Capítulo Sete — Max

1500 Palavras
Estava certo em escolher o Dário como meu companheiro nessa missão, sabia que ele junto comigo iria conseguir convencer as pessoas a investir, já conseguimos dois patrocinadores para o próximo desfile e se os outros dois que também pretendo visitar ainda hoje aceitar o convite, praticamente não vamos gastar nada com o desfile em Miami, o que vai salvar o nosso orçamento. — Você tinha razão, Max, essa alternativa que sua mãe deu, está saindo melhor do que a encomenda, em menos de duas horas, já conseguimos três pessoas e o melhor, não ficaram só em palavras, já estamos com os valores na conta da empresa. Com a modernidade do Pix, raramente alguém hoje em dia passa cheque, isso é uma praticidade e tanto, principalmente para empresas, agiliza inúmeros pagamentos, além de ganharmos tempo, pois não precisamos perder horas em uma fila para fazer atividades tão simples, como um depósito. — Graças a isso, praticamente já temos todo o dinheiro do próximo evento, se mais duas pessoas toparem, não vamos gastar um real da empresa com nada, ou seja, o nosso caixa vai sair do vermelho, estou muito feliz com o nosso avanço, não posso negar que estava preocupado com o rumo que as coisas estavam tomando. Não que seja o fim do mundo, trazer novos sócios para a empresa, só não vejo o que uma pessoa estranha pode somar em um negócio que sempre foi de família, talvez o meu medo seja perder o controle e ter que obedecer ordens de outra pessoa. — Isso é maravilhoso, vamos torcer para que isso aconteça, porque vamos dar pessoalmente essa notícia a sua mãe. Apesar do Dário não fazer parte da família, para mim ele é como um irmão, não apenas um amigo do trabalho, sempre está do nosso lado, nos bons e maus momentos. — Bem, vamos descobrir isso agora, os últimos patrocinadores que pensei, foram os irmãos Maldonado, você sabe que quando eles investem em algo, cada um entra com um valor, acredito que conosco não será diferente. É dona Alessandra, não vai ser dessa vez, vamos ter o dinheiro que precisamos sem ter que vender nada. — Quando a nossa secretária avisou da visita de vocês dois, ficamos intrigados, representantes da maior casa de moda do país no nosso humilde negócio. Digamos que não concordo com a palavra humilde, a começar pelo escritório luxuoso, mas isso não vem ao caso, o importante é sair daqui com o que viemos buscar. — Viemos em nome da minha mãe, a senhora Alessandra Torres, acredito que vocês já conhecem, pelo menos de nome. O irmão mais velho fala que é quase impossível não conhecê-la, porque todos falam sobre a grande estilista que é. — Sei que a visita dos dois não é em vão, portanto, nos falem em que podemos ajudar? Parece que o irmão mais velho, não é tão paciente como o mais novo, ok! Vou deixar que o Dário conduza a discussão. — A casa vitória está em busca de patrocinadores para os novos desfiles, já fechamos com três e pensamos porque não incluir os grandes irmãos Maldonado na lista? Sei o quanto estimam o prestígio, ganharam destaque em nossos eventos, fazendo a marca de vocês crescer ainda mais. Vejo os olhos dos irmãos brilharem, meu amigo tocou no ponto certo, o ego e ambição de ambos. — A proposta é tentadora, mas gostaria de ver os projetos que nosso dinheiro será investido, vocês compreendem que como empresários, não podemos sair investindo a torto e a direita, sem saber exatamente para onde vai o dinheiro. Como sempre ando com o meu tablet, isso não será problema para nós, lhe peço alguns minutos apenas para ligar o mesmo. — Claro! Peço só uns minutos, pois vou ligar o aparelho, assim podemos lhe apresentar com riquezas de detalhes tudo que será feito. Enquanto isso, sua secretária nos serviu um café, foi tempo suficiente para abrir o slide com todas as informações necessárias sobre o próximo desfile fora do país, desde da estadia das modelos que é por nossa conta, até o dia do evento. — Como podem observar, o primeiro investimento será em tecidos, nossa empresa está consolidada no mercado por só produzir modelos exclusivos, ou seja, cada desenho que é apresentado, só existe um dele, quem o adquire não precisa se preocupar em ir a uma festa e dá de cara com outra pessoa usando a mesma roupa. Começo a explicação, mas faço sinal para que o Dário se prepare, porque ele também terá sua participação. — Continue, por