Valentina Na laje, o vento vinha com recado. Não era só o calor do dia, era a pressão das vozes. Desci da casa do Dante com o coração batendo num compasso que eu ainda não decorei, aquele troço de achar que tudo pode estourar a qualquer segundo. Freitas vinha atrás, passo largo, a mão no rádio. Ele parecia um guarda-costas de novela: sério, atento, pronto pra cortar qualquer buraco. Eu fingia que tava de boa, com a blusa amarrada na cintura, chinelo confortável no pé, o cabelo preso num coque m*l feito. Era o meu uniforme de quem ainda quer viver. — Vai devagar. — Freitas sussurrou, sem olhar pra trás. — Tá tranquilo. — respondi, seca — Eu não vou deitar na cama por causa do fuzuê. A rua tava cheia de olhos. As vizinhas abanavam pano, as crianças olhavam de dentro do portão, e os hom

