House

1679 Palavras
Franzo a testa para o castelo a minha frente assim que estamos em terra firme. Há pessoas por todos os lugares, todas vestidas com o mesmo uniforme e interagem bem entre si, não parecem problemáticos muito menos delinquentes. Onde diabos eu estou? – Onde exatamente nos estamos? – Pergunto observando ao redor. – Na escola. – Bom, não foi assim que eu imaginei a escola. Não achei que seria tao… – Digo tentando encontrar uma palavra que descreva. – Agradável? – Ela completa me observando e eu assinto. O lugar é muito verde e há plantas e flores por todos os lugares, as pessoas sorriem e eu não vi ninguém tentando agredir ninguém até agora. O castelo parece velho e antigo como se existisse a milhares de anos, mas parece bem firme para mim. – Bom, sim. E acho que estou no lugar errado, minha mãe disse que era um lugar para adolescentes problemáticos. – Digo me virando para ela. – Querida, não há nada de problemático em você e você vai entender em breve. Me siga. – Sem ter por onde voltar e sem conhecer ninguém além dela, sigo-a de perto até dentro castelo. Diferentemente de fora, ele está muito bem cuidado e a decoração é moderna, observo tudo com atenção e há ainda mais pessoas nos corredores. Elas me olham com curiosidade e cochicham umas com as outras. Ótimo, nem ao menos cheguei e já estão comentando sobre mim. Subimos um enorme lance de escadas que parece levar a uma das torres e entramos na última sala do corredor. Lá dentro, a decoração segue o padrão do lado de fora e há uma ave empoleirada no canto da sala. – Sente-se. – Cornelina aponta para uma poltrona marrom em frente a sua mesa e eu me sento olhando tudo com curiosidade. Há uma enorme estante de livros atrás de sua mesa e eu tento enxergar os títulos, mas são pequenos e parecem estranhos para mim, posso jurar que li o título de um livro que se chamava Pragas e Feitiços. – Vou tentar falar de uma forma que você entenda, está bem? – Ok. – Você não é humana. – Repasso as suas palavras na minha mente e arqueio a sobrancelha. – Então o que sou? – Arqueio a sobrancelha. – Você é uma maga. – Arqueio ainda mais a sobrancelha em descrença. – De novo esse papo de magia? – Digo revirando os meus olhos. – Você ainda não acredita, não é? – Como eu poderia? – Como acha que colocou fogo nos cabelos daquela garota? – Nesse momento fico em silêncio e ela interpreta isso como um sinal para seguir em frente. – Em nosso mundo, cada um nasce com um dom para fazer determinadas coisas, melhor dizendo, dominam um elemento e conseguem domina-lo. 50% dos alunos da minha escola chegaram aqui exatamente igual a você, descrentes. Aqui você vai descobrir qual o seu dom, vai desenvolvê-lo e vai descobrir muitas outras coisas, se você permitir, é claro. – Se isso tudo é verdade, que dom você domina? – Pergunto entre a descrença e a curiosidade. – O fogo. Mas sou capaz de fazer mais algumas coisinhas que obtive por herança de família. – Diz calmamente e para demonstrar, abre a sua palma e de lá vejo brotar uma pequena chama. Arregalo os meus olhos e aperto os braços da poltrona. Será mesmo? Isso explica tudo, todas as coisas estranhas que fiz acontecer ao longo da minha vida. – Acredita agora? – Como posso não crer no que está na minha frente? É muito para assimilar. Parece que estou em um sonho fantástico onde há sereias e fadas, mas é claro que elas não exis… – Digo revirando os olhos e olho para Cornelina, que não parece achar graça. – Existem? – Pergunto em choque. – Não só existe como estudam aqui, não sereias, claro. Elas preferem ficar em seu lugar natural que é o fundo do mar, mas as vezes podemos vê-las quando vem para a superfície. – Todas as lendas são reais. – Digo em choque em afirmação e ela assente fechando os olhos. – Vejo que está muito sobrecarregada então vou lhe dar um tempo para assimilar tudo. Suas malas já estão em seu quarto então descanse um pouco e não pense demais. Este é o seu horário de aulas, vou chamar alguém para acompanhá-la até o seu quarto, nossos quartos são divididos em três e espero que se de bem com as suas colegas. Nada pude fazer além de assentir. Enquanto espero a pessoa que vai me mostrar o caminho até o meu quarto, pego-me pensando como minha vida mudou de cabeça para baixo em menos de dez minutos. De repente, tudo que eu jurava que não existia e era apenas fantasia existe e, pior, eu faço parte disso. Olho para as minhas mãos e tento fazer alguma coisa, qualquer