O Quase Beijo

1172 Palavras

O sol já se punha quando André atravessava o pátio silencioso do convento. O céu tingia-se de laranja e púrpura, mas para ele a beleza parecia um lembrete c***l: mesmo em meio à graça divina, sua alma estava em guerra. A lembrança do toque de Valesca queimava-lhe a mão como ferro em brasa. Ele tentava rezar, buscava nas Escrituras refúgio, mas cada palavra se embaralhava com a lembrança dela, com os olhos desafiadores, com o sorriso insinuante. Naquela noite, decidiu passar mais tempo no confessionário. Talvez ouvir as dores alheias aliviasse as suas. Talvez mergulhar no sofrimento dos outros fosse a única maneira de calar a própria consciência. Sentou-se no cubículo estreito, a luz fraca da vela projetando sombras sobre a madeira escura. Respirou fundo, ajeitou a batina e esperou. Não

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