Água e Sabão

1622 Palavras
          Quando chegamos em casa. Sai do carro, apressando-me para entrar no elevador que por sorte estava na garagem. Em segundos estamos atravessando a porta do nosso apartamento. Faço meu caminho em direção ao meu quarto quando sou interrompida pelos braços de Jake na minha cintura.   —Aonde pensa que vai munchkin? — ele disse. —Tomar um banho— disse tentando me livrar de seu aperto — para Jake é serio eu estou nojenta. — Primeiro olha aqui — Jacob disse.           Viro-me para encara-lo e o mesmo está com o celular na mão. Não acredito que ele tirou uma foto minha.   — Uma pequena vingança por você me sujar — ele riu. — Vingança, eu que devia me vingar. Por você ter me carregado até aquele lugar — disse tentando pegar o celular. —Nah nah nah, Munchkin. Você foi porque quis. E nem tente pegar, essa foto será minha nova arma secreta — ele comentou sorrindo largo e levantando as mãos para longe do meu alcance, nunca foi tão chato ser mais baixa que alguém. —Não é uma arma secreta, se não é um segredo. Bobo — disse tentando saltar para pegar o telefone. —Deixa de ser chata. Você ficou uma gracinha nessa foto — ele disse analisando a foto. Eu tento alcançar seu braço enquanto ele me afasta com a outra mão. — Me dá isso — disse pulando nas costas dele. — Sai maluca — ele disse tentando se livrar de mim. — Não saiu até excluir isso— disse apertando mais meus braços em seu pescoço. — Você quer me m***r?! — ele disse tentando afastar minha mãos. — Estaria fazendo um favor para a humanidade— disse rindo. — Agora magoou— ele disse. — Me dá esse telefone logo estamos sujando a sala— disse. — De jeito nenhum— ele disse me soltando que cai no tapete fofo da sala. Ainda sim machucou.  — Ai, seu troglodita— disse alisando a área que doía. — Ninguém mandou você subir em mim — ele disse me mostrando a língua. — Criança! — disse emburrada. — Olha quem fala — ele disse revirando os olhos.           Ah, é. Em um movimento rápido puxei seu tornozelo fazendo o mesmo cair sobre o tapete.   — Ai, sua maluca — ele disse. — está vendo como é bom — disse tentando novamente pegar o celular. — Eu soltei você com jeitinho — ele disse segunda meu pulso. — Chama isso de jeitinho — disse irritada. — Eu podia ter me machucado f**o — ele disse. — Quem sofreu mais foi o tapete — disse. — Claro, você está sujando ele todo— Jake disse. — Eu disse que ia tomar banho — disse irritada desistindo de pegar o celular e me levantando. — Aonde vai? — ele perguntou confuso. —Tomar banho — disse. — Você não vai mais tentar apagar a foto? —Jacob questionou. —Não — disse. Eu posso pegar outra hora.           Jacob se levanta me puxando para encara-lo. Mostra o celular para mim e ele mesmo deleta a foto. O encaro confusa.   — Não era sua arma secreta? — disse e ele deu de ombros — Você só queria que eu corresse atrás de você como uma i****a né— disse dando um  leve t**a em seu ombro. —Você fica fofa com raiva — ele disse.   Bufei.   — Você que vai limpar o tapete — disse.           Segui meu caminho para o meu quarto desta vez não sendo interrompida. Depois de um banho demorado, visto um conjunto moletom confortável. Volto para sala encontrando a mesma vazia. O tapete felpudo também não se encontrava ali. O que me surpreendeu. Não imaginei que Jake realmente fosse lava-lo. Acho que ele nunca lavou nada na vida.         Vou até a lavanderia vendo Jacob agora limpo, o que indica que ele também tomou um banho, encarrando com intensidade a prateleira de produtos de limpeza. Parte do tapete se encontrava para fora da máquina de lavar.   — O que está fazendo? — questiono me apoiando no batente da porta. — Lavando o tapete — ele disse como se fosse obvio. O que me fez quase rir. —Qual destes é o Alvejante? — ele disse me mostrando o sabão líquido e amaciante de roupas. Dessa vez foi impossível não rir. — Nenhum deles — disse o que fez fechar a cara. — Se você rir de mim, eu não lavo nada — ele disse irritado. — Ei mimadinho. Eu vou te ajudar — disse indo até a máquina. Ele não gostou do apelido mas pareceu aceitar a ajuda. — Primeiro tire o tapete da máquina. Você não percebeu que ele é muito grande para ir nela— disse mandona. —Pensei que molhado ia encolher — ele disse. — Não é assim que funciona. Você nem consegue fechar a máquina com