Calouros

1589 Palavras
        Depois do Jacob me deixar sozinha e confusa na sala resolvi fazer o mesmo que ele. Tomar um banho. Estava nojenta do treino. Após um bom banho quente deito-me em minha cama. Meu olhar viaja pelo quarto parando sobre o tapete de yoga no canto do cômodo. Fazia tempo que não praticava, mas estava cansada demais para aquilo. Acabo pegando no sono em segundos.         Acordo com o som de batidas ritmadas na porta. Abro os olhos preguiçosamente e tateio a cama atrás do meu celular. Encontro o aparelho em meio aos travesseiros. Desbloqueei a tela vendo que era dez horas da noite. O tempo voou.    —Já vai— murmuro quando continuo ouvindo as batidas insistentes. Só podia ser uma pessoa.           Minha suposição é confirmada. Abro a porta encontrando Jake ali com um sorriso largo. Ele veste uma calça jogger preta, um moletom vermelho da Nike e o tênis preto clássico da vans. Por fim um boné dos Lakers completa seu look. Seu perfume forte dança entre nós chamando atenção para si.   —Está afim de ir na festa dos calouros? — ele disse direto. Sinceramente não. Mas alguém tem cuidar dele até eu achar a mulher perfeita. Então não tenho muitas opções. —Vamos munchkin, vai ser divertido. Você tem que fazer algo que não envolva esforço físico— ele disse. Bufei pelo apelido. —Quase desisti só porque me chamou assim. Mas alguém tem que cuidar do desmiolado— disse e fechei a porta na sua cara. Ele entenderia e apressei-me para me arrumar.           Soltei o cabelo, peguei um camiseta branca, uma calça preta skiny, um tênis branco da Nike e jaqueta jeans. Geralmente não uso salto ou vestidos. Talvez não seja muito feminina. Mas a ideia de ficar ainda mais alta me incomoda. Nunca fui de me vestir assim. Acho que o fato de ser criada pelo meu pai, tenha influenciado nisso. Abro a porta encontrando Jake encostado na parede do corredor com o celular em mãos. Assim que me viu ele abriu um sorriso.   —Vamos munchkin, você está linda— ele disse indo na frente e abrindo a porta para mim.           Jacob e sua mania de tentar aumentar minha autoestima. De acordo com ele “eu preciso de mais confiança”. Eu acho que ele tem confiança até demais. Taylor sempre se achou. Entramos no carro e ele saiu dirigindo como um louco. O encaro repreendendo seu ato. Ele faz pouco caso e vejo o velocímetro marcar 120 kmh. Estamos numa via de 100 kmh.   —Acho bom reduzir se não quiser levar uma multa ou pior nos m***r— alertei. —Você se preocupa demais, Munchkin—ele disse. —E você de menos, Taylor— disse.           Entramos em um subúrbio e percebi que tínhamos chegado quando meus olhos pararam sobre uma casa lotada de jovens. Eram onze horas e esses caras já estavam bêbados. Jake teve problemas em encontrar uma vaga para estacionar. Acabamos tendo que andar um pouco até o local. Quando nos aproximando da casa ouvi ainda mais intensamente a música alta chegava a fazer o chão vibrar e os gritos e risos das pessoas. Tudo muito escandaloso. Paramos antes de nos aproximar mais e tornar difícil ouvir as palavras um do outro.   —Não aceite nada de estranhos— ele disse para mim. —Nada de álcool. Você fica um saco quando bebe— disse apontando de forma acusadora para ele. Odeio quando ele bebe. Primeiro porque ele fica com garotas aleatórias e depois porque eu tenho que cuidar dele.  —Aqui— ele disse colocando seu boné na minha cabeça. Não sei porque ele tem esse ritual estranho de me dar algo dele em festas. Provavelmente porque o cabeça de vento vai perder se ficar com ele.   Sinto os braços dele me guiando entre a multidão. Adentramos a casa que se mostrava ainda mais lotada em seu interior. O que era uma pena já que era a típica casa de família americana. Jake me levou até próximo do garoto que tinha falado conosco antes de abandonarmos o campus. O que supus que era parte do time.   —Hey, Taylor! Você realmente veio—Ele disse. —Eu disse que vinha. Michael está é Payton— Jake disse cordial. —Olá Payton— ele disse simpático. Era um moreno alto e simpático. Falando em alto ele parecia poucos centímetros mais alto que Jake. —Olá Michael— respondi educadamente. —O resto do time está? — Jacob questionou. — Sim — Michael disse avaliando seu redor sem notar nenhum deles — Em algum lugar …—completou. —Beleza. Vamos dar uma volta— Jake disse me guiando pelos ombros novamente. Ele estava indo em direção ao bearpong. Um jogo i****a amado pelos universitários. —Pensei que ia procurar os caras do time—disse. —Nah, eventualmente vou esbarrar nele—ele disse descontraído. —Eu disse nada de beber— o lembrei. —Relaxa, baby, só vamos assistir— ele disse.           