Por Antônio Rocha O sol já havia desaparecido há horas, deixando a noite tomar conta da paisagem da fazenda. O vento frio cortava a pele, trazendo consigo o cheiro da terra úmida e do mato recém-cortado. Eu estava jogado na entrada da casa principal, o corpo pesado demais para se mover. A garrafa de uísque vazia ao meu lado era como uma velha companheira que havia me abandonado também. A mente girava, afogada em lembranças, flashes e gritos que eu nunca mais ouviria. Anne. Meu Deus, Anne. O silêncio da fazenda, que um dia foi reconfortante, agora era apenas um eco da minha dor. Khalid e os gêmeos estavam fora, envolvidos em algum treinamento ou planos que eu não fazia questão de entender. Filipe, provavelmente imerso em relatórios ou mapas, não iria notar minha ausência até a manhã segui