favor! Continuo o meu discurso, desta vez falando sobre a quantidade de modelos que iremos levar e os dias de hotel que serão custeados pela nossa empresa, além de toda a nossa equipe, porque nunca viajamos sem ninguém, a não ser que o próprio funcionário decida não nos acompanhar. — Acrescentando sobre a fala do Max, por último não menos importante toda a estrutura do evento, desde a montagem da passarela, aos buffet, garçons, recepcionistas, tudo é por conta da nossa empresa, como pode observar o seu dinheiro será bem investido. Ao final somos aplaudidos, isso quer dizer que vamos sair daqui com o valor que faltava. — Gostamos da sua franqueza e de ver que não saíram preparados, afinal mandar vocês nos apresentar como tudo seria feito, foi apenas um teste para ver se valia a pena ou não, investir o nosso dinheiro. Por isso é sempre bom andar preparado, porque em situações como essas, não passamos por constrangimentos. — Então, podemos contar com vocês? Imediatamente eles nos pedem os nossos dados bancários e como imaginamos, cada um entrou com um valor, minha mãe não vai se conter de alegria. — Verifiquem na conta da empresa de vocês, já enviamos o valor, nos informem a data, porque vamos fazer questão de estarmos presentes. Em outras palavras, querem fiscalizar para ver se vamos cumprir com a nossa parte, depois de todo o dinheiro investido. — Ainda estou sem acreditar, que conseguimos Max, você tem noção de que algumas horas atrás, todos estavam apreensivos, sem saber qual seria o destino final da empresa e agora temos o fôlego suficiente para voltar a ficarmos no azul. Precisamos voltar imediatamente para a empresa, a minha mãe precisa saber dessa notícia, uma preocupação a menos para todos. — O importante foi não deixar que o desespero tomasse conta da situação, caso não fosse avaliado com calma, poderíamos agora receber o novo sócio da empresa, em vez de caminhar com as próprias pernas íamos esperar por outra pessoa. O Dário concorda, mas me alerta que dirija devagar, porque não vamos tirar ninguém da forca. — Ok! Você está feliz, porém presta atenção nesse volante, nada de ir a mil por hora. Tudo exagero do Dário, jamais dirijo acima do limite da velocidade, quer dizer, às vezes quando estou muito atrasado, acabou lembrando só do acelerador, mas isso não é uma rotina. — Nossa! Como você é exagerado, não vou correr, mas também não vou andar feito uma tartaruga, precisamos chegar na empresa antes que a minha mãe vá para casa, porque quero dá a notícia juntos, afinal de contas sem você nada disso teria acontecido, a sua ajuda foi de suma importância, com certeza somente com as minhas palavras, não iríamos obter o mesmo êxito que tivemos juntos. Não posso deixar de dar os devidos créditos ao Dário, ele me ajudou em todas as propostas, inclusive nesta última que eu achava as duas pessoas mais difíceis de conseguir. — Somos parceiros, você sabe que minha amizade vai além do trabalho, te considero um irmão, tanto que trocamos confidências e conselhos sobre as nossas vidas pessoais. Meu amigo tem uma paciência enorme comigo, porque eu alugo mais os ouvidos dele, com os meus problemas do que ele aos meus. — Aperta os cintos, porque nosso destino é a casa de moda. Fomos o caminho inteiro conversando, de vez em quando o Dário dava alguns gritos nos meus ouvidos para diminuir a velocidade, confesso que já estava me irritando, ou parando o carro e o entregando para ele mesmo dirigir, porque não posso se quer acelerar um pouco. — Mas na frente vamos encontrar a faixa de pedestres, diminuí essa velocidade ou daqui a pouco você vai atropelar alguém. Bendita boca a do Dário, quando olhei para frente tive que frear bruscamente, pois uma mulher surgiu bem na frente do meu carro. Saio do carro às pressas, para ver se ela está bem. Enquanto me abaixo, o Dário recolhe as sacolas que ela vinha trazendo nas mãos, tomo um susto ao perceber que a mulher que está sentada no chão é a Maitê. — Maitê? Você está bem, não quer que te leve ao hospital? Rapidamente ela se levanta, pedindo-me desculpas, pois diz que a distração foi sua, não minha. — A distração foi minha Max, não precisa ficar nervoso e respondendo a sua pergunta, não precisa me levar para nenhum hospital, estou bem, foi apenas um susto.
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