Pré-visualização gratuita Era Uma Vez: Prólogo
Narrador:
Na noite escura de Asterfall
No coração de Asterfall, um reino moldado por antigos pactos lunares e protegido por muralhas tão altas quanto segredos enterrados, uma ameaça ronda as noites. Todas as luas crescentes, quando a névoa se arrasta como um véu sobre as torres prateadas do castelo, uma fera emerge para caçar. Uma criatura de olhos luminosos, garras negras como obsidiana e força capaz de derrubar muralhas. O povo a chama de A Sombra da Noite, uma maldição viva que há quase duas décadas aterroriza vilas, consome rebanhos e deixa rastros de destruição.
Para contê-la, o rei Aldebran decretou toque de recolher permanente após o pôr do sol, patrulhas reforçadas e caçadas constantes aos arredores. Mas nenhuma lâmina jamais tocou a criatura, nenhuma emboscada surtiu efeito. O que ninguém sabe, nem mesmo os nobres mais influentes e nem os magos reais, é que a fera nunca esteve do lado de fora das muralhas.
O segredo mais bem guardado do reino dorme sob o próprio teto corrompido do palácio.
A fera é a princesa Klara, a única filha do rei. A ômega nascida sob um eclipse vermelho, marcada por uma maldição ancestral que se desencadeia sempre que a lua domina o céu.
Desde bebê, Klara é mantida em um quarto reforçado por runas e aço, acompanhada apenas pelo pai e alguns poucos servos confiáveis. Ela não conhece bailes, nem cortejos, nem o mundo além das varandas altas de sua prisão dourada. Cresceu ouvindo o reino temer a criatura que ela mesma se torna, e a carregar o peso silencioso de segredos que não escolheu.
Para todos, a princesa é apenas tímida, frágil e quase doente, alguém que necessita de p******o constante. Para seu pai, ela é tudo o que sobrou da rainha perdida, e também o maior perigo já visto em Asterfall.
Mas a frágil teia de mentiras que protege Klara começa a ruir quando o conselho real, pressionado por um conflito iminente com o reino vizinho de Varyntha, exige que a princesa seja apresentada em cerimônias diplomáticas. Sussurros de guerra ecoam nos corredores do castelo, e aliados antigos começam a questionar a força de Asterfall, duvidando da legitimidade da sucessão.
E é nesse clima de tensão que Adam surge.
Adam Draven, o alfa supremo da Ordem da Guarda Real, é conhecido por sua disciplina, força e lealdade inabalável. Criado nos campos de batalha, treinado para cheirar mentira de longe e acostumado a enfrentar criaturas de sangue e magia, ele retorna da fronteira para assumir o comando das tropas em meio às ameaças crescentes de Varyntha.
Desde sua chegada, Adam percebe algo estranho na dinâmica do castelo. O rei Aldebran evita mencionar a princesa, servos desviam o olhar sempre que o nome dela é citado e a guarda que protege as alas superiores do palácio é excessivamente reforçada, ainda que supostamente abriguem apenas a herdeira “doente”.
Adam não deveria se importar, não deveria perguntar, mas ele nota. Nota os guardas sempre tensos ao virar da tarde, nota o cheiro de magia retorcida impregnado nos corredores, nota a forma como o rei esconde qualquer detalhe sobre a filha e nota, acima de tudo, a contradição: por que proteger tanto alguém tão frágil?
E curiosidade é algo que nunca deveria despertar num alfa criado para obedecer, mas desperta.
A primeira vez que Adam vê Klara, sem que ela soubesse, é no pátio interno do castelo. Ela observa o céu, como se buscasse liberdade entre as nuvens que nunca alcança, seus olhos carregam tristeza, fome de mundo… e algo mais. Algo selvagem, escondido, mas pulsando sob a pele. Mesmo à distância ela o marca, como se o vento carregasse uma mensagem silenciosa, uma inquietação primal que faz o lobo dentro de Adam erguer as orelhas. A partir daquele momento, nada mais parece simples.
Enquanto Asterfall se prepara para uma possível guerra, alianças se quebram e espiões inimigos farejam qualquer sinal de fraqueza. Varyntha, há muito tempo sedenta por revanche, sussurra que a linhagem real está amaldiçoada, palavras que ninguém leva a sério… até agora... O caos político se mistura com ataques mais violentos da b***a, que parecem responder às emoções da princesa. Quanto mais tensão cresce no palácio, mais brutal a fera se torna durante as noites. Como se as sombras sentissem a proximidade do descontrole.
E Adam percebe. Percebe que a criatura não é apenas um monstro qualquer, percebe que o rei teme algo muito mais profundo do que um ataque inimigo, percebe que a princesa desaparece misteriosamente sempre que a lua chega ao auge.
Mas o rei também percebe Adam, seus olhares atentos, seu instinto protetor e perigoso.
Percebe, enfim, que o maior guerreiro de Asterfall talvez seja também a maior ameaça ao segredo que guarda há vinte anos.
Quando uma emboscada de Varyntha devasta parte da fronteira oeste e rumores sobre uma “criatura servindo ao rei” se espalham entre os povos, Adam é convocado para reforçar a defesa e sufocar a propaganda inimiga. Mas quanto mais ele confronta a guerra externa, mais sente que a verdadeira batalha se trava dentro do castelo.
E no centro de tudo está Klara, uma princesa vista como frágil, mas que carrega dentro de si uma força capaz de mudar o destino de dois reinos. Uma força que a devora por dentro, moldada pela maldição que seu próprio pai tentou esconder e que agora ameaça se revelar ao mundo.
Quando Adam finalmente cruza o olhar com a fera pela primeira vez, nos jardins banhados pela lua, algo nele muda. Não de medo, mas reconhecimento. E então ele entende: Não é o reino que está em perigo.
É ela.
E talvez o destino de Asterfall dependa do que ele fará com esse segredo e com a ômega amaldiçoada que o rei teme perder… e o alfa começa a querer proteger.