Mais tarde, Pagã, Kasumi, Jaciara e Águia Pequena corriam até a tribo para falar com Tupi. Este estava com Jê conversando, até que os quatro lhe chamam atenção.
-- Mas o que houve?-- indaga o cacique.
-- Tupi, é a Tribo Hitachi.-- disse Pagã.-- Eles declararam guerra contra a nossa tribo.
-- Mas que droga.-- Tupi põe a mão na testa.-- Eu sabia que mais cedo ou mais tarde, eles iriam nos incomodar com guerras. Jê, não temos alternativa se não unirmos forças com a Tribo Mogi. Os Hitachi conseguiram extinguir os Totem.
O pajé estava pensativo. Dizia:
-- Bem, eu sabia que esse dia chegaria, mas não imaginava que seria tão breve assim.
-- O que vamos fazer?-- indaga Kasumi.
-- Bem, podemos entrar em contato com os Mogi sim, melhor porque eles são muito poderosos.-- disse Jê.
-- Ótimo. Pagã, Kasumi. Quero que vão até a Tribo Mogi e expliquem a situação.-- disse Tupi.
-- Certo.-- responde a mentora.
Kasumi assente com a cabeça.
O cacique dizia:
-- Eu preciso reunir os nossos melhores guerreiros.
-- Senhor Tupi.-- disse Águia Pequena.-- Se o senhor me permitir, também vou participar da guerra.
-- Você quer lutar?-- indaga Tupi, surpreso.
-- Sim, até porque foi a minha tribo que eles exterminaram. Eu preciso responder da melhor forma possível esse ato deles.
Tupi sorri e fala:
-- Certo. Pagã, quanto tempo até chegar o dia da guerra?
-- Estimamos que em uma semana.
-- Certo. Você ficará responsável em treinar Águia Pequena. Também avisarei aos guerreiros para monitorarem a tribo. Não quero invasores no local.
-- Huhuhu...-- Jê fumava seu cachimbo.-- Eu ficarei assistindo o empenho de vocês, mas se eu ver que as coisas não estão como devem ser, terei de me levantar de onde estou.
Tupi e Pagã ficaram receosos, como se eles conhecessem o poder oculto de Jê. Ninguém nunca tinha visto tamanho poder do pajé a não ser os dois e pela reação de ambos, era provável que seja inexplicável aos olhos humanos. O cacique fala em seguida, retornando ao foco paulatinamente:
-- Vamos, pessoal. Temos que fazer nossa parte ou o inimigo sai na frente.
Todos obedecem. Jaciara treina com Águia Pequena. Ambos estavam procurando por um local seguro. Kasumi e Pagã saíam da tribo para irem até os Mogi pedir por ajuda.
Tupi tinha medo que a Tribo Potira passasse pela mesma situação que os Totem. Para evitar o mesmo destino, decide convocar os Mogi para os ajudarem, já que é uma tribo muito poderosa.
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Enquanto isso, Nambara aparecia na Tribo Hitachi. Estavam todos se preparando para enfrentar os Potira. A albina disse:
-- Vocês têm uma semana para ficarem mais fortes do que já são. Uma semana!
Todos gritavam de empolgação. Queriam derrubar a Tribo Potira, de uma forma ou de outra.
-- Uma semana. -- dizia Nambá, que aparecia. -- É um bom tempo para estarmos ainda mais fortes quando esmagarmos a cabeça dos Potira.
-- Exatamente, meu bem.-- disse Nambara, beijando o seu companheiro.-- Você tinha que ver a expressão no rosto de Pagã. Huhuhuhu. -- Ela caminhava um pouco ao redor dele e parecia ter se lembrado de algo.-- Mas eles têm uma garota ao lado deles.
-- Que tipo de garota?-- indaga Nambá.
-- Muito parecida comigo, mas ela tem os cabelos...
-- ... Negros?
-- ... Avermelhados.
-- O quê?
-- Ela é muito parecida comigo, mas seus traços são mais de um japonês. Qual era o nome dela mesmo?-- Nambara tentava se lembrar, até que veio o nome de quem queria mencionar, após um grande esforço.-- Kasumi.
-- Pelo visto, ela é japonesa.-- disse Nambá.
-- Sim. Mas como pode ser parecida comigo? Isso que eu não entendo.
-- É normal encontrarmos pessoas parecidas com nós mesmos. Eu ainda espero encontrar meu irmão gêmeo perdido.-- disse Nambá, com uma entonação de voz irônica.
-- Idiota.-- Nambara ia para a sua oca.
-- Mas é verdade.-- Nambá a seguia.
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Enquanto isso, Pagã e Kasumi param na frente da entrada ao acesso à Tribo Mogi.
-- Você percebe que o lugar é seguro quando não tem guardas por aqui.-- disse Pagã. Quando ia entrar, se bate em uma "parede invisível".-- Mas o que é isso?
Kasumi toca e era uma espécie de bolha que protegia a tribo.
-- Eles são muito espertos.-- disse a ruiva.
Um Mogi via elas quererem entrar e decide ver o que elas querem.
-- No que posso ajudar?-- disse o índio, que aparentava ser da mesma idade de Kasumi.
-- Somos da Tribo Potira. Precisamos de ajuda.-- disse Pagã
-- No quê?
-- A Tribo Hitachi declarou guerra contra nós e eles estão muito fortes. Chegaram a extinguir a Tribo Totem.
O índio se surpreende.
-- Esses Hitachi. Nunca mudam. -- dizia.-- Muito bem, eu vou conversar com o cacique e já volto.
-- Tudo bem.-- disse Pagã.
Depois de dez minutos, o índio aparecia com o cacique ao lado.
-- Pagã Potira.-- dizia o chefe da tribo.
-- Miri Mogi.-- dizia a mentora.
O cacique desfaz a barreira e elas entram. Quando estavam acessando a tribo, ele voltou a fechar a barreira. Eles usavam roupas parecidas com as de um mago e suas ocas eram bem construídas, com pele de um animal desconhecido.
-- E então? No que posso ajudar vocês?-- indaga Miri.
-- Bem, vou lhe explicar.-- Pagã explicava toda a situação e Miri pedia para elas irem até à oca dele, junto com o índio que as relatou.
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Enquanto Miri e Pagã conversavam, Kasumi olhava para as árvores enquanto ventava. Tamanha força fazia seus cabelos se agitarem e chamarem atenção do índio, que a admirava encantado.
--"Parando para pensar, nunca entendi por que há uma japonesa no meio deles."-- pensa o índio.--"Independentemente do motivo, ela é muito bonita."
Por ficar olhando para ela, Kasumi acaba corando.
--"Por que ele está me olhando desse jeito?"-- pensava a ruiva para si.
-- Oi.-- dizia o índio.
Kasumi ficava mais vermelha.
-- Como se chama?-- o índio sentava do lado dela.
-- Kasumi. E você?
-- Jaguá.-- dizia Miri.-- Ele irá ajudar vocês na guerra. Ele é o meu melhor guerreiro e tenho certeza que se vocês o manterem na tribo, estarão com a sua segurança garantida. Nisso tenho certeza.
Pagã olhava admirada para o índio, cujo nome era Jaguá.
-- É verdade, tanto que fui eu quem fiz as barreiras que cercam a tribo. O chefe conseguiu desfazê-las porque eu ensinei a ele.-- disse Jaguá.
-- Que fofo.-- Pagã debocha.-- Desculpe, Miri. Bem, eu aceito. Tenho certeza que com esse garoto ao nosso lado, as coisas irão dar certo.
-- Isso eu garanto para vocês. Vá e mostre para esses Hitachi que mexeram com a tribo errada.-- Miri ria.
-- Muito bem, vamos saindo.
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Passado um tempo, Jaguá estava com a sua bolsa. Ele iria agora morar com os Potira.
--"Parece que não sou mais a única estranha da tribo".-- pensa Kasumi.--"Agora tem dois índios de tribos diferentes."
Eles caminhavam e chegavam na Tribo Potira, depois de meia hora.
-- Então este é o seu povo, Pagã.-- disse Jaguá, surpreso.
-- É sim. Espero que goste.-- responde a mentora, que ia com os dois até Tupi, que estava monitorando os Potira, zelando pela segurança deles.
-- Tupi.-- disse Pagã.-- Trouxe um reforço que vai ajudar muito. Jaguá Mogi.
O cacique parecia surpreso, como se já tivesse ouvido falar dele.
-- Mas ele é muito forte. Será de ótima ajuda. Ele ao lado de Kasumi e Jaciara. Será incrível.
Kasumi cora.
-- Fico lisonjeado, chefe Tupi.-- disse Jaguá.
-- Agora, a Tribo Hitachi vai se arrepender de ter mexido conosco.-- dizia Tupi.
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Mais tarde, estavam Kasumi, Jaciara, Guarana, Águia Pequena e Jaguá.
-- Muito bem, como somos os mais jovens da tribo, queria que todos nós fôssemos nos dar bem um com o outro e se possível, nos ajudarmos na guerra.-- disse Jaciara.
-- Ela tem razão. Poderíamos treinar todos os dias para que estejamos cada vez mais preparados.-- disse Guarana.
-- Sim, faremos isso.-- disse Kasumi.
-- Estou dentro.-- disse Águia Pequena.
-- Eu também.-- afirma Jaguá.
Naquele momento, estavam os três conversando e trocando ideias, além de treinarem mais tarde.
Uma semana para a guerra. Será que nosso quinteto de heróis conseguirá levar os Potira para a vitória?