Correntes Invisíveis

1395 Palavras

A rotina de André parecia igual a de sempre: missa ao amanhecer, confissões durante a tarde, visitas aos enfermos no final do dia. Mas, por trás da disciplina rígida, havia uma rachadura que crescia em silêncio, abrindo espaço para algo que ele não queria admitir. Desde o beijo roubado por Valesca, seu corpo não obedecia mais da mesma forma. As orações que antes fluíam leves agora se arrastavam, misturando-se com imagens proibidas. Ele tentava afastar da mente a lembrança do toque dos lábios dela, mas cada detalhe insistia em voltar — a respiração quente, o perfume doce e provocante, o olhar carregado de desafio. André se levantava no meio da noite, banhado em suor, como se tivesse cometido um crime irreparável. “Perdoa-me, Senhor, pois sou fraco”, murmurava de joelhos, as mãos firmes no

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