Protagonista de romance

1760 Palavras
        No dia seguinte, era o segundo dia de aula. Desta vez Jacob foi comigo. Chegamos na hora graças à eu constantemente apressa-lo.    —Que aula você tem agora? — questionei enquanto observava os demais alunos se divertindo pelo campus. —Espanhol— ele disse encarando o papel em suas mãos. —Porque você está fazendo essa matéria mesmo? Não tem nada haver com o currículo de Nutrição— disse. —As garotas gostam de caras que falam outros idiomas. Estou fazendo francês também— ele disse sorrindo maroto. —Você não tem jeito— disse revirando os olhos. —Então me diga que não ficaria derretida se começasse a falar frases em francês com você em mon amour— ele disse parando a minha frente e forçando a olhá-lo.         Devo admitir que ele ficou ainda mais encantador falando em outro idioma mesmo eu não fazendo ideia do que ele disse. Sinto meu rosto ficar mais quente. Resolvo ignorar e continuar andando. —Até mais, Taylor — disse seguindo meu caminho para a aula de anatomia.         Hoje estou completamente decidida a encontrar a mulher perfeita. Então m*l prestei atenção na minha primeira aula. Fiquei boa parte do tempo olhando para os lados em busca de encontrar a tal garota. Após minutos de uma aula sobre o sistemas básicos do corpo humano vou diretamente para a biblioteca. Já que a garota ideal com certeza seria como uma daquelas protagonistas de romances, que ama ler, que é inteligente e estudiosa.         Assim que adentrei a biblioteca pensei como aquele lugar não me chamou atenção na visita a universidade? Era enorme. Tinham múltiplas fileiras de prateiras repletas de livros de vários gêneros. Um lugar muito interessante. Já que estamos no início do semestre apenas os alunos muito estudiosos estavam naquele lugar.         Ocupei uma das mesas deixando a minha mochila de um ombro pendurada na cadeira. Peguei o livro que estava em cima da mesa apenas para ter algo ocupando as mãos e não parecer uma maluca. Quando vasculho o ambiente com o olhar. Vejo uma garota morena mais ao canto. Ela masca chiclete e tem um livro em mãos cujo o título é “A simbologia do número 6”. Não acho que ela se encaixa na minha concepção de protagonista. Jacob nunca gostou muita desses negócio de superstição e simbologia. Ele nem se quer acredita em destino.             Mais à frente entre uma pilha enorme de livros se encontra uma menina baixinha com os cabelos castanhos claros em um r**o de cavalo desajeitado. Hum, parece uma garota legal. Então penso que talvez possa ir até lá e falar com ela. Mas o que vou dizer “Oi, você parece uma garota tímida e nerd que pode se mostrar divertida e linda o suficiente para fazer meu melhor amigo atleta se apaixonar”. Isso não parece uma forma legal de iniciar uma conversa.             Bem, não custa tentar. Pego minha mochila e caminho até a garota como quem não quer nada. Percebendo que a mesa ao seu lado está vaga sento-me nela. Retiro da minha mochila meu caderno de anatomia e deixo propositadamente o estojo ainda na bolsa e coloco a mesma sobre a mesa. Movo os objetos dentro dela freneticamente como se procurando algo.   — Ah, d***a. Esqueci meu estojo— disse colocando as mãos na cabeça fazendo uma cena — você poderia me emprestar uma caneta — digo a garota ao meu lado lhe oferecendo meu melhor sorriso amarelo.           Atuar não é bem meu forte. Porém pareceu ser o suficiente na ocasião já que a garota removeu seus olhos do livro de código penal pela primeira vez para me encara. Ela revirou os olhos como se chateada com a minha interrupção. Ela vasculhou em seu estojo abarrotado de canetas coloridas e brilhantes pegando a mais simples e sem graça entre elas.   — Aqui — ela entregou contra gosto uma caneta preta. — Obrigada — disse incomodada com seu claro m*l humor. —Não se esqueça de me devolver — ela disse deixando implícito sua cresça de que eu não o faria.               Está garota acha que tenho algum tipo de plano sórdido de roubar canetas? Fala sério! Ela pegou a mais barata do estojo gigante e purpurinado dela. Foco-me no meu caderno disposta a escrever aquilo que ainda me lembrava da ultima aula percebendo que a caneta mais falhava do que escrevia. Sem paciência coloco a caneta na mesa da garota ao mesmo tempo que me levanto para sair dali. — Obrigada — disse apenas.           Definitivamente não vai ser essa garota. Retorno ao meu antigo lugar avaliando novamente minhas possibilidades. Uma ruiva fofa com muitas sardas. Porém, com o guarda roupa digno da boneca Anabelle. Tinha um livro sobre serial killers em mãos. Do outro lado da biblioteca, se encontrava uma morena de cabelos curtos que estava mais no celular do que lendo o livro em suas mãos. Próximo a janela se encontrava uma afro americana com um cabelo cacheado chamativo muito bonita, mas a garota ao seu lado claramente era mais do que apenas sua amiga. A maioria delas não é o tipo de garota que vejo Jake se quer tentando algo. A dura realidade é que mesmo bêbado nunca vi ele com uma garota f**a. Vazias, vadias e sem-pudor com certeza. Mas não feias. Ele tinha um tipo definido, obviamente, loiras peitudas. Sempre eram as loiras peitudas.         