Capítulo Cinco — Max

1503 Palavras
— Max? Estou falando com você, hoje está distraído, precisamos ficar no orçamento para o desfile de Miami, como o banco negou o empréstimo, então vamos ter que nos virar com o que ainda temos em caixa, acredito que o Roberto, já tenha passado isso para você. O Roberto é um dos nossos contadores, na verdade, eles já vem me passando a situação a dias, não acredito que com o pouco dinheiro que temos, consiga uma estrutura boa para o desfile de lá, porque fora a organização ainda temos a estadia das modelos, acredito que no mínimo temos que levar três, isso diminuindo bastante por causa do orçamento. — Desculpas! É que estava distraído, pensando numa mulher que conheci ontem a noite, mas respondendo a sua pergunta, estamos com pouco dinheiro em caixa, para a estrutura dos antigos desfiles, falta muito Dário, você sabe que não arcamos só com a organização, mas com o hotel das modelos também, pensei em sugerir para a minha mãe, só levarmos três, estourando, porém não temos condições de levar um grupo com 5 ou 6 modelos como fazemos sempre. Droga! O ideal seria arranjar uma solução antes deste bendito evento, mas como? Porque, para isso, teríamos que vender, pelo menos, uma pequena porcentagem das ações. — Eu vi que você se interessou pela garota, que estava nos recepcionando na entrada, deu para perceber que ela é bem querida entre as freiras, porque não desgrudaram dela um só segundo, não sei como consegui conversar com ela. Na verdade, passei a noite esperando a oportunidade e quando a tive, não a desperdicei, simples assim. — Confesso a você que não prestei atenção em nada do que tava acontecendo no desfile, somente fiquei esperando a oportunidade de poder falar com ela, para matar a sua curiosidade, ela cresceu no orfanato, por isso a madre e as outras irmãs, não desgrudaram dela um segundo de quer. A Maitê é diferente, não se jogou nos meus braços, como a maioria das mulheres costumo fazer, ouso dizer que me tratou com indiferença, até com desconfiança. — Mesmo de longe percebi que vocês não passaram de uma boa conversa, achei estranho, porque conhecendo a sua fama de pegador como conheço. Com ela não será assim, a Maitê já me mostrou que não é uma mulher de se entregar fácil, além disso foi criada rodeada por freiras, não acredito que vá sair por aí com qualquer homem. — A Maitê é diferente, Dário, ela não é qualquer mulher, para início de conversa se quer me deu confiança, cheguei a perguntar onde morava, mas a mesma me respondeu com confiança que não saia falando o seu endereço para desconhecidos e que o fato de saber o meu nome, não significava que eu fosse uma boa pessoa. Confesso que adorei a sua resposta do jeito que o mundo está, realmente não dá para confiar de primeira em qualquer pessoa, isso só reforçou o fato de que ela não é qualquer mulher. — Uau! Vai me dizer que isso não feriu o seu ego? Porque para quem está acostumado com as mulheres caindo aos seus pés, levar um fora assim logo de cara, deve ter doido. Jogo o lápis que estou segurando em sua direção, por sorte ele desvia, hoje o seu humor está passando dos limites. — Muito engraçadinho, não fiquei com o ego ferido, porque só pelo seu olhar percebi a diferença das mulheres às quais estou acostumado, mulheres fúteis que já chegam de jogando em cima de mim, pode não parecer, mas tem hora que isso sufoca, porque no fundo elas não estão interessadas no verdadeiro Max e sim no sobrenome que carrego. Um dia quero me apaixonar por alguém que ame até mesmo os meus defeitos, não que me veja como um caixa eletrônico ambulante, porque se o verdadeiro amor existe, quero um exatamente assim. — Infelizmente existem muitas pessoas interesseiras, meu amigo, não sou todas, porém uma grande porcentagem é assim e você precisa ficar de olhos bem abertos, porque a empresa pode estar em mãos lençóis, mas a sua família continua tendo uma estabilidade financeira que enche os olhos de qualquer golpista de plantão. Como a Graziela que me traiu e ainda teve a cara de p*u de dizer que isso nunca tinha acontecido, ela acha mesmo que sou burro, mas isso não vêm ao caso, quero que ela fique no passado que é o seu lugar e se depender de mim, nunca será desenterrada de lá. — Nisso você tem razão, Dário, agora se me