Estou louca para chegar em casa, quero conversar com as meninas e dizer que conheci o Max.
— Naty, Lena? Tem alguém em casa? A primeira a aparecer é a Naty e me avisa que a Helena não está em casa.
— A Helena não está, ela foi procurar trabalho, agora você me conta, como foi lá no desfile? Por favor me diga que todos os vestidos foram vendidos, porque só então as freiras vão conseguir fazer aquela reforma que você nos falou.
Graças a Deus o desfile foi um sucesso e elas já estão com todo o dinheiro que foi arrecadado em mãos.
— Sim! Não sobrou um para contar história, também todos os modelos apresentados eram lindos, deveria ter ido comigo, Naty, tenho certeza que teria adorado, mas mudando de assunto, eu conheci um homem da equipe da dona Alessandra Torres, quer dizer digo que é da equipe dela, porque chegou justamente com todos.
Na verdade, eu deduzi isso, mas na nossa curta conversa, o Maximiliano também não desmentiu o fato de que trabalhava para a grande e poderosa Alessandra.
— Como assim, Maitê? Quero saber tudo, aí não vão me dizer que se apaixonou por ele igual nos filmes de romance, assim que o olhar de vocês se cruzaram.
Não posso negar que ele mexeu comigo, porém não posso sair por aí falando que me apaixonem, até porque m*l nos conhecemos, trocar meia dúzias de palavras não significa conhecer ninguém, porque só sei o seu nome e que trabalha na empresa de moda, mas e o restante, não sei praticamente nada sobre ele.
— Claro que não, ele tem os olhos lindos, um sorriso que me encantou, porém não posso dizer que estou apaixonada, para isso acontecer duas pessoas tem que se conhecer e não apenas trocar alguns olhares e jogar conversa fora.
Ela acaba me confidenciando que nunca se apaixonou por ninguém, muito menos deu um beijo na boca, isso não me surpreende, porque como fui criada em um orfanato e por freiras, também nunca tive experiência nenhuma, mas elas sempre me orientaram que não se deixasse levar pelas palavras bonitas, porque os homens sabiam iludir qualquer mulher, por mais decidida que ela fosse.
— Você vai rir de mim, porém nunca beijei ninguém, muito menos, é você sabe, como fui criada numa casa com oito irmãos homens, então paqueras, beijos e qualquer outra coisa, era algo proibido dentro daquela casa.
Nossa! Imagino o quanto deve ter sido difícil crescer rodeadas por homens, mas a Naty deve agradecer porque sempre teve uma família ao seu lado e que nunca foi abandona por eles.
— Não deve ter sido fácil, mas agradeça por ter uma família, sempre que precisou eles estavam ali para te ajudar, eu nunca tive uma família Naty, quer dizer considero todos do orfanato como uma, só que ninguém substitui o amor de uma mãe ou de um pai e saber que fui abandonada me dói muito, porque isso significa que não fui um bebê desejado ou esperado como em muitas famílias.
A Naty me abraça, afirmando que um dia, com certeza vou encontrar os meus pais e eles mesmo vão poder esclarecer o que de fato aconteceu para que eu fosse abandonada.
— Nada de tristeza, Maitê, tenho certeza que um dia você vai encontrar os seus pais, eles vão te contar exatamente como tudo aconteceu, porque não acredito que existam pessoas tão ruins a ponto de abandonar um ser indefeso no meio da rua, sem se quer olhar para trás.
Às vezes coloco essa ilusão na minha cabeça, é menos doloroso, pensar dessa maneira, mas se não vou assim, se realmente a intenção era se livrar de mim? Não vou criar espectativas, pois a verdade, pode ser muito mais dolorosa do que imagino.
— Você tem razão, melhor você me conta como anda a sua faculdade, pois já percebi que é super esforçada, com certeza deve está adiantada com os estudos.
Fico encantada como a Naty se dedica a faculdade, olha que não deve ter sido uma decisão fácil, afinal ela teve que deixar a sua família no interior.
— Sim, já estou no sexto período, daqui a pouco vou está entrando na reta final, não sabe como me sinto aliviada, vou finalmente poder matar a saudades da minha família, como comentei com vocês desde que me mudei para fazer a minha faculdade que não os vejo, só falo por telefone, não recebo muito no meu trabalho, o pouco que ganho tenho que dividir para todas as despesas, além de mandar para os ajudar.