coisa, mas nada acontece e eu fico frustrada. – Vamos lá, vamos lá. – Digo baixinho para mim mesma e tento mentalizar. Quando Cornelina fez parece tao fácil. Por que não consigo fazer? Devo presumir que o meu poder é o fogo já que fiz o cabelo de Beca pegar fogo. – Não é assim que funciona. – Uma voz doce e calma diz e eu levanto a cabeça. Uma garota de lindos cabelos brancos está de pé ao meu lado no corredor e eu me levanto do banco onde estou sentada. – Bom, não custa tentar. – Digo dando de ombros e ela sorri. – Está aqui para me levar ao dormitório? – Sim, siga-me por favor. Sou Candy Icy e sou sua colega de quarto. – Ela estende a mão para mim e eu aperto de leve. Gelada. Descemos as escadas e entramos no corredor. – Está vazio. – Digo observando o corredor anteriormente lotado agora tao silencioso. – Sim, estamos no horário de aula e temos um supervisor bastante chato que vai te colocar em detenção se te ver fora da sala em horário de aula. – Poxa, que saco. A diretora me disse que temos três no quarto, quem é a outra? Ela não é nenhuma chata, não é? – Pergunto temendo a sua resposta e ela sorri. – Na verdade, em nosso quarto só há nós duas. A aluna que ocupava a outra cama acabou por sair da escola. – Bom, desculpe perguntar e você não precisa responder se não se sentir confortável, mas qual é o seu poder? Quer dizer, o que você consegue fazer? Você voa, ou faz fogo, algo assim? – Pergunto depois de me segurar muito. Sou curiosa por natureza. – Eu não tenho um dom. Eu sou um Werecoyote. – Como um lobisomem? – Pergunto de olhos arregalados seguindo-a de perto. – Tecnicamente sim, somos do mesmo gene. – Eu estou de frente para um ser que eu jurava ser lenda há alguns minutos. É simplesmente surreal. – Digo animada e passo a sua frente. – Pelo visto você tem muito a aprender. Não se preocupe, daqui a uma semana você estará acostumada com tudo isso, é apenas uma questão de tempo. – Sim, eu sinto que a minha vida está virada de cabeça para baixo. – Digo andando de costas e me perco em pensamentos. Subitamente, bato em algo duro, ou melhor, alguém e me desequilibro e antes que eu caia, seguro com todas minhas forças no braço da pessoa puxando-a comigo para o chão. – Mas que diabos? Saia de cima de mim. – Uma voz forte sai de baixo de mim e eu abro os meus olhos encarando os olhos mais escuros que já vi em toda a minha vida. – Saia. – Diz duro e eu acordo do meu transe me levantando como posso, dou algumas batidas nas minhas roupas a fim de tirar algum ** ou amassado. – Você! Não fique mais no meu caminho ou vai se arrepender. – O homem absurdamente lindo diz baixo mas de forma que eu consigo ouvir perfeitamente. Quem ele pensa que é? Meu sangue começa a esquentar e Candy me olha com olhos suplicantes como se dissesse “Fique na sua, não retruque” mas é tarde demais para mim. Estou muito p**a para deixar para lá. Ele fala o que quer e se vira prestes a seguir seu caminho e eu bato o pé com força para chamar a sua atenção. – Hey, qual o seu problema? Acha que bati em você por que quis? Eu estava prestes a pedir desculpas, mas você não merece com essa sua atitude. Ele se vira lentamente para mim e arqueia a sobrancelha. – Quer morrer? – Pergunta com um sorriso descrente. – Por acaso sabe quem eu sou? – Não e nem quero. Você é muito arrogante e eu não sou amiga de pessoas arrogantes. – Resmungo e seu sorriso morre. – Você deve ser nova então vou te dar um conselho gratuito, não confronte alguém que não conhece, você pode perder. Ah, você nem ao menos me conhece então é melhor não me julgar sem me conhecer. – É tudo que ele diz antes de seguir seu caminho e eu fico sem ter o que lhe responder. Droga! Me viro para Candy e a encontro se abanando. – Por favor, siga o conselho dele. Você quase se matou e me matou por associação ao se meter com ele. – Mas eu não fiz nada demais. – Você o que confrontou e isso ninguém faz. Ele é simplesmente muito intenso e vai te esmagar sem piedade se ficar no caminho dele. Todos os magos têm um dom, é claro, mas em alguns casos raros há pessoas que tem mais de um e ele é uma dessas pessoas, o que o faz ser temido por todos. Fique fora do seu caminho daqui para frente, sim? – E quem é ele? – Matthaus Adkins, seu sonho e também seu pior pesadelo na mesma pessoa. Nota da autora: aconteceram algumas coisas e precisei retirar os capítulos, mas não se preocupem, vai ser repostado novamente.
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