[Tyun Thaeler]
— Yejuny?! — Corri em sua direção totalmente desesperado. Sua respiração estava fraca e a sua pele estava mais fria que o normal.
— O que aconteceu com ela? — Sua melhor amiga, Moon Jiiny, disse aproximando-se de mim enquanto eu pegava-a nos braços. — Leve ela para a enfermaria daqui!
— Que mané enfermaria, eu vou levar ela para um hospital de verdade. — Caminhei em passos rápidos para a entrada da faculdade, onde meu carro estava estacionado.
Jiiny abriu o banco de trás do carro para mim, onde coloquei delicadamente a Yejuny deitada.
— Você vem? — Indaguei abrindo o banco do motorista pra mim. Em seu olhar, percebia que ela estava com medo de algo. Negou em resposta. — E depois você se diz melhor amiga de infância dela. — Adentrei o carro e liguei-o.
Pisei no acelerador sem medo algum indo para o hospital mais próximo que tinha sem ser o que o pai dela trabalhava, se não, as coisas poderiam ficar feias.
— Pode ir mais rápido... — Uma voz soou no banco de trás assustando-me. Era a mulher que me trouxe a vida. Ela segurava a Yejuny com cuidado em seus braços.
Por fim cheguei ao hospital, após passar dois semáforos vermelho, ignorar completamente as leis do trânsito, andar em zig-zag entre os carros.
Sai do carro enquanto a mulher saia também e adentrava o hospital. Peguei a Yejuny no colo vendo uma médica e um enfermeiro aproximando-se de mim empurrando uma maca. Coloquei-a na maca com cuidado e adentrei o hospital com eles.
— Aguardem na recepção por notícias. — A médica disse adentrando uma sala.
Sentei-me em uma cadeira e coloquei a mão em meu rosto, perguntando-me se eu tinha exagerado. Até poderia ter exagerado, mas quando eu vi a sua pele fria e sua respiração fraca entrei em desespero e toda preocupação é bem-vinda.
— Poderia repetir novamente? Acho que não entendi muito bem o que você disse... — Exclamei para a médica que havia atendido a Yejuny.
— Achamos resíduos de veneno em seu sangue. — Ela repetiu e eu pisquei várias vezes. — Além de marcas vermelhas em seu pescoço, uma leve lesão em seu coro cabeludo, além anemia pela falta de alimentação adequada... — Olhou-me fixamente e eu logo entendi o que estava insinuando.
— Está sugerindo implicitamente que eu que bati em minha namorada, tentei matar ela e ainda por cima não a alimentei? — Indaguei arqueando minha sobrancelha. — Se eu quisesse matar ela realmente, você acha que eu teria trazido ela pro hospital? Poupe-me doutora!
— Deixarei você conversar com ela. — Ela disse pigarreando constrangida, afastando-se de mim.
— Médica uma ova... — Resmunguei passando minhas mãos em meus cabelos adentrando a quarto onde a Yejuny estava. Ela tinha tantos inimigos que qualquer um podia ter tentado matar ela.
Puxei uma poltrona para sentar-me ao lado dela. Segurei a sua mão firmemente imaginando quem seria o culpado do envenenamento dela. Eram tantas pessoas que minha cabeça começou a doer.
Escutei um gemido baixo, fazendo-me sair dos meu devaneio. Yejuny despertou apertando suavemente sua mão contra a minha.
— Como está se sentindo? — Indaguei inclinando-me em sua direção analisando todo o seu rosto, procurando alguma expressão de dor.
— Bem... Onde estou? — Respondeu-me e indagou ao mesmo instante. — Por que estou no hospital? — Sentei na beirada da maca, ajudando-a se sentar também.
— O que você comeu hoje? — Indaguei novamente acariciando seus cabelos suavemente. — Encontraram veneno em seu sangue.
— Veneno? — Arqueou a sua sobrancelha e eu concordei. — Eu fiquei sem comer o dia todo, isso é muito estranho... — Ela disse e eu estreitei meus olhos. Então como o veneno entrou em seu corpo? Mentirosa!
— O importante é que você está bem agora, depois eu descubro quem foi a pessoa. — Murmurei encostando minha cabeça na sua. — Agora quem foi a pessoa que apertou seu pescoço?
— Então... — Pigarreou afastando-se de mim sorrindo lerdo. — Isso é uma história complicada que não tem tanta importância mencionar!
