Ruslan ALGUNS MESES DEPOIS Ela estava de costas para mim, parada diante da janela do quarto, os dedos acariciando distraidamente a curva arredondada da barriga. A luz do fim da tarde entrava em listras douradas pela persiana, banhando sua pele em tons quentes e suaves. Aurora. Minha Aurora. E, ainda assim, às vezes eu me perguntava se algum dia ela realmente seria. Meses haviam se passado desde que ela entrou no meu escritório e desfez cada parte fria e impenetrável de mim com um sussurro e um toque. Desde então, ela ficou. Primeiro como quem não sabia onde ir. Depois... como quem começa a esquecer o motivo de fugir. Agora, ali estava ela. Grávida do meu filho. Vestindo uma camisa minha, larga demais, que m*l escondia o ventre que crescia. Uma prova silenciosa de tudo o que vivem

