Capítulo 3

1652 Palavras
Blake fumava um cigarro paciente. Meus olhos vagam pela pouca movimentação da rua e o entre e sai do banco. Desvio o olhar para minhas mãos que suavam em meu colo. – Blake – murmuro, olhando para ele com o cenho franzido. Ele olha para mim, entregando o cigarro. Eu não fumava. Mas, Blake havia me ensinado para quando me sentisse nervosa. Dou uma longa tragada, soltando a fumaça em direção a janela. – Prometo que este será o último. Depois disso iremos para Vegas. Teremos dinheiro suficiente para isto – diz Blake, segurando meu queixo – O.k.? Dou mais uma tragada no cigarro. – Está bem– digo soltando a fumaça. – Agora vamos – Ele coloca o capuz de esqui na cabeça, pegando sua AK– 47 assim que desce do carro. Desço do carro apagando o cigarro, hesitando em colocar o capuz e tirar da cintura uma taurus preta. Os demais membros da quadrilha dessem dos outros carros, seguindo Blake para o interior do banco. Respiro pela boca, tentando manter o foco daquele roubo. Precisávamos ser rápidos. Sem levantar suspeita do lado exterior do banco. – Pro chão!!! – Blake grita ao entrar no banco – Isso é um assalto. Todos com as mãos pra cima! Aponto a pistola para um grupo do lado esquerdo, formado por idosos e mulheres grávidas. Seus semblantes assustados, sempre me transmitia um certo arrependimento por estar fazendo tal coisa. Mas era a única coisa que sabia desde que me entenderá por gente, não haviam me apresentado uma outra alternativa de vida além daquela. Pelo canto do olho os vejo caminhar até os caixas com malas, exigindo que colocassem todo o dinheiro. Olho para o relógio a minha frente, notando ter se passado dois minutos. Tínhamos três minutos ainda. Atiro para o alto, quando uma mulher tenta pegar a bolsa caída no chão. – Se um de vocês ao menos piscar. Mato – digo entre dentes, atrás da máscara de ski. – Vocês só têm três minutos – A voz do Coroa soa no aparelho ao meu ouvido. – Vamos! Vamos! – Ouço um dos assaltantes gritar em minhas costas. Começo a cronometrar os poucos minutos que restavam. Tic-Tac. Meu relógio mental parecia mais alto que o costume. Os segundos seguidos acontecem em câmera lenta diante dos meus olhos. Às sirenes ao longe, Blake olhando para todos tentando entender o que havia acontecido, às viaturas freando bruscamente em frente ao banco e os policiais descendo armados. O peito de Blake subia e descia rapidamente, podia perceber buscando em sua mente a falha. Até que a acha. Ele arranca de trás do balcão uma mulher de cabelos cacheados, cujas lágrimas começaram a molhar seu rosto em desespero. Droga. Ela havia apertado o botão e só foi necessário um minuto para que estivéssemos cercados. – Abaixem às armas! Vocês estão cercados! – Olho para fora do banco, vendo um homem com um megafone. Blake mantinha os olhos fixos na mulher que não parava de entoar “por favor”. Seus lábios estão em uma linha reta séria, quando seu dedo puxa o gatilho da arma, fazendo um grande estrago na cabeça dela e causando gritos por todos os cantos. Fecho os olhos por alguns instantes, ouvindo outro tiro. O som ecoando em meus ouvidos. Era algo que nunca havia me acostumado. Matar. Abro os olhos, arregalando- os, ao notar Blake no chão ferido. Corro até ele, pedindo mentalmente que estivesse usando o colete. Não estava!, me desespero, quando o ferimento suja minha mão. – Soltem às armas! Não irá ter misericórdia! Minhas mãos tremiam. Tentava controlar as lágrimas que insistiam em embasar minha visão. – Você não está usando o colete. Por quê!? – balbucio irritada. Ele engole em seco, os lábios antes rosados, pálidos. – Plano B – murmura. Pelo canto do olho vejo quando invadem o banco, alguns policiais vindo na minha direção. Não dava tempo, lhe digo com o olhar, pegando a Ak- 47 ao lado dele, a tempo de vê- lo tirar do bolso um pequeno aparelho com um botão, no qual aperta sem hesitar. O carro que estávamos minutos antes explode, quebrando os vidros do banco e das viaturas. Só então entendo minha deixa. Em meio a fumaça corro em direção à saída, apertando com força a arma em minhas mãos. Paro do lado de fora procurando o beco em meio a fumaça, encontrando- o corro em sua direção em meio aos estilhaços do carro e de vidros. Meus olhos procuram pela mala na sujeira e no lixo, até que sinto um peso sobre meu corpo que me faz tombar para frente. – Planejando ir em algum lugar? – A voz máscula soa em meu ouvido, mãos ágeis algemando minhas mãos. O quê!? Droga! – Fracassaram – diz Coroa no meu outro ouvido e em seguida ouço um chiado. O policial me levanta bruscamente, me arrastando para fora do beco. Ainda há fumaça e fogo