der licença vou conversar mais uma vez com a minha mãe, sobre a situação da empresa, não podemos mover um dedo sem a autorização dela. O meu pai já disponibilizou as suas ações para serem vendidas, na verdade, ele nunca se importou com o mundo da moda, investiu na empresa somente para ver a felicidade da minha mãe, o seu negócio sempre foi atuar, lhe entendo porque se dependesse de mim, também não estaria completamente enfurnado aqui dentro, amo a natação me dedicaria por mais tempo, sem contar que talvez investisse na carreira de ator, mas se a minha mãe sonha que estou pensando nisso, ela corta as minhas asas em dois segundos, amo aquela mulher como se fosse a minha verdadeira mãe, nunca fez distinção entre mim e a Bruna, por eu não ser seu filho legítimo. Desde do início me deu todo carinho e amor que uma criança poderia ter, até hoje sempre está demonstrando o quanto nos ama, uma pena que a Bruna seja tão revoltada com a vida e não saiba aproveitar a mãe maravilhosa que ela é. — Você quer continuar falando sobre o assunto do empréstimo não é? Mas sinceramente não sei o que fazer filho, minha única esperança era que o banco liberasse este crédito, para que assim pudéssemos investir em tudo que está faltando. Também estava botando todas as minhas esperanças neste capital, porém já que não temos, precisamos buscar soluções alternativas, uma delas é a vendas das ações, que não minha opinião deveria ser avaliada por último, só se realmente não conseguirmos o dinheiro. — Sim! Também fiquei frustado, quando o gerente do banco negou, porém agora precisamos procurar outros meios, um dos meios seria a venda das ações, inclusive o meu pai cedeu a deles, para que a gente não precise mexer nas nossas e continue com a maior porcentagem em nossas mãos. Exponho que não concordo com essa solução, pois nossa empresa sempre foi dominada, vamos dizer assim pela nossa família, vai ser muito triste, ter que colocar alguém que não conhecemos aqui dentro, sem contar que podemos lidar com qualquer pessoa, afinal vai investir quem tiver o valor que estamos pedindo. — Max, não concordo com essa solução, porque não gostaria de ter alguém estranho trabalhando consoco, agradeço ao meu marido por ter cedido as ações é um gesto muito nobre da sua parte, porém como você falou, quero que essa seja a última opção a ser avaliada, estou tendo algumas ideias e quero a sua ajuda para amadurecer. Se for a ideia das roupas com preços mais acessíveis, por enquanto ela não vai contar comigo, até porque para isso vamos precisar fazer um novo investimento, tudo que o nosso caixa não aguenta no momento. — Se for sobre as roupas de baixo custo, infelizmente não vou poder lhe apoiar mãe, precisamos de dinheiro e para isso teríamos que gastar mais dinheiro, neste momento temos que trabalhar com que ainda temos na empresa, para ver se conseguimos sair dessa. Ela me diz que pensou em patrocinadores, isso é comum no mundo da moda, apesar de ser algo completamente novo para a nossa empresa. — Não, sei perfeitamente que esse não é o momento, pensei em procurarmos por patrocinadores, isso não seria algo novo para o mundo da moda, a maioria das empresas fazendo isso hoje em dia, claro, que você sabe que eles sempre exigem algo em troca, seja a propaganda deles no meio do desfile ou qualquer outra coisa, o fato é que conseguiríamos fôlego para ir em busca de mais soluções e por outro lado não vamos ter que parar as nossas atividades e nem demitir ninguém. Assim como a minha mãe, não concordo em demitir os funcionários, acho que a solução não é por esse caminho e também não quero ter que chegar a fazer isso, cada pessoa aqui tem o seu valor, não podem ser descartada assim, sem mais nem menos. — Pode contar comigo, inclusive se me permitir vou sair agora mesmo em busca deles, tenho alguns em mentes, acredito que estes não vão se negar a nos patrocinar. Só espero que dê certo, porque se mais essa porta se fechar, infelizmente vamos recorrer as ações para não fechar as nossas portas, volto para minha sala, vou chamar o Dário para ir comigo, duas pessoas tem o poder maior de persuasão. — Vamos! Você vai comigo em busca de investidores para nossa empresa, não podemos ficar de braços cruzados.
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