O Veneno do Beijo

1505 Palavras

A madrugada ainda se estendia preguiçosa sobre a pequena vila. O vento frio carregava o cheiro úmido das pedras e das flores do jardim da igreja. André estava acordado, embora tivesse deitado cedo. O sono havia se tornado artigo raro desde que Valesca passara a rondar seus pensamentos como sombra inseparável. Ele se levantou, caminhou pela sacristia em silêncio e tentou encontrar paz na repetição das orações. Mas toda vez que fechava os olhos, via o rosto dela. O sorriso, o toque breve do beijo proibido, os olhos que brilhavam como quem sabia que dominava um segredo capaz de destruir sua fé. “Eu não posso mais permitir que isso continue”, repetia mentalmente, como se fosse um mantra. Ainda assim, algo nele vacilava. Porque, no fundo, ele não queria esquecer. O domingo trouxe consigo a h

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