— A pessoa deixou uma marcar vermelhíssima em seu pescoço. Se eu não te conhecesse, pensaria que você teve um sexo sadomasoquista. — Exclamei e ela arregalou os olhos com meu comentário.
— Credo Thaeler. — Ela disse fazendo uma breve careta, deixando-me confuso.
— Estou mentindo? Parece mesmo que você... — Não me deixou terminar a minha frase, pois selou nossos lábios rapidamente. — Se eu continuar a fala vai me calar dessa maneira novamente?
No mesmo dia a Yejuny recebeu alta, após a maldita médica ter chamado a polícia pensando que eu era a pessoa que estava tentando matá-la. A Yejuny negou que não foi eu, a médica continuou desconfiada, mas liberou nós passando algumas vitaminas pra controlar sua anemia.
— Maldita, se um dia eu vim nesse hospital e ela apareceu vou negar e pedir outro médico mais competente que ela. — Resmunguei abrindo a porta do carro para a Yejuny. Dei a volta e adentrei o banco do motorista. — Pra sua casa?
— Hm... Pode ser! — Respondeu-me e eu percebi que ela estava relutante.
Dei partida no carro e coloquei-o em direção a minha casa e não a dela. Não sabia o motivo dela não querer ir para sua casa e nem iria perguntar, apenas irei esperar ela contar pra mim no tempo dela.
Era perceptível que não estávamos indo para sua casa, mas ela não questionou nada, apenas continuou calada olhando para a janela fixamente. Era preocupante ver ela daquela maneira, mas não tinha muito o que fazer se ela não me contar o motivo de estar agindo daquela maneira.
Após alguns minutos, estacionei o carro em frente à minha casa depois de passar pelo o segurança. Desci e fui em direção a porta da Yejuny, mas antes ela abriu e desceu olhando em volta.
— Nunca vou me acostumar com você morando em um bairro extremamente chique como esse. — Ela disse e eu soltei uma risada baixa, coçando a minha nuca.
— Só vim morar comigo que irá se acostumar logo, logo. — Exclamei piscando indo em direção a porta. — Bem-vinda a toca do amor! — Abri a porta pra ela.
— E nela vai ter você? — Ela indagou aproximando-se de mim com uma sobrancelha arqueada.
— Lógico, o quanto você quiser e na hora que você quiser. — Respondi-a enquanto ela começava a rir e entrava a casa. — Você quer um tour pela casa ou quer descobrir por conta própria?
— Acho que por conta própria é mais divertido! — Ela disse e eu concordei fechando a porta atrás de mim, observando-a subir as escadas para o segundo andar.
Fui em direção a cozinha estilo americana com o celular em minhas mãos, pedindo alguma coisa para que eu e a Yejuny pudesse comer. Acabou que eu pedi duas pizzas uma de calabresa e a outra de brigadeiro.
— Por que tem um closet só com roupas femininas? — Yejuny apareceu encostando-se na bancada.
— Pra você quando vier aqui... — Respondi-a bloqueando a tela do meu celular para encará-la. — Gostou?
— Eu também estava mexendo e encontrei isso... — Ergueu uma caixinha de veludo. Arregalei os olhos e tentei pegar, mas ela desviou sorrindo. — É um belo anel? É pra mim?
— Devolve! — Exclamei ainda tentando pegar, mas ela continuava desviando. Segurei a sua cintura fortemente e joguei-a no sofá, ficando por cima dela. — Obrigado! — Peguei a caixinha de suas mãos enquanto ela se mantinha em choque. — Curiosa, era pra olhar a casa e não as coisas dentro das gavetas.
— Tem outras joias escondidas por aí? — Indagou levantando-se e indo em direção a escadas. Xinguei-a mentalmente e segurei a sua cintura antes que ela subisse as escadas, empurrando-a contra a parede. — Deve ter!
— A curiosidade matou o gato... — Sussurrei completamente rouco próximo de seu ouvido, sentindo-a arrepiar.
— Não tenho medo da morte... — Retribuiu o sussurro próximo ao meu ouvido, fazendo-me sorrir. — Me puna!
— Quem sabe na próxima! — Afastei-me dela antes que eu perdesse a minha sanidade com suas provocações.
— Ficou medo?! — Sorriu de uma maneira lerda pra mim, aproximando-se de mim enquanto eu me afastava dela. Sentei-me no apoio do sofá ao ver que não tinha por onde escapar. — Que gracinha, está se contendo!