Realmente não sobra muita coisa, depois que separa para todas as obrigações, falando nisso, ela acabou de me lembrar que preciso de um emprego, até porque não posso ficar esperando uma oportunidade cair do céu para ser modelo, daqui a pouco o fim do mês chega e não vai ser justo deixar as despesas todas por conta das meninas, o combinado foi todas dividir tudo no final, por isso não posso permitir isso.
— A conversa está ótima Naty, mas vou até a banca comprar um jornal, preciso ver os enunciados para ir manhã procurar trabalho, porque até onde vi, a única empregada aqui é você.
Amanhã bem cedinho vou começar minha luta por emprego, tenho certeza que alguma coisa eu vou conseguir, espero que a Lena quando chegar tenha boas notícias, que ela tenha tido mais sorte do que eu, quer dizer nem se quer comecei a procurar ainda.
— Olha Maitê, você viu que o desfile saiu até nos jornais? A rapidez que tudo acontece quando se tem dinheiro é de admirar.
— Ah! Ainda não saíram as fotos que tiraram lá, este é só o anúncio que iria acontecer hoje, você tem que ver Naty, quando sair você vai ver cada um mais lindo do que o outro.
Círculos os anúncios que mais me chamaram atenção, assim vou somente nos lugares que já sei.
— Quer que eu te ajude a procurar, assim fica mais fácil.
Dividimos o jornal, não é que a Naty tinha razão, conseguimos circular as vagas que me interessavam muito mas rápido.
— Obrigada pela ajuda, será que a Lena já está perto de vir? Pensei em fazer alguma coisa para o jantar, lógico que vai ser algo super incrementado porque vamos usar o que tem na geladeira.
Confesso que ainda não fiz nenhuma compra, o que temos foi o que dá para comprar, quando juntamos o que cada uma poderia dá.
— O que acha de fazermos uma sopa, Maitê, temos todos os ingredientes, acredito que a Lena deve tá chegando, também qualquer coisa ela esquenta, deve estar exausta de tanto andar procurando trabalho.
Mas ela é cabeleira, com certeza arranjou pelo menos um temporário, qual o salão que não precisa de ajudava hoje em dia.
— Cheguei, meninas, o que vamos ter para o jantar, ah! Tenho ótimas notícias, conseguir um emprego, ainda não é fixo, porém se a dona gostar do meu trabalho, com certeza vou ficar.
Todas nos abraçamos, porque a conquista de uma é a felicidade da outra, não poderia ter encontrado pessoas melhores para dividir a casa.
— Que alegria, Lena, me diz é num salão?
Ela conta toda empolgada que é num salão super fino e que somente pessoas da alta sociedade frequentam lá, só espero que no final lhe contratarem e que não fiquem apenas perdendo o seu tempo.
— Sim! Vocês tem que ver, nunca entrei em um lugar tão chique como aquele, sem contar que tudo lá é caríssimo, só quem realmente tem condições, os atendimentos são todos agendados, ninguém é atendido se não for assim, a dona é uma pessoa super exigente e você Maitê? Conseguiu procurar alguma coisa?
Lhe respondo que vou começar minhas buscas amanhã, porque hoje meu dia foi dedicado somente para ajudar as freiras em tudo que precisavam.
— Amanhã vou ir em todos os lugares que circulei no jornal, tenho fé que ao menos em um, eles vão querer que fique, hoje não conseguir porque ajudei a freira no evento que teve, acredito que você viu nos jornais, a casa de moda Alessandra Torres, fez um desfile beneficente para as ajudar.
Das três a Lena é sempre a mais informada, principalmente quando o assunto é moda, ela sabe de tudo um pouco.
— Claro que vi e estou louca para que saia as novas fotos, imagino cada modelo lindo deve ter sido apresentado, você sabia que eles são conhecidos pelos modelos exclusivos? Só existem um de cada vestido que eles lançam, por isso fazem tanto sucesso, ah! No início somente a dona desenhava, hoje em dia que a casa conta com outro estilista, mas antigamente todos os desenhos eram feitos por ela.
Nossa! Uma curiosidade a qual nao sabia, para mim todos os desenhos eram feitos pelo Marcelo, atual estilista da casa.
— Amanhã é um novo dia, por isso vou me deitar mas cedo, porque tenho inúmeros lugares para ir atrás de emprego, me desejem sorte.