Notei que havia uma garota e um cara na mesa de pingue-pongue. A garota estava perdendo e isso era óbvio porque aparentemente eles tinham que tirar uma peça de roupa toda vez que perdiam. Porque beber o copo já não era o suficiente. A menina já usava apenas uma lingerie. Mas a fulana não parecia nem um pouco encabulada. Também não parecia certa das ideias. Aquela garota deve estar drogada. O empurrei para longe dali. Em direção a cozinha.   —Por que mesmo você vem nessas festas? — questiono. —Somos jovens Allen. Você devia curtir um pouco— ele disse. —Quer dizer que eu deveria me drogar e ficar semi-nua em um local que qualquer um ver? — disse irritada. —Não, está maluca! Só estou falando para se soltar um pouco—ele disse. —Ei casal! Vocês são calouros, né. Todos os calouros foram convocados lá fora— uma garota loira que tinha um decote desnecessariamente grande disse. Nos dois confirmamos com a cabeça e a loira saiu. —Eu te mato se isso acabar m*l— disse para ele antes de seguir a movimentação para o lado de fora da casa.           Eles colocaram todos os calouros sentados na grama do quintal. Eu já estava com aquela sensação que aquilo não acabaria bem para mim. Jacob se sentou ao meu lado. Assim que os veteranos perceberam que todos estávamos ali eles gritaram juntos. Revelando alguns baldes. “BEM-VINDOS A KENTUCKY!!” Não deu tempo para qualquer reação. Sou acertada por mistura de tinta com múltiplas cores e farinha. Tinha algo fedido naquele liquido e não foi difícil concluir que era ovo. Os calouros mais sujos passaram a sujar os menos sujos, no caso sortudos como Jake que a mistura m*l pingou em seu moletom. Raivosa viro-me para ele. Eu estava pingando de tanta mistura que tinha me atingido.   —Eu vou te m***r— disse furiosa.   Por que eu aceitei vir aqui. Era óbvio que algo assim ia acontecer. Festa de calouros. Taylor já estava correndo para longe de mim. Ignorando qualquer outra pessoa corro atrás do retardado. Sentindo uma criança novamente. Mas desta vez as coisas não são tão boas para mim. A mistura gosmenta me faz escorregar. E em nos milésimos de segundos encarro o chão sabendo da minha queda eminente de cara nele. Porém, meu corpo se choca com algo impedindo esse triste fim. Olho para cima encontrando a fúria da pessoa que até segundos antes de esbarrar em mim estava completamente limpa. Nathan Drew me encara com raiva.   —Olha por onde anda— ele disse irritado movendo as mãos sujas de tinta vermelha que antes estava em mim. Sorri envergonhada. —Mil desculpas— disse. Vi uma garota com uma toalha e rapidamente a peguei em uma atitude desesperada. Tento limpar sua jaqueta de couro. —Estou bem— ele diz com uma expressão mais suave. —Sinceramente me desculpe. Se eu puder fazer qualquer coisa para me desculpar— disse tomada pelo desespero.           Eu realmente passei os últimos anos tentando mudar como pessoa. Evitar confusões e brigas. E não queria começar uma inimizade com o colega de equipe do Jake.   —Foi só tinta. Ele não vai morrer—Jake surgiu ao meu lado. Como se o fato de pensar nele tivesse convocado sua presença. —Já falei que estou bem— Nathan reforçou. — Só tinta ?! Você diz isso porque não está sujo— digo. Lembrando a mim mesma do fato. E antes que ele possa reagir o envolvo em um abraço de urso o sujando. —d***a Allen! Você me paga— ele disse e antes que possa fugir ele me agarra.  —Não Jake— tento fugir do seu aperto. Percebo que estamos chamando muita atenção. —Nada disso— sinto ele me colocar em seus ombros como se fosse um saco de batatas levando me para algum lugar. —Vocês estão bem? —Michael pergunta vendo nosso estado deplorável. —Estamos, só vou levar essa porquinha para um banho— Jacob disse. —Ei, para sua informação eu estava cheirosa antes dos veteranos jogarem isso em mim— disse. —Te vejo por aí Michael— ele disse me ignorando. —Vocês dois são engraçados— ele comentou.           Jacob carrega-me até o carro quando finalmente me solta. Emburrada entro no carro. Ele não tem direito de ficar bravo comigo por suja-lo. Ele que me arrastou até ali para começo de conversa. Bem, ele que aguarde por minha vingança em casa.
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