— Você não presta mesmo... — Resmunguei e ela gargalhou pegando a caixinha de veludo das minhas mãos.
— É meu? — Indagou e eu arqueei minha sobrancelha pegando de suas mãos novamente.
— Se a gente namorasse, era seu, mas como a gente não está junto, não é seu. — Pisquei e ela me olhou incrédula. — Não adiante me xingar, você que disse que a gente não tinha nada!
— Falou o que não devia Tyun Thaeler. — Ela disse e eu pisquei várias vezes tentando entender o que eu fiz de errado.
— Falou para o seu pai que estaria aqui? — Mudei de assunto antes que eu apanhasse dela sem saber o motivo.
— Mais ou menos. — Murmurou sentando-se no sofá. — Não pensei muito bem antes de agir e isso provavelmente vai dar problemas pra ele.
— Quando quiser me contar, estarei aqui, mas enquanto isso, vá banhar. — Exclamei depositando um selar no topo de sua cabeça e ela concordou indo em direção as escadas.
Sentei-me no sofá e abri a caixinha de veludo encarando o anel que eu havia comprado no mesmo dia em que eu fui trazido a vida, mas infelizmente não havia surgido uma boa oportunidade para dar pra ela e agora a filha da mãe descobriu que eu o tinha.
— Vai demorar eu dar você a ela! — Exclamei encarando o anel com um sorriso de lado. Fechei a caixinha e peguei meu celular ao meu lado.
Passaram-se alguns minutos e eu subi as escadas para falar novamente à Yejuny que as roupas do closet são todas delas e caso se sentisse desconfortável, podia usar as minhas, não me importava de maneira alguma.
— Yejuny, você pode pegar as roupas que quiser no clos... — Adentrei o quarto sem ao menos bater na porta, encontrando-a no meio do cômodo com uma toalha enrolada ao seu corpo e pequenas gotas de água pela parte exposta. Engoli o seco e olhei-a de cima embaixo. — As roupas... São suas... — Virei de costas e sai do quarto rapidamente.
Retornei para a sala com o coração batendo rapidamente pela a visão maravilhosa que eu tive dela e os pensamentos que haviam surgido em minha memória. Sentei no sofá e coloquei as mãos em meu rosto, tentando controlar-me.
— Só tem roupa de marca? — Escutei a sua voz no cômodo, fazendo-me tirar as mãos do meu rosto. Ela usava um short moletom e uma blusa de frio da Gucci.
— Ficou bonita, deu uma áurea mais poderosa pra você! — Exclamei levantando-me do sofá e indo em sua direção. — Você combina mais com coisas caras e eu lhe darei-as. — Afaguei seus cabelos e subi as escadas com a caixinha de veludo em minhas mãos.
Antes de tudo, adentrei meu closet e abri uma das gavetas que era destravada com minha digital. Lá havia tudo que eu pretendia dar pra a Yejuny no decorrer do tempo que em ficarmos juntos. Coloquei a caixinha lá dentro, tranqueia-a novamente e fui ao banheiro.
Despi-me e adentrei a banheiro após encher. Estava me sentindo um tanto nervoso sozinho com a Yejuny em minha casa, mas eu tentava não demonstrar isso para ela, pois seria provável ela não vir mais.
Após alguns minutos terminei meu banho, enrolei uma toalha em minha cintura e peguei outra pra secar meus cabelos, sai do banheiro indo ao closet. Vesti uma cueca box e uma calça moletom também, logo escutando a campainha tocar.
Sai rapidamente do closet e em seguida do quarto, desci as escadas pra ver quem era. Era a entrega da pizza. Peguei minha carteira em cima da mesa de centro.
— Eu pego! — Exclamei aparecendo atrás da Yejuny segurando a sua cintura, enquanto ela me olhava de cima embaixo. Ela deu espaço pra mim. Paguei o entregador e peguei as pizzas.
Fechei a porta percebendo que ela me encarava com o lábio inferior presos entre seus dentes.
— Que foi? — Indaguei soltando um gargalhada um tanto constrangido pelo o modo que me encarava. — Vamos subir! — Fiz um gesto para cima.
Fomos em direção ao meu quarto, onde eu coloquei as pizzas em cima da cama e fui para o closet vestindo uma blusa. Peguei os dois controles, um era da televisão e o outro uma surpresa para ela.
