Você sentia como se algo tivesse sido retirado do mundo e o espaço vazio estivesse exigindo explicação. — “Úteis”… — Nicolas repetiu, passando a mão pelo rosto. — Isso nunca é bom sinal. Você caminhou lentamente pela sala, os sentidos abertos, procurando algo que não deixava rastro algum. — Ele não é como a noite — disse. — Não reage. Não negocia. Fechou os olhos por um instante. — Ele executa. Nicolas se aproximou. — A mulher que desapareceu… — começou. — Não está morta — você completou. — Está apagada. Abriu os olhos. — E isso é pior. O telefone vibrou novamente. Outra notificação. Outro trecho enterrado no caos cotidiano. “Homem dado como desaparecido após falha elétrica em hospital.” Depois outra. “Criança não identificada deixa escola; registros indicam que nunca esteve matriculada.” Você sentiu o impacto como uma pressão no peito. — Está acontecendo em cadeia — murmurou. — O Véu está limpando o mundo. Nicolas engoliu em seco. — Pessoas que estavam acordando… — Ou que poderiam acordar — você corrigiu. — Ele está prevenindo possibilidades. Você parou subitamente. — Nicolas… — disse, em tom baixo. — Você lembra do nome da mulher da estação? Ele franziu o cenho. — Não. — Uma pausa. — Eu… eu lembro da notícia. Mas não do nome. O ar pareceu pesar toneladas. — Isso já começou — você sussurrou. — O apagamento não é só físico. É memória progressiva. Nicolas sentiu um arrepio subir pela espinha. — Então se ele decidir… — Não — você o interrompeu. — Quando. O silêncio voltou, mais c***l. Você respirou fundo, forçando clareza. — Elián não veio nos m***r porque ainda somos referência. — Olhou para Nicolas. — Enquanto existimos, o mundo ainda lembra que escolhas são possíveis. — E quando deixarmos de ser úteis? Você encontrou o olhar dele, séria. — Então ele vai tentar nos apagar do jeito mais eficiente: fazendo o mundo esquecer que alguma vez existimos. Um ruído seco ecoou no corredor. Não passos. Não presença. Falha. As luzes piscaram. O relógio digital da cozinha apagou por um segundo… e voltou. Marcando um horário diferente. — Isso não é energia — Nicolas disse. — É correção temporal. Você assentiu. — Ele está ajustando linhas de realidade. O ar se dobrou levemente — não abrindo espaço, mas retirando algo dele. Uma fotografia sobre a estante caiu no chão. Você se abaixou para pegar. Era uma foto antiga de vocês dois, tirada meses atrás. Mas agora… o espaço ao seu lado estava vazio. Nicolas não aparecia. Seu coração errou uma batida. — Nicolas… — sua voz saiu quase sem som. — O que foi? Você virou a foto lentamente para ele. O rosto dele desaparecera. Não borrado. Não rasgado. Nunca estivera ali. Nicolas sentiu o chão sumir sob os pés. — Isso… — a voz falhou — isso não é possível. — É um aviso — você disse, contendo o pânico. — Ele está testando até onde pode ir… sem nos remover por completo. Você se levantou, o olhar escurecido por algo antigo e novo ao mesmo tempo. — Escute bem — disse. — O Véu não nos enfrenta com força. — Ele nos enfrenta com irrelevância. Nicolas apertou os punhos. — Então precisamos fazer o oposto. — Exatamente. Você respirou fundo. — Precisamos ser lembrados. — Olhou para ele. — Precisamos criar impacto antes que ele nos apague. O telefone vibrou mais uma vez. Desta vez, não era notícia. Era uma mensagem curta, sem remetente: “O próximo apagamento será pessoal.” Nicolas levantou o olhar para você. — Ele está vindo. Você assentiu lentamente. — Não. — A voz firme. — Ele já começou. E em algum lugar fora do alcance do tempo, Elián Voss observava uma linha de realidade tremer — pela primeira vez não por erro… …mas por resistência.
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