Capítulo 2

1363 Palavras
Acordo antes de Blake, me visto o mais rápido que posso, pegando num fundo falso na parede do banheiro um pequeno pacote. Saio do apartamento em passos rápidos, sorrindo para alguns moradores do prédio que, se recusam em responder de volta por causa de Blake. Caminho pelo menos 20 minutos, até o bairro Park Slope. Onde havia as famosas escadarias que víamos em Todo Mundo Odeia o Cris, era um bairro calmo e repleto de árvores por toda parte. Subo uma escadaria, batendo com firmeza na porta. A porta se abre pouco tempo depois. – Oi, Ronan – digo. Ronan era meu irmão mais velho. No meu ponto de vista não nos parecíamos. Ele sempre mantinha o mesmo corte de cabelo, tinha mais traços de nossa mãe, era mais alto e é claro, era responsável. – O que está fazendo aqui? – Ele sai da casa, fechando a porta atrás de si. – Quero falar com Lize. – Por que não nos deixa em paz? – Lize também é minha irmã! – rebato. – Ela deixou de ser quando nos abandonou para morar com aquele cara. – Isso não tem nada a ver com Blake – Paramos a discussão quando a porta abre novamente, Lize para na soleira sorrindo com seus cabelos pretos curtos moldurando o rosto. – Clare! – Me ajoelho em sua frente no momento em que corre em minha direção, se jogando em meus braços – Estava com saudades de você – murmura com o rosto na curva do meu pescoço. – Também estava morrendo de saudade de você – Tiro de dentro do casaco o pequeno pacote, estendendo a ela. – O que é? – Pra você comprar o que quiser. – Não precisamos do seu dinheiro – Ronan toma o pacote da mão de Lize. – Estou dando á Lize – levanto sustentando seu olhar. – Lize não precisa do seu dinheiro sujo – Ele joga o pacote em mim que, cai no chão – Vamos, Lize. – Mas Ronan....– Ela protesta enquanto é arrastada para dentro da casa. Pego o pacote do chão, colocando na caixa de correio. O trajeto de volta é mais rápido, devido ter deduzido que Blake já deveria estar acordado. Subo os degraus da escada do prédio em dois em dois, abrindo de repente a porta do apartamento e o encontrando carregando às armas. – Onde você foi?! – Solto o ar dos pulmões, quando ele para na minha frente sério – Tá. Não importa. Vamos – Passa por mim em direção a escada, o sigo um pouco hesitante. – Onde vamos? – pergunto quando deixamos o prédio. – Preocupada? – Blake atravessa a rua, indo em direção ao Impala 1967 preto. Um sonho de garoto que havia conseguido realizar a pouco tempo. – Não. Não estou – digo ao me aproximar. Só receosa, penso. Era raro sairmos juntos e quando saíamos era contas para acertar. Sento no banco do carona, tirando do porta luvas meu Ray ban preto. Olho para ele ao meu lado com um meio sorriso nos lábios. Ele ergue um dos cantos da boca num sorriso, dando partida no carro. Desconheço o caminho que toma, algum tempo depois, não deixando-o perceber minha apreensão. Blake dirige para fora da cidade, parando o carro quase uma hora depois perto de um banco diante de um penhasco. – Vai ficar aí? – pergunta descendo do veículo. Inspiro, fazendo o mesmo. Coloco às mãos nos bolsos traseiros da calça jeans, olhando ao redor. Blake se senta no banco suspirando. – Por quê estamos aqui? – sento ao seu lado, apoiando cada cotovelo ao meu lado. – Precisava repassar o plano B com calma na minha cabeça. O olho sem entender. – Plano B? – repito – Como assim? – Caso algo dê errado. Em todos os assaltos havia uma grande chance de dar errado, porém, às poucas vezes que deu errado, não chegava nem perto das vezes que saímos ilesos. – Não tem como dar errado – Forço um sorriso. Blake mantinha os olhos no penhasco à frente. – Mas se der... – Blake – repreendo, ele respira fundo. – c*****o, Clare! Só não quero que vá presa de novo. Se