ele ai. —disse e ele fez o que falei — vamos colocá-lo aberto ali perto do ralo— indiquei. Ele o fez com facilidade. — Ótimo, agora vamos molha-lo— disse pegando dois baldes. Entregando um deles para Jake e nos dois disputamos a torneira para enche-los. — Nem pense em me molhar— disse enquanto caminhávamos com os baldes cheios em direção ao tapete. — Eu jamais faria isso — ele disse. Uhum sei. —Quer enganar quem? — disse e joguei a água do meu balde no tapete. Ele demorou alguns segundos mas fez o mesmo. O encarei desconfiada. —E agora? — ele questionou. — Alvejante nas machas de tinta — disse e me aproximei da prateleira pegando o produto de embalagem rosa. — Este é o alvejante — mostrei zombeira para Jake, já que o produto era bem visível, que revirou os olhos. — Ok, nas manchas— ele disse colocando uma quantidade exagerada de produto em cada pedaço com uma cor diferenciada. —Agora vamos ensaboar— disse pegando a caixa de sabão em **.           Foi até que divertido jogar sabão por todo o tapete com ele e esfregar o tecido com as mãos e pés.   — Jake olha — desenhei um coelhinho com a espuma. — Bonito, Olha isso — ele disse apontado um forma no tapete. — O que é isso? — questionei confusa. — Sua sem graça, é obvio que é o John Bonham — ele disse. — Era isso, desculpe, mas acho que você devia fazer uns desenhos mais simples — comentei. — Como assim? Esta igualzinho — ele reclamou indignado.   Jacob sempre acho que seu talento para desenho é superior ao que realmente é.   — De jeito nenhum. Vamos temos que enxaguar isso aqui — disse. — Não, agora eu vou melhorar o meu desenho— ele disse emburrado. — Deixa de ser criança— disse. — então admita que meu desenho está bonito e você que é invejosa — ele disse. — Nem pensar — disse cruzando os braços. — Chata — ele disse e tacou água em meu coelho. — Ei, você matou ele — disse. — Você que disse que era para jogar água— ele disse fingindo inocência. — Ah é, então toma — disse e joguei água nele.           Ele me olhou indignado.   — Você mereceu — disse dando de ombros. — Você ainda disse que eu era quem ia molhar né. Toma Allen — ele disse e jogou água em mim. —Não Jake, eu acabei de tomar banho — disse irritada. — Eu também — ele disse.           Respirei fundo e arrumei o cabelo.   — Vamos terminar isso logo e nós secar. Amanhã tem aula e já está ficando tarde — disse começando a enxaguar o tapete. Decidida a não criar mais briguinhas.           Ficamos longos segundos em silencio terminando o trabalho. Jake puxou a agua com o rodo enquanto eu guardei os produtos que usamos e depois juntos estendemos o tapete no varal, já que ele não cabia na secadora. Com o trabalho finalizado tirei o moletom molhado e finalmente seca me sentei no sofá.         Fecho os olhos refletindo sobre o dia. Quando sinto um peso ao meu lado. Não me dou ao trabalho de olha-lo. Sabia que era Jake de qualquer forma. Mas quando sinto sua cabeça meu ombro abro os olhos e o encaro.   — Eu não queria te irritar Munchkin, me desculpa — ele disse com o olhar de cachorrinho. —O que quer Jake? — disse. — Você faz o macarrão integral com brócolis que eu gosto? — ele pediu. — Você só pensa em comer — disse me levantando e indo em direção a cozinha. Já que eu também estou com fome. — Você nem imagina— ele disse atrás de mim, mas segui meu caminho. Caçando nos armários a massa de macarrão.           Logo reúno os ingredientes na bancada. Pego um panela e começo. Vejo que Jacob sentasse na bancada da cozinha.   — Você não vai ficar ai parado. Pode fazer o suco — disse colocando algumas laranjas em frente a ele. — Tudo bem — ele disse.         Ele colocou o liquidificador do meu lado e começou a fazer o suco. Lhe dei um pouco de molho para provar e sorriu para mim colocando a colher na boca.   — Isso está incrível. Você é a melhor cozinheira do mundo — ele disse. — Você só diz isso para que eu continue fazendo nossa comida todos os dias— disse revirando os olhos. — Talvez, ou talvez seja, porque sua comida é a melhor que já comi na vida e não consigo ficar sem — ele disse me dando um sorriso de lado.           O que faz meu coração disparar. Ele devia parar de me dar esse sorriso, ou vou acabar fantasiando coisas inexistentes entre nos. Somos amigos é só isso.
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