A decisão de Kasumi

1641 Palavras
Ina havia acordado. Estava tonta com o ocorrido e se lembrava do que aconteceu. Kare tentou matá-la, a jogando do alto do Monte Fuji. Não se lembrava de mais nada, a não ser de uma sombra de uma pessoa com cabelos longos que lhe pegara. Agora, se encontrava em casa. -- Acordou?-- Chegava Kasumi, carregando uma bandeja com uma refeição reforçada. -- Kasumi, meu bem. O que houve?-- indaga Ina, que se acomodava na cama. A mesma que os j*******s dormiam no período da Era Meiji. -- Se eu contar, não irá acreditar. Mas você deve ter sobrevivido por conta do deus da tribo Potira, Abanenga. -- Quem?-- indaga Ina, que comia um biscoito e bebia um gole de chá. -- Abanenga é o deus criador de nossa tribo. Segundo a Mitologia Potira, Abanenga foi quem criou tudo e todos que vivem aqui, mas acabou criando uma tribo poderosa, que teria a missão de proteger a natureza. Migramos para o Brasil e conseguimos escapar da escravidão que os portugueses e espanhóis queriam impôr aos povos indígenas. -- Mesmo? Eu já li uma vez sobre a história do Brasil. Os europeus queriam tomar mesmo o ouro de vocês. Até viraram colônia de Portugal.-- dizia Ina.-- Mas e depois? O que houve? -- Bem, nós conseguimos evitar ser escravo dos portugueses e dos espanhóis porque nos isolamos e também porque Abanenga nos protegeu. Ina ria. -- O que foi?-- indaga Kasumi, confusa. -- Minha filha, você não é brasileira. É japonesa. Você não tem nada a ver com eles. Claro, não que eu vá repreendê-los, mas você fala como se fosse uma nativa. Kasumi pareceu não ter gostado do que ouviu e parou para olhar a janela. Pensamentos invadiam sua mente. Será que ela devia mesmo viver no meio de um clã que tem o seu povo nativo, mas que nunca conviveu com eles ou deveria continuar em uma tribo que não tem relações genéticas, mas foi criada desde pequena por eles? -- Desculpe se eu ofendi você.-- disse Ina, que bebia mais um gole de chá. -- Tudo bem. Eu só estou confusa. -- Com o quê? -- Não sei se devo ficar aqui ou continuar vivendo entre eles. Ina olhava para sua sobrinha com uma expressão preocupada. Também não sabia o que dizer, até que chega o momento em que fala: -- Vou lhe perguntar uma coisa. Me responda com sinceridade. -- Sim.-- disse Kasumi, que voltava seus olhos para sua tia. -- Você se sente melhor aqui no Japão ou no Brasil? Kasumi não dizia nada. -- Nossa, você não consegue responder uma simples pergunta?-- indaga Ina. -- Eu estou confusa. Me sinto feliz em ter encontrado você e a vovó, mas ao mesmo tempo me sinto triste. -- Com o quê? -- Meus pais...-- a ruiva começava a chorar. Ina rapidamente ia abraçá-la, quando deixou sua refeição de lado. -- Está tudo bem, não chore. Você ganhou um amor paterno, só falta o materno.-- dizia a tia da ruiva.-- Olha, Kasumi, para ser sincera com você. Pode não ser minha filha, mas eu a vejo como tal. Kasumi olhava para sua tia corada e dizia: -- Mesmo? Por quê? Ina sorri e fala: -- Mesmo que você tenha melhorado muito as suas capacidades humanas, eu ainda vejo você como uma garota inocente, indefesa e também ingênua. Não que isso vá ser r**m para você, que tem uma personalidade forte quando se trata de proteger alguém que ama, mas você ainda tem muito o que aprender da vida. Se você se sente mais confortável em viver na sua tribo, faça isso. Vá para lá e aproveite com seu pai, que deve estar se recuperando, porque não é preciso um elixir bobo para curá-lo.-- Ela põe a mão no peito de sua sobrinha.-- Basta o seu amor por ele que o maior m*l de todo o mundo não será forte o suficiente para matá-lo, pois ele tem a proteção de seu amor. Mas, se você quer ficar conosco, que fique. Irei lhe mostrar tudo o que você não sabe de nós, mas também acho errado, pois irá preocupar sua tribo. Kasumi fazia uma bela reflexão do que sua tia queria dizer com aquilo tudo. Depois de alguns segundos pensando, ela assume a ideia de que já se decidiu. -- Eu vou voltar para a Tribo Potira.-- disse a ruiva, segura de si. -- Fico feliz em ouvir isso.-- Ina sorri. -- Mas antes, tia, eu queria lhe pedir uma coisa. -- Pode pedir o que quiser. -- Quero conhecer melhor meu povo, antes de ir. -- Tudo bem, mas antes, me responda uma coisa. -- O quê? -- Cadê a minha moto? Você a trouxe? A ruiva arregala os olhos. O veículo de Ina havia ficado no Monte Fuji. Kasumi havia levado Ina na cacunda a pé. Estava acostumada a caminhar quilômetros, já que não sabia pilotar uma moto. -- Tudo bem, querida. Você não sabe mesmo pilotar uma moto. Depois eu posso ir lá e pegá-la.-- disse Ina. -- Desculpe, tia. A atual líder do clã a beija no rosto e parecia bem disposta em levar Kasumi para conhecer o clã. Esta a acompanhava, depois que Ina sinalizava com o dedo para ir até ela. ---------------------------------------------- Enquanto isso, na Tribo Potira, Jê estava meditando. Estava perto de amanhecer, mas ele sempre gostava de meditar à essa hora. -- Pajé Jê, eu tive um m*l pressentimento.-- disse Pagã, que invadia a oca do ancião. -- Menina, estou meditando. O que aconteceu que chegou ao ponto de me molestar? -- É a Kasumi. Eu acho que aconteceu alguma coisa com ela. Jê olhava sério para ela e dizia: -- Kasumi está bem. Eu consigo perfeitamente sentir a energia dela. Está ainda no Japão, mas eu posso senti-la, já que me concentro para averiguar aquele país. -- Mas e esse m*l pressentimento?-- indaga Pagã, confusa. -- Não sei, deve estar caducando, você já está na casa dos 60.-- dizia Jê. Pagã não gostou do que ouviu, mas não queria discutir com o ancião, senão iria acordar a todos. Ela decide sair. ------------------------------------------------ No Japão, Ina apresentava as maravilhas do Clã Mizuna. Mesmo que este esteja abaixo das profundezas, não deixava de possuir uma beleza quanto à população e à estrutura conservadora. A ruiva conheceu as pessoas, que ficaram loucas, quando descobriram que ela é a filha de Kinari Mizuna, os comerciantes, a vizinhança e as belas flores de cerejeira, que eram abundantes no clã. -- Está gostando?-- indaga Ina. Kasumi assente que sim e continuava a explorar o clã. Depois de mais algumas horas, as duas moças voltavam para casa. -- Kasumi, preparei tudo para a sua viagem. Uma mochila com frutas, legumes e todo o tipo de carne, temos água, suco, chá, algumas roupas que lhe sirvam e também, o mais importante, que eu acho que você vai se emocionar.-- dizia Ai, que colocava uma mochila nas costas da ruiva. Ela entregava para a jovem uma foto de seus pais. Kinari e Makaro estavam sentados em suas almofadas sorrindo para a câmera. Kasumi começou a chorar. Ela abraça a foto com todo o seu coração e murmurava "pai... Mãe...", o que também comoveu Ai e Ina. -- Esta foto... Achei ela ainda quando arrumava suas coisas...-- disse Ina, entre lágrimas.-- É a única lembrança que temos deles e como você chegou aqui e sente mais falta deles do que nós, pode levá-la. Kasumi as abraça. A jovem chorava muito. Sentia falta de seus pais, depois que fora revelada sua verdadeira identidade. Depois de alguns momentos em lágrimas, Ina indaga: -- Você já viajou de avião? -- Avião? -- Pelo visto, Kasumi nem sabe o que é. -- Bem, você tem medo de altura? -- Não. -- Então vai adorar andar de avião. Eu vou com você para a tribo. -- Sério?-- Kasumi corava. -- Sim, eu vou levar minha sobrinha para casa.-- Ina a beija no rosto novamente e anuncia que ia se arrumar. ----------------------------------------------- Um tempo se passou e estavam as duas no aeroporto. -- Os Mizuna são interligados com o mundo moderno. Mas manter a tradição é o nosso lema.-- disse Ina.-- Quando um Mizuna precisa se misturar no mundo moderno, ele precisa se vestir para tal, para que não possa ser a "ovelha n***a" do bando.-- Ela olha para a sua sobrinha.-- Mas que coisa, você gosta de andar descalça? Kasumi assente que sim. -- Não gosto muito de usar calçado.-- dizia. -- Percebi. Ambas embarcam no avião. Kasumi se senta na janela, enquanto Ina fica do lado dela. -- Vamos curtir umas doze horas de viagem.-- disse a líder do clã. -- Eu demorei mais tempo para nadar até aqui.-- disse Kasumi. -- Não entendo como conseguiu fazer isso. Kasumi nada dizia. Esta mantinha suas roupas tradicionais, não queria mudar de jeito nenhum. Ina usava uma camiseta de manga curta cor vermelha, um colete, calça jeans e tênis para caminhada. O voo cumpriu o seu papel. Levou doze horas. A princípio Kasumi não estava se sentindo muito bem acostumada, mas depois deu para se adaptar à vida urbana que enfrentava. ---------------------------------------------- Chegando no Brasil, o avião aterrissou. -- Deixe que eles desçam primeiro, senão dará confusão.-- disse Ina. Havia no avião alguns brasileiros, assim como também havia alguns j*******s. Fora estes, também tinham africanos, coreanos, gente da europa, etc. -- Podemos descer agora.-- disse Ina. Kasumi estava impressionada. Nunca viu tantas etnias diferentes em um só lugar. -- Então este é o Brasil?-- indaga a ruiva, quando descia do avião. -- Então este é o Brasil.-- complementava Ina. De fato, Kasumi nunca sairá do "casulo", assim como a maioria da tribo Potira. Nossas garotas já se encontravam no Brasil. Falta chegarem na Tribo Potira. Qual será a reação do povo quando reverem nossa querida, simpática e bela ruiva?
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