E bem a única loira ali, era eu.           Talvez eu tenha mais sucesso no cybercafé próximo ao campus. Lá tem algumas garotas estudiosas um pouco mais descoladas e menos tímidas. O que não era exatamente a nerd tímida dos romances, mas talvez encontrasse uma delas tentando socializar por lá.         Caminho para fora da biblioteca positiva. Vou encontrar uma garota interessante no café. Eu sinto isso. Durante o caminho percebo que o dia está realmente bonito. Está ensolarado e o clima ameno me agrada. Podia estar agora mesmo em um piquenique. Gostava de fazer isso com meu pai. Na verdade eu preparava a comida enquanto o máximo que ele fazia era comprar cachorros quentes de algum vendedor ambulante. O parque ficava perto de casa então não era grande esforço ir até lá em uma tarde como está de algum Domingo. Peguei-me questionando como ele estaria. Será que tem se virado bem sem mim? Eu sempre fazia todas as nossas refeições e cuidava de todas as tarefas de casa, já que ele trabalha muito. Meu pai é professor de história. O que não lhe fornece muito tempo livre.         Quando me dou conta já estou em frente a movimentado cybercafé. Vou me lembrar de ligar para o papai mais tarde. Agora devo focar em encontrar a mulher ideal de Jacob. O café tinha muito mais alunos que a biblioteca. O que não parecia certo já que a biblioteca tinha sem brincadeira cinco vezes o seu tamanho. A maioria dos ali presentes não pareciam estudar. Existia um grupo de veteranos em uma mesa ocupados de mais em tentar chamar atenção e em conversar sobre coisas banais em alto som. Outra mesa se encontrava três patricinhas conversando sobre uma nova coleção de bolsas. No outro canto dois garotos muito esquisitos comentavam sobre teorias de terraplanismo. Um grupo misto em uma mesa discutiam teorias sobre os próximos filmes da Marvel. E posso dizer que foi o único papo que me senti tentada a me juntar.         Porém, meus olhos se focaram na garota loira no canto com um livro chamado “girl boss” em mãos.  Ela era bonita e não haviam indícios visuais de ser uma completa maluca ou de possuir gostos peculiares como comer insetos ou qualquer outra pratica esquisita.         Gastei longos minutos pensando em uma desculpa convincente para me aproximar e evitar a cena patética de anteriormente. Entretanto, nenhuma ideia me veio à mente. Estava disposta simplesmente sentar-me ao lado dela e dizer “Oi, eu sou Payton. Isso pode parecer estranho, mas você foi a única garota que me pareceu normal nos últimos minutos”. Quando um dos garotos da mesa dos babacas que queriam atenção assumiu o lugar vago a minha frente.   — Oi gatinha — ele disse me olhando nos olhos. — Ham, oi — disse completamente perdida com seu ato inesperado. — Te vi aqui sozinha e pensei... por que não te fazer companhia— ele disse mostrando um sorriso cafajeste.           Senti-me incomodada com sua presença. Não sabia dizer exatamente pelo que...Talvez fosse pelo sorriso cafajeste, talvez por sua frase que parecia reciclada de outro momento, ou pelas risadas e comoção dos amigos dele as minhas reações.   — Ah qual é, Thomas é o melhor que pode fazer? Repetir a mesma velha cantada — minha atenção foi para a garota do livro Girl boss que tinha proferido aquelas palavras. Ela parecia impaciente. —Qual é Sara? Não estraga meu momento — o tal Thomas disse a loira. — Você acha mesmo que ela estava caindo nessa cantada barata. Ei, loirinha diga a ele que é uma péssima forma de chegar em uma garota — Sara disse fazendo Thomas voltar sua atenção a mim. —É uma péssima forma de chegar em uma garota — concordei e Sara me deu um grande sorriso de cumplicidade. Enquanto as risadas dos amigos de Thomas tomaram o lugar. Ele se levantou irritado sem dizer mais uma palavra. — Desculpe por isso, mas tive que intervir. Ele fez o mesmo comentário comigo minutos atrás — ela disse se sentando no lugar que antes Thomas ocupava. — Obrigada. Não sou muito boa em lidar com cantadas — disse honestamente. Afinal caso ela não tivesse interferido não tenho certeza de como me livraria do garoto.           Geralmente os garotos não tentam nada comigo. Não estou acostumada a receber cantadas ou uma interação com essa finalidade.   — Deve ser chato lidar com tantos babacas — ela disse. — Tantos? — questiono tomando um gole do meu cappuccino. — Com essa aparência os caras devem ser pedreiros com você o tempo todo— ela comentou. Ela estava querendo dizer que eu sou bonita? Acho que ela está só tentando ser gentil. — O mesmo com você — digo. — Comigo? Não. Eu assusto os homens. Confiante e mandona demais. É o que dizem — ela riu irônica.       Avalio ela com atenção. Tenho certeza que ela chamaria atenção de Jake.   —Você é solteira? — perguntei inibindo qualquer vergonha. —Eu sou, porque está pensando em me chamar para sair? — ela perguntou brincalhona. Bom-humor isso é bom. —Não — ri — Eu... apenas conheço um cara que você não assustaria— fui direta.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR