Kasumi e Ina já estavam no Brasil, entretanto, a lider do Clã Mizuna não sabia onde ficava a Tribo Potira.
-- Kasumi, você sabe localizar mais ou menos a sua tribo?-- indaga Ina.
-- Sei sim. Eu posso usar os meus poderes.-- dizia a ruiva.
-- Sério?
-- Sim.
Nesse momento, Kasumi se concentrava para localizar a sua tribo. Depois de trinta segundos, conseguiu encontrá-la.
-- Vem comigo.-- dizia Kasumi.
Elas iam a pé até a tribo. Levou cerca de uma hora e Ina já estava cansada. Ela idealizou que as duas fossem pegar um táxi, mas Kasumi optou por caminhar, já que estava mais acostumada. Um pouco Ina aceitou seu desejo. Não queria urbanizar muito sua sobrinha e assim se fez, realizando aquilo que ela queria.
-- Chegamos.-- disse a ruiva.
Aquela era a entrada da tribo. Não tinha nada de especial, como uma placa de boas-vindas ou algo do tipo. Era direto contato com várias ocas que ali se situavam.
-- Uau, que bacana.-- disse Ina.
Elas começavam a caminhar pelas terras de onde se situavam os Potira e aos poucos eles prestavam atenção nela.
-- Veja, é a Kasumi!
-- Olhe! Kasumi!-- Diziam os índios.
Tupi estava conversando com Pagã, quando escutou falarem em água filha. Ambos decidem sair da oca e ver o que estava acontecendo. De fato era a ruiva e se questionavam quem era aquela mulher que estava com ela.
Como a tribo agora se dividiu por conta da Kasumi, em ser a favor ou contra, os que gostavam dela a abraçavam, o que muitas vezes lhe deixava vermelha. Ina recebeu cumprimentos de alguns índios e esta lhes fazia reverência.
-- Kasumi voltou. -- disse Jê para Pagã e Tupi.
-- Pois é. Vamos falar com ela.-- disse a mentora.
-- Veja quem está aqui. Aquela cabeça de fogo.-- disse Raoni em um canto. -- Por que não ficou lá no Japão? Ainda trouxe uma nativa de lá.
Tupi, Pagã e Jê foram falar com a ruiva, ignorando o que Raoni dissera.
-- Pai!-- Kasumi abraça o cacique e começava a chorar de emoção.-- Estou tão feliz que você esteja bem. Estava muito preocupada.
Tupi sorri e fala:
-- Devo ter imaginado. Também estava preocupado com você. Se chegaria em casa sã e salva ou iria se perder no caminho, já que não conhece o mundo direito. Mas você tem os seus motivos.-- Olha para Ina.-- Obrigado por cuidar dela.
Esta sorri e fazia carinho nos cabelos vermelhos gritantes de Kasumi.
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Um tempo depois, Tupi estava reunido com Kasumi e Ina.
O cacique dizia:
-- Estava à beira da morte naquele momento. Sentia meu corpo ficar cada vez mais fraco. Estava tendo dificuldades em respirar. Mas depois, por um milagre, eu senti que estava melhor do que antes. Sentia tudo o que uma pessoa doente poderia passar. Febre, suor, tontura, tudo. Mas por algum milagre, eu consegui superar aquilo. Pagã se surpreendeu. Ela vinha cuidando de mim. Jê ficou sabendo do ocorrido, mas ninguém sabe dizer o que poderia ter sido.
-- Foi Abanenga.-- disse Kasumi.-- Eu vi ele me dizer que você estava curado.
-- Se for, nós temos que agradecer pelo o que o nosso deus fez para mim.
-- Sim, tem razão.-- disse Ina.-- Incrível como vocês são religiosos.
-- Sim, nós somos.-- Tupi sorri.-- Aliás, Kasumi, você não vai ver sua amiga Jaciara? Estava com saudade de você.
A ruiva cora.
-- Sério?-- indaga.
Tupi assente que sim e dizia em seguida:
-- Pode ir falar com ela. Ficarei aqui fazendo companhia à sua tia Ina.
-- Está bem. Vou me encontrar com ela.-- Kasumi pedia licença e saía.
-- Ela é incrível, não é?-- indaga Ina.
-- É sim. -- responde o cacique.-- É uma menina forte. Teve que suportar o preconceito que sofria e ainda sofre na tribo e agora descobriu quem é ela.
-- Sim, é verdade. Ela deve ter sofrido muito aqui.
-- Sim. Pagã e eu praticamente fomos os pais dela. Sempre a defendendo e sabendo se ela estava bem, além de agradá-la da melhor forma possível. Nós não a víamos diferente dos outros e sim que ela era especial.
-- Realmente, ela é alguém especial. Consigo sentir isso nela. Passa uma sensação de segurança e zelo por nós. Como se fôssemos algo muito importante para ela.
-- Exatamente. Me orgulho muito de Kasumi. Que ela seja essa filha maravilhosa.
Ficavam os dois ali conversando tranquilos, até que Ina fala:
-- Bem, eu já vou indo. Preciso voltar a controlar o meu clã.
-- Já vai? Está cedo.-- disse Tupi.
-- Eu sei disso, mas eu preciso tomar conta do meu povo. Prometo visitá-los em breve. Mande lembranças à Kasumi.
-- Está bem. Até mais, Ina.-- dizia o cacique, que acenava para ela, enquanto esta saía.
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Enquanto isso, Kasumi caminhava pela tribo e via Raoni. Ela tinha nojo dele. O mais preconceituoso de todos foi justamente aquela pessoa, que era odiada por todos.
-- Então, Kasumi, caminhando por aí?-- indaga o índio.
