Ruslan No minuto em que Aurora saiu da minha vida, eu soube — com a certeza c***l de uma sentença — que tudo seria uma bagunça pelo resto dos meus dias. Ela nem sequer quis que eu a levasse até a mãe. Orgulho demais. Teimosia demais. Características que sempre admirei nela, até que se voltaram contra mim. Claro, culpei ela. Me agarrei a essa desculpa como um náufrago se agarra a uma tábua. Repeti a mim mesmo que era tudo culpa dela. Que foi ela quem virou as costas. Mas a verdade? A verdade era outra. Mais suja. Mais dolorosa. Eu menti. Eu a traí. Eu a decepcionei. E no fim, sou tão desprezível quanto o próprio pai dela. Quando voltei pra casa, sem Aurora ao meu lado, Theodoro me encarou com aquela expressão contida, fria como gelo e afiada como lâmina. — Onde está Aurora? — Foi