desta vez pegarem você, pode pegar perpétua – Desvio o olhar para o chão. Sabia disso – Somos os mais procurados dos Estados Unidos, preciso nos precaver – Permaneço em silêncio, pressionando os lábios enquanto um leve tremor passa pelo meu corpo – Se ver que o negócio vai feder, vaza. Pra bem longe, onde nenhum dos homens do Coroa possa te encontrar. Olho para ele novamente, vendo- o engolir seco. Inclinado para frente de modo que os cotovelos se apoiavam nos joelhos, Blake parecia preocupado, algo que nunca presenciei. – Só não quero te perder, tá legal? – continua sério. Continuo olhando o homem ao meu lado, lembrando de tudo que havia passado até aquele momento. De como havia sido difícil presenciar o pai policial matar a mãe e depois se matar, ser separado dos seus irmãos e passar por diversas casas adotivas por causa do seu comportamento agressivo. Até a quadrilha do Coroa encontrá- lo e ver um possível potencial, começando com pequenos roubos em lojas de conveniências e passando para bancos por todo país. Uma nova cidade para cada roubo. Cinco anos ao seu lado e havia conhecidos cerca de dez cidades, agora estávamos em casa novamente; haveria outro roubo é claro, mas Blake não era mais o menino assustado. Balanço a cabeça assentindo por fim. – Vai ter uma mala no beco ao lado do banco, com tudo que irá precisar, inclusive passaporte falso – Ele me olha com o semblante ainda sério – Não hesite em sair daquele banco. Não pare pra pensar e não se importe com ninguém. – E você? – Às palavras saltam para fora da minha boca – Quer dizer, se alguma coisa der errado. O que vai fazer? Ele força um sorriso. – Vou ganhar tempo para você, caso precise – Ele afaga meu joelho. Levanto tirando os óculos escuro, com a expressão incrédula. – Não. De jeito nenhum. Você não vai...– Ele levanta me abraçando de repente, apertando meu corpo contra o seu. Sinto meus olhos marejarem. A vontade de chorar aumentando, enquanto segurava com força seus braços. – Você não pode – digo entre as lágrimas. Ouço ele sorrir. – Para de chorar. Não gosto de ver mulher chorando. Me afasto secando meu rosto molhado, tentando enxergar no rosto de Blake algo que dissesse que iria ficar tudo bem no final. Mas não havia nada. – Quero que esteja pronta, caso precisar – diz quebrando o silêncio. – Tá. Tudo bem– digo fugando. Ele segura meu queixo, me olhando por baixo das pálpebras semicerrados. – Boa garota – murmura – Agora vamos, tô com uma p**a de uma fome e com vontade de comer um daqueles hambúrgueres do Mcdonalds. Coloco meus óculos novamente, seguindo- o de volta para o carro. Como planejado fomos comer hambúrguer. Blake ainda conseguiu comer dois e minhas batatas fritas. Depois da nossa conversa, havia tomado conta de mim e pela primeira vez em cinco anos temia que algo desse errado. Me sentia patética por tal pensamento, já que me sentia acostumada com os assaltos. O restante do dia acabou se resumindo em passar o dia no apartamento minúsculo, diante da TV pequena do quarto. Blake se rodeou de cerveja e salgadinhos, entretendo– se com um jogo de baseball; empoleirada numa poltrona gasta perto da cama, fingia prestar atenção nas unhas que pintava de preto. – Você sabe que se me trair eu te mato, não é? – Ergo o olhar quando sua voz soa, após um intervalo do jogo. – Por quê está falando isso? – Só quero te lembrar isso – Ele bebe mais um pouco da cerveja em sua mão. Havia duas coisas que Blake não tolerava: 1- Tiras. Qualquer policial pra ele, era considerado r**m. 2- Traição. Baixo a cabeça voltando a pintar a unha do dedão. – Entendi – murmuro, notando ele me olhar por alguns instantes, antes de desviar o olhar de volta para a TV.
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