-- Eu vou encontrar minha amiga, com licença?-- dizia a ruiva.
-- Você é bem m*l educada. Lhe fiz uma pergunta e é assim que me recebe?
-- Raoni, por que você não me deixa em paz?
-- Porque essa sua cara de boba me enoja. Você se sente bem aqui, mas não gosto de dividir o mesmo chão com você. Por isso faço da sua vida um inferno.
-- Por isso que o Tupi é o cacique e não você.-- Uma voz familiar para ambos respondia. Era Jaciara que chegava e ficava atrás de Kasumi.-- Você não muda nunca, não é, Raoni? Tem quase 60 anos, mas continua com essas brincadeiras de m*l gosto.
-- O assunto não envolve você, Jaciara. Saia daqui.
-- Não saio. E é melhor deixar a minha amiga em paz, senão Tupi vai se incomodar e muito.
Raoni olhava para as duas e dizia:
-- Ainda não terminei. Gravem bem essas palavras.-- saía.
-- Jaciara...-- Kasumi a chamava.
A india não se mexia. Apenas continuava a olhar Raoni sair. Depois, ela se vira para a sua amiga e a abraça.
-- Senti tanta sua falta.-- dizia entre lágrimas. -- Estava tão preocupada com você. Fico feliz que esteja bem, Kasumi.
-- Eu também.-- responde a ruiva, impressionada com a atitude de sua amiga.
-- Vamos caminhar um pouco? Naquele mato ali, que não fica muito longe da tribo.
-- Claro.
Nisso, elas se dirigiam para o seu destino. Ficaram meia hora caminhando e conversando. Falavam sobre seus últimos dias, Kasumi contava sobre a vida no Japão e o clã, enfim, iam conversando, quando de repente, encontram um corpo de um menino todo machucado.
-- Mas o que é isso?-- indaga Jaciara.
Kasumi decide examinar o corpo. Dizia:
-- Ele está vivo.
A india olhava para ele e dizia:
-- Ele está muito ferido.
-- Não tem problema. Eu o curo.-- a ruiva usava os seus poderes de cura e conseguia. Tratou dos ferimentos do menino e este acaba despertando numa grande velocidade.
-- Onde estou?!-- Grita o menino, que olhava para as garotas.-- Ei, quem são vocês?
-- Eu sou Jaciara Potira.
-- E eu sou Kasumi Potira.
-- Jaciara? Kasumi? Potira?-- o menino ficava pensativo.-- Entendi! Vocês são da Tribo Potira!
-- Sim, isso mesmo.-- disse Kasumi.-- Quem deixou você ferido daquele jeito?
O menino ficava quieto e ficava triste. Dizia:
-- Meu nome é Águia Pequena. Sou da Tribo Totem, que agora está extinta.
-- Extinta?-- Indaga Jaciara.-- Mas quem fez isso com a sua tribo?
-- A tribo inimiga de vocês: A Tribo Hitachi.
-- Não pode ser! -- dizia a índia impressionada.
-- Isso mesmo. De repente, o cacique deles decidiu derrubar três das quatro tribos que existem.
-- Sim, estou entendendo.-- disse Kasumi.-- Quer dizer que só existem agora três tribos: A nossa, a Tribo Potira, a Tribo Hitachi e a Tribo Mogi. Das quatro tribos que conseguiram evitar os portugueses e espanhóis, apenas três se mantêm de pé.
-- Exatamente.-- dizia Águia Pequena. -- Estava ajudando na guerra, porque depois que os Totem descobrem seus Animais Guardiões, eles começam a treinar suas habilidades a partir dos 10 anos e poder entrar em uma guerra. Agora que estou com 14, participei da minha primeira, mas foi horrível. A Tribo Hitachi está muito poderosa.
-- Entendo.-- disse Jaciara.-- Primeiro, vamos levá-lo ao Tupi. Acredito que ele saberá o que fazer. Você quer vim? Será muito bem recebido pela nossa tribo.
-- Sim, eu quero.-- disse Águia Pequena.
Nesse momento, os três estariam se dirigindo de volta para a Tribo Potira.
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Enquanto isso, em uma tribo, cujo povo era Hitachi, havia uma cabana no meio de várias ocas. Nela, estava o cacique dessa tribo, que conversava com alguns índios.
-- Quem diria que o nosso esforço valeria à pena.-- dizia o cacique.-- Conseguimos extinguir a Tribo Totem, que maluquice. Agora resta a Tribo Mogi e a Tribo Potira. Qual das duas vocês acham que é a mais forte?
Os índios não souberam dizer. O cacique dizia:
-- Então vocês não sabem? Bem, a Tribo Mogi é a mais poderosa. Então, temos que ir até à Tribo Potira e pegá-los de surpresa. Ainda mais porque Tupi está nela e ele vai me pagar caro pelo que fez.
-- Deixa desse estresse, meu amor.-- Aparecia uma índia, que era muito parecida com Kasumi, porém sua pele era mais clara, assim como as suas roupas, seu cabelo e seus olhos.
-- Nambara? Pensei que fosse colher flores.-- disse o cacique.
-- Nambá, claro que eu fui, mas não estamos em época certa para colhê-las.
-- Bem, tudo bem. Me dê sua opinião. Atacaremos agora a Tribo Potira, não é?
-- Sim, é claro. Ela é mais fraca do que a Mogi, então será ela.-- dizia Nambara.
-- Ótimo. Vamos atacar daqui a uma semana. Precisamos de tempo para recuperar os guerreiros e assim, nós dominaremos as três tribos!
Todos os índios gritavam de alegria, inclusive Nambara.
Parece que um novo inimigo irá surgir para Kasumi derrotá-lo. Qual será o desenrolar da história?