Capítulo 5 – Coisas tão complicadas I
Charlotte Lionett
O trajeto para aquela maldita faculdade de medicina parecia uma eternidade e eu já estava ficando nervosa. Finalmente idealizei todo o meu plano de fuga em minha mente e estava pronta para coloca-lo em prática, agora era só esperar chegar naquele inferno.
Agitei meus pés enquanto olhava o relógio de pulso e suspirei pesadamente.
- Pai, ainda estamos muito longe? – Perguntei tentando disfarçar meu nervosismo.
- Não. Estamos quase chegando.
- Mas porquê tanta pressa, Charles? – Maya me olhou desconfiada porque ela sabia o quanto eu odiava a ideia de ir para aquela faculdade.
- Nada. É só que acho que estamos ficando um pouco atrasados.
- Não se preocupe Charlotte, nós não estamos atrasados. – Minha mãe me olhou, tentando me acalmar com aquela voz doce que eu adorava.
- Mas você está com pressa para chegar na faculdade? Isso até parece um milagre. O que você acha da ideia da gente comprar fogos de artifício para lançar esta noite e festejar esse milagre? – Meu pai debochou enquanto me olhava através do retrovisor e eu sorri falsamente para ele.
- George! – Minha mãe o repreendeu e em seguida me encarou. – Você está com algum problema, querida?
Eu neguei com a cabeça e encarei a janela.
- Não, está tudo bem. – Suspirei.
*****
Emir Rogers
Depois que chegamos à escola de artes, Anthony, Noah e eu, nos despedimos de John que foi se apresentar para a diretora e seus colegas. Também nos despedimos de Megan que foi encontrar umas amigas. Fomos em rumo do jardim e nos sentamos em um banco. Anthony começou a ler um livro, Noah começou a conversar com um grupo de alunos que vieram felicitá-lo pelo sucesso da banda e também pedir alguns autógrafos. Como eu não queria conversar com ninguém, tirei meu Ipod do bolso dos jeans, coloquei meus fones e balancei minha cabeça enquanto ouvia música eletrônica. Não sei porquê, mas eu estava me sentindo nervoso e eu não era de me estressar assim para algo que estivesse relacionado com a música.
- Emir! – A voz de Noah soou arrastada, pois minha música estava muito alta. – EMIR! – Ele gritou e eu tirei meus fones para olhar para ele.
- Quê?
- Estou aqui te chamando faz 2 minutos e você não ouvia. Aquele grupo queria seu autógrafo e como você estava aí no seu canto, eles decidiram não insistir.
Dei de ombros.
- Estava aqui curtindo uma música eletrônica, me desculpe, não notei que tinha gente por perto.
- Você está nervoso, Em?
- Um pouco. – Dei de ombros de novo.
- Emir Rogers nervoso? – Ele gargalhou. – Acho que nunca vi você nervoso por causa de algo que estivesse relacionado com a música.
- Mas eu não estou nervoso por causa disso.
- Então porquê? Está com medo de não conseguir conciliar as aulas com o trabalho com a banda?
- Não.
- Então, cara?!
- Noah, eu tenho medo que você não passe nessa audição. – Ok, aquilo soou um pouco gay, mas era verdade.
- QUÊ?!
*****
Charlotte Lionett
O carro parou em frente a um edifício bastante moderno e branco e eu vi a quantidade de alunos entrando dentro dele.
- Até mais, mãe e pai. – Maya sorriu enquanto abria a porta do carro.
- Tomem cuidado. – Meu pai falou.
Cuidado?! Como se eu fosse uma criança de 8 anos ou como se tivesse uma praga dentro dessa escola. Fiz o máximo esforço para não revirar os olhos e abri a porta do carro. Acenei para meus pais e assim que o carro se distanciou, eu parei na entrada da faculdade e fingi procurar algo na minha bolsa.
- Não vai entrar, Charlotte? – Minha irmã parou do meu lado e me olhou seriamente.
- Eu já vou. Estou só procurando uma coisa dentro da minha bolsa. – Sorri e fingi buscar meu celular dentro da minha bolsa.
- Tanta pressa e afinal… você é chata quando quer… - Minha irmã revirou os olhos e em seguida entrou dentro da faculdade.
Olhei para dentro da entrada da faculdade e esperei minha irmã se distanciar. Vi que ela entrou dentro de uma sala nos fundos e assim que o caminho estava livre, eu fechei minha bolsa e corri para fora da propriedade. Eu estava ficando atrasada e eu não podia perder mais tempo. Como diz o velho ditado: “O tempo é demasiado curto para quem precisa dele”.
*****
Emir Rogers
- Nossa Emir, agora sou eu quem está nervoso e tudo por culpa desse seu comentário. – Noah se levantou de onde estava sentado e me encarou sério.
- Mas então o que você acha da ideia de tocarmos “Sunshine Sweet” na apresentação? Acho que o júri vai gostar.
- Você enlouqueceu, Emir? Ainda precisamos trabalhar muito nessa música.
- Sempre podemos tocar “Liars to death”, é uma música súper ritmada e tenho a certeza que conquistaremos esse júri.
- Hum… - Noah deu de ombros. – Eu só não entendo porquê que a gente sendo alunos antigos dessa faculdade, temos que fazer essa audição i****a para ver se podemos frequentar a escola…
- John falou que são as novas regras e que a diretora as criou assim. – Falei em tom de indiferença. – Posso escrever para Ray se encontrar com a gente aqui na faculdade para fazermos a nossa audição?
- Tudo bem.
- E posso falar para John e Max que vamos tocar “Liars to death”?
- Eu não sei se essa música vai funcionar Emir, todo mundo parece ser bastante rigoroso aqui.
Bufei impaciente.
- Pelo amor de Deus Noah, A GENTE É O TEARS OF DARKNESS!
- Ok! – Suspirou.
- Se não quiser, sempre tem a opção de se apresentar sozinho. Já que isso é uma escola de artes performativas, você pode sempre dançar. – Debochei, pois eu sabