Kasumi e Jaciara: O treinamento

1612 Palavras
Águia Pequena era levado para a Tribo Potira, a ponto de poder explicar um possível alerta que poderia ocorrer naquele momento. Enquanto caminhavam, o garoto da Tribo Totem não parava de olhar para Kasumi. Isso a incomodava, mas não dizia nada, apenas estava concentrada no caminho que levavam para a tribo. Entretanto, ela não resistiu. Estava ficando vermelha a cada segundo que se passava. Os três estariam querendo chegar no destino deles, mas iria demorar mais alguns minutos de caminhada e a ruiva ficaria constrangida com um olhar de um estranho para ela. Não resistindo, ela fala: -- Por que você está me olhando tanto?! -- Desculpe, é que eu realmente achei você bonita.-- disse o garoto. Kasumi cora. Ela pensava que era por causa de sua etnia que lhe havia chocado, como foram os outros anteriormente. -- Obrigada.-- disse a ruiva mais vermelha e também sem jeito. -- Nossa, você é bem educado, Águia Pequena.-- disse Jaciara. -- Obrigado. É que eu sempre fui o mais sincero do meu povo. Sempre elogiava as pessoas quando percebia algo de diferente nelas e a mesma coisa servia quando tinha que criticar. -- Está certo. Gostei de sua sinceridade.-- disse Jaciara. Depois de mais alguns minutos, eles chegaram na Tribo Potira. -- Vamos levá-lo até o meu pai, que é o cacique.-- disse Kasumi. -- O quê? Ele comanda a tribo?-- indaga Águia Pequena, surpreso. A ruiva assentiu com a cabeça e alguns índios olhavam para o garoto. Identificaram que ele era um Totem e alguns até lhe trataram bem. Os Potira, dentre as Quatro Tribos, sempre foram os mais acessíveis, enquanto os Mogi são os mais introvertidos, tanto que dificilmente era visto algum índio daquela tribo. Eles chegam na oca de Tupi. -- Pai, eu trouxe alguém que eu queria que o senhor viesse conversar.-- disse Kasumi. Tupi saía de sua oca e dizia: -- O quê? Mas quem quer conversar comigo?-- indaga o cacique. -- Bom dia, chefe.-- dizia Águia Pequena, humildemente.-- Sou da Tribo Totem e vim aqui lhe informar de uma tragédia terrível que aconteceu com o meu povo. -- O quê? O que houve?-- indaga Tupi, querendo saber e tentando entender o que estava acontecendo. -- Todos foram mortos pela Tribo Hitachi, menos eu. O cacique se surpreende. Sabia muito bem do quão r**m podia ser a Tribo Hitachi, a ponto de conseguirem extinguir um povo vizinho, que não tem nada a ver com a inimizade que tem com a Tribo Potira. -- Eu não entendo por que eles fizeram isso.-- disse Tupi. -- Segundo o que eles falaram, e pelo o que escutei, estavam querendo mostrar o poderio que têm. Aliás, não me apresentei. Me chamo Águia Pequena. -- Sim, muito prazer, garoto.-- disse Tupi.-- Que notícia terrível. Se eles são tão fortes, duvido que atacassem a Tribo Mogi. Aquela é a mais poderosa dentre as quatro. -- Sim, isso de fato, chefe.-- o garoto se sentia triste. -- Agora eu não tenho mais aonde ir. Não tenho família, amigos, nem um lugar para morar. Não sei o que será de mim agora. Kasumi sentiu um aperto no coração. Ela sabia muito bem o que Águia Pequena estava sentindo. Passara por uma situação parecida com a dele, onde teve que se afastar de seu clã por prática de um inimigo do próprio. Quase perdeu Tupi e também quase foi morta por essa mesma pessoa. Se sentia como Águia Pequena, que perdera sua tribo, sendo que Kare representaria a Tribo Hitachi e seus pais a Tribo Totem. Tupi dizia: -- Não se preocupe, Águia Pequena. Você será muito bem tratado em nosso clã. Iremos arrumar uma oca para você ou se quiser, pode ficar comigo e com minha filha. Kasumi cora. Ficou pensativa sobre um estranho morar com eles, sendo que estava mais acostumada com o seu pai e às vezes Jaciara. -- Obrigado, chefe, mas por favor, queria que me arrumassem uma oca, para não ter que viver às suas custas.-- dizia o garoto, empolgado. -- Não se preocupe. Vamos providenciar. Agora, por que não aproveita e acompanha as meninas para verem o treino delas? -- Claro, sem problemas. Kasumi estava com mais vergonha. De alguma forma, se sentia tímida com alguém de outra tribo ter de conviver com ela. -- Venha então, Águia Pequena. Saberá da força dos Potira.-- disse Jaciara.-- Kasumi e eu somos muito fortes, você vai ver. -- Ótimo. Quero conhecer o potencial de vocês.-- disse Águia Pequena. O trio saía para treinar. Tupi chamava Pagã. -- Preciso de um favor.-- disse o cacique.-- Queria que você acompanhasse discretamente os três que saíram agora. -- Está bem.-- disse Pagã. -- Depois eu explico. A mentora assentiu com a cabeça e assim saía para poder ficar de olho neles, de forma discreta. ---------------------------------------------- Chegando no campo aberto, onde costumam treinar, Jaciara dizia: -- O segredo de ficarmos mais fortes é que treinamos todo dia nesse campo aberto. Costumamos variar no horário, para que não chamemos atenção de um inimigo. -- Entendi.-- disse Águia Pequena. -- Guarana iria querer treinar conosco, mas acha que somos fracas e prefere treinar sozinho. Você ainda vai conhecê-lo. As meninas se preparavam para o treino. Queriam mostrar as habilidades delas. Kasumi começava lançando um raio de fogo em Jaciara, onde esta contra ataca com um raio de água. A índia ganha vantagem sobre sua amiga, que se esquiva do ataque. Ela decide lançar raios de energia espiritual em Jaciara, que criava um campo de força da mesma energia. Pagã se escondia para poder vigiá-los. -- Só isso, Kasumi?-- indaga Jaciara, desapontada. Do nada, a terra começa a tremer e parecia querer prender Kasumi em uma espécie de jaula de pedras. A ruiva muito esperta, pula bem alto e concentra um grande poder de fogo, destruindo a jaula de pedra. Ela lança esse mesmo poder em Jaciara, que se esquivava. --"Este último ataque de fogo me pareceu perigoso. Acho que nem eu conseguiria escapar dele."-- pensava a índia, que contra ataca com uma grande onda de vento. Kasumi era lançada no ar, mas levitava e voava na direção de sua amiga. -- Os poderes delas são incríveis e pelo visto bem variados.-- dizia Águia Pequena. Kasumi lança mais um raio poderoso de fogo. Jaciara contra ataca com um ataque de água, mas desta vez, a ruiva ganha vantagem e a índia se vê obrigada mais uma vez a se esquivar do ataque de sua amiga. -- "Mas como isso?"-- pensa Jaciara.--"Acho que se perceber, o poder de fogo de Kasumi cresceu tanto que consegue até mesmo superar meus ataques de água, de terra e de ar. Mas seria mesmo possível isso?" Kasumi libera um poder estranho. Uma aura roxa lhe cobria o corpo, deixando os olhos da mesma cor. -- Mas que técnica é aquela?-- indaga Águia Pequena. Jaciara sorri e fala: -- Parece que você vai apelar para essa técnica, não é? Ela é muito popular na nossa tribo, que permite que nossos poderes e energia espiritual fiquem ainda mais fortes e potentes. Esta técnica se chama Fúria Espiritual. -- Fúria Espiritual?-- repetia Águia Pequena. Kasumi parte para cima. Jaciara também usa essa mesma técnica e as duas começaram a trocar socos e chutes. Nesse quesito, de alguma forma a ruiva tinha vantagem. Atingira a india em várias partes de seu corpo e em seguida, chutou sua barriga, fazendo com que ela rolasse no chão. -- Agora eu vou mostrar uma técnica que domino muito bem.-- disse Kasumi, que ampliava os seus poderes. Pagã estava entretida na luta e impressionada que as duas evoluíram bastante seus poderes aparentemente. A ruiva concentra um pouco de água, de pedras, de ar e de fogo em suas mãos, formando uma esfera. -- Também usarei esta técnica.-- Jaciara fazia a mesma coisa. -- "Mas que técnica é essa?"-- pensava Águia Pequena. -- Conheça a... FÚRIA DA NATUREZA!-- A ruiva e a índia lançam ao mesmo tempo e a esfera vinha crescendo, até que acabaram se chocando e causando uma grande explosão. Era muito forte. Os quatro que se encontram ali presentes, tiveram que cobrir seus olhos, por conta do impacto do ataque. Quando se encerrou, ouviram uma voz dizendo: -- Era de se esperar dos Potira. Uma tribo realmente forte. Elas olhavam e tinha uma pessoa muito parecida com Kasumi, só que a pele mais branca, além de seus olhos, roupas, cabelos e etc. Pagã aparecia na frente dos três e dizia: -- Quem é você? A garota sorri e fala: -- Pagã Potira. Você deve ser a pessoa dona desse nome. A mentora dos Potira. Soube que treinou muitas pessoas, inclusive...-- olhava para Kasumi.-- Quem é essa menina? E por que ela se parece comigo? -- O quê?-- a ruiva se surpreende. -- Quem é você? Lhe fiz uma pergunta.-- disse Pagã. A garota sorri novamente e fala: -- Sou Nambara Hitachi, a mulher do cacique. Vim aqui porque soube que tem sempre duas índias da tribo Potira treinando, mas parece que há uma índia e uma talvez "irmã gêmea". -- Ela não é sua irmã gêmea e deixe-a em paz.-- disse Pagã. -- Que seja! Como você veio, deixe avisado ao Tupi que em breve iremos travar uma guerra com vocês. Os quatro se surpreendem e Nambara ia sumindo em vento gélido. -- Até lá, fiquem fortes, inclusive você, menina do cabelo de fogo. Menina do cabelo de fogo. Este era o apelido que muitos deram para ela por conta da coloração de seus cabelos. -- Parece que estamos encrencados.-- disse Jaciara. -- Realmente.-- disse Pagã. Nambara anuncia guerra contra os Potira para Pagã. E agora? Qual será o desenrolar da história?
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