em alguns lugares em frente ao banco. Ambulâncias chegavam e polícias tossiam machucados no chão. Meus olhos vagam pela destruição procurando por Blake. Qualquer sinal. Mas não havia nada. Uma mulher um pouco parecida comigo, tirando seus cabelos longos, pele sedosa demais e alta, se aproxima com passos largos, mantendo a postura ereta. – O que temos aqui? – pergunta tirando com força a máscara do meu rosto. – Estava fugindo – diz o cara do meu lado, com um sorriso vitorioso no rosto – Deixa comigo, Dylan – diz me conduzindo em meio a fumaça, pressionando meu corpo contra uma viatura. Ótimo, penso, apoiando minha cabeça no vidro. Não estava em meus planos passar uma temporada na prisão. Sou levada para Departamento de Polícia, jornalistas esperavam quando saio da viatura, entrando no prédio bege. Não era sempre que a mais procurada do país era presa. Naquele momento incrível que pareça só pensava em Lize e nas coisas ruins que Ronan diria sobre mim. Dylan, o policial de cabelo cacheado, me coloca rudemente sentada num banco de madeira. – Fica aí, princesa – diz sarcasticamente, entrando na sala que parecia ser do chefe de polícia. Pessoas circulam de um lado para o outro com papéis ou atendendo telefones, são poucos que me olha e desvia o olhar. Em uma televisão num suporte num canto, vejo o momento em que deixo o banco. Dylan volta, me puxando pelo braço em direção à sala com paredes de vidro. – Clare Thompson? Leio a placa sobre a mesa. Chefe de Polícia Evans. Ele olhava para mim com um olhar inquisitório. – Um plano quase perfeito, não acha? – Semicerro às pálpebras, olhando com atenção o homem na minha frente. Meus olhos vagando demoradamente por cada detalhe. Camiseta branca. O coldre. Olhos verdes– escuros. Cabelo em tom chocolate, penteado perfeitamente para trás. – Para onde levaram Blake? – pergunto, erguendo uma sobrancelha. – Todos seus amigos lhe abandonaram – Ele se inclina para frente – Só sobrou você. Meus olhos vagam pelo vazio. Haviam conseguido fugir. Estreito o olhar semicerrando os olhos, engolindo em seco. Inspirando profundamente. Sabia muito bem o que acontecia com X9. – Pode tirar essas algemas? Estão me machucando. Dylan se inclina sobre mim. – É melhor se acostumar com elas. Daqui pra frente vão ser suas melhores amigas. Reviro os olhos, me mexendo cuidadosamente na cadeira. – Sua ficha criminal é bastante extensa – O chefe de polícia continua – Começou na vida do crime cedo. 15 anos – Os olhos dele continuam fixos na tela do computador – Roubos á bancos e joalherias – Ele desvia o olhar para mim – Deve suspeitar que são os mais procurados dos Estados Unidos, não é? – Dou de ombros. Sem mortes. Era o que Coroa sempre dizia. A morte de um policial ou de um refém, poderia mudar completamente as coisas. – Com a morte da gerente, sabe que o juíz não será brando como nas últimas vezes – diz por fim – Pode pegar perpétua dessa vez. – A menos que faça um acordo e reduza sua pena – Dylan murmura, tomando lugar ao lado do chefe de polícia. – Acordo – repito. – Me dê os nomes dos integrantes da quadrilha e da cabeça de tudo. Neste caso, o Coroa – O chefe de polícia estreita os olhos na minha direção – Só preciso de um endereço e entraremos com uma redução de pena por colaborar com a polícia. Era uma boa proposta? Era. Olho para os dois na minha frente, respirando fundo. Colocando às algemas sobre a mesa. – Quando vão me levar para a prisão? – Dylan olha para o chefe de polícia e depois para mim, surpreso. – Leve- a daqui – diz por fim, o encaro ao levantar, sendo levada para fora. Incrível que pareça, mas, já conhecia tudo o que iria me acontecer. Havia sido pega em flagrante, além é claro de assalto à mão armada que era outro agravante. Mas também havia a morte da gerente, mudando completamente tudo. Seria longos e entediantes anos atrás das grades. Sou conduzida para uma cela com mais cinco mulheres. Massageio os punhos ao entrar na cela, sob vigilância de pares de olhos. – Olha a bonequinha – diz uma mais alta, cuja a cabeça é raspada – Acho que não preciso explicar às regras por aqui, não é? – Ela se aproxima mais – Eu mando por aqui e você como às outras me obedece. Sorrio com desdém, ela bate com força minha cabeça com força contra as grades. Sinto o sangue escorrer por cima do meu olho e o ferimento latejar. – Pareço estar brincando? – murmura perto do meu ouvido, puxando meu cabelo. Sorrio, dando uma cotovelada em seu estômago. Quando ela se curva sob o corpo, lhe desfiro um chute no rosto que a faz cair, fazendo com que às outras presas começassem a chutá- la.
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