— Que estilo de filme você prefere? — Indaguei novamente sentando-me. Liguei a televisão e ela continuava a me encarar. — Você está me encarando demais... Pode não parecer, mas eu sou tímido!
Yejuny inclinou-se em minha direção e depositou um selar demorado em meus lábios, afastando-se levemente corada. Inspirei fundo e segurei o seu rosto entre minhas mãos, aproximando nossos rostos. Controla-se Thaeler!
— Uma dica... — Sussurrei com nossos lábios encostado. — Nunca beije um menino em seu quarto enquanto estão sozinhos, principalmente, quando ele te deseja mais que tudo! — Sorri depositando um selar em sua testa.
Comemos as pizzas enquanto assistíamos filmes qualquer que estava passando na televisão. Na realidade, a gente nem prestou atenção no que estava acontecendo ou passando, apenas conversamos muito.
Era aproximadamente quase uma da manhã, as luzes do quarto estavam desligadas juntamente com a televisão, e mesmo assim, a gente ainda continuava a conversar no escuro.
— Tenho uma surpresa pra você... — Exclamei e peguei o segundo controle que estava debaixo do meu travesseiro. Era um botão único e assim que eu o cliquei, o teto do quarto começou a se mover, revelando outro de vidro e fazendo com que a Yejuny gritar, aproximando-se mais de mim.
— Que lindo... — Ela disse encantada. Finalmente por conta da luz da lua eu podia vê-la. — É simplesmente perfeito, Thaeler! — Apoiei-me em meu braço, observando-a com um sorriso de lado em meus lábios e um tanto apaixonado.
— Fico feliz em saber que gostou! — Murmurei e ela me encarou sorrindo largamente. — Você não faz ideia do quanto meu coração fica feliz e aquecido quando sorri dessa maneira pra mim! — Corou escondendo seu rosto.
Conversamos mais um pouco e quando me dei conta, ela havia adormecido bem próxima de mim. Acariciei seu rosto suavemente, aconchegando-me a ela. Peguei o controle e fechei o teto, para que pudéssemos dormir tranquilamente.
[06:30AM]
Acordei com o barulho de algo caindo no chão no andar debaixo. Abri meus olhos lentamente percebendo que eu estava abraçado a Yejuny. Afastei-me dela lentamente e sai do quarto pra ver o que causou a queda, encontrando a Nana, a mulher que me trouxe a vida na cozinha.
— Bom dia! — Ela disse e eu sorri de lado fazendo uma breve reverência. — Só vim aqui avisar que hoje você será anunciado oficialmente como CEO da empresa KT.
— Motivo disso mesmo? — Indaguei pegando um copo e enchendo de água gelada. — Ninguém precisa saber que eu sou o CEO de uma empresa.
— As pessoas não param de perguntar quem é o CEO. Tem até hashtag pra descobrir quem é a pessoa que início uma empresa do zero e em apenas um mês, tornou-a mais importante de Seoul. — Ela respondeu-me e eu revirei os olhos.
— Estou tranquilo sem ninguém saber que eu sou o CEO, e também não posso deixar a Yejuny sozinha, principalmente depois do envenenamento. — Exclamei dando os ombros como resposta colocando o copo dentro da pia.
— Você tem uma grande influência sobre ela, Thaeler, tenta convencer ela de trancar a faculdade de Enfermagem. Vai ser melhor pra ela, pois em seu futuro, mesmo concluído a faculdade não está exercendo a profissão. — Ela disse e eu arqueei minha sobrancelha.
— Por que não me conta logo todo o futuro dela? — Resmunguei passando as mãos em meus cabelos.
— Porque o futuro é incerto. As pequenas coisas que ela fazer pode alterar completamente o seu futuro, por isso que não te conto. — Ela disse sentando na cadeira da bancada. — Tenta colocar ela como sua secretária na empresa ou algo similar.
— Ela é uma mulher independente, tem que ter a liberdade de escolher o que quiser. — Exclamei inspirando fundo. — E também ela já está quase terminando, se não exercer a profissão, eu cuidarei dela e ajudárei-la no que quiser!
— Ela tem sorte de ter você... — Ela disse sorrindo olhando para o teto. — Falando nela, acabou de acordar e eu vou indo! — Sumiu do cômodo.
— Eu que tenho sorte de ter ela! — Murmurei pra mim mesmo sorrindo largamente de uma maneira que deixava bem óbvio que estava apaixonado.