Por Anne Rocha O Brasil me recebia como um amante que eu havia abandonado. As luzes da cidade se espalhavam como joias no horizonte enquanto o avião se preparava para pousar. O nome no meu bilhete de embarque dizia "Dayanne Menezes", uma identidade que se encaixava perfeitamente na mulher que eu havia me tornado. Uma peruca preta escondia meus cabelos, e os óculos escuros cobriam os olhos que um dia foram minha marca registrada. Eu era outra pessoa, uma sombra movendo-se pelo mundo, carregando apenas o essencial: raiva, determinação e um plano que ainda precisava ser traçado. A viagem foi tranquila, mas não sem seus momentos de tensão. Passei pelo controle de imigração com um sorriso falso e documentos impecavelmente forjados. Cada olhar que os agentes lançavam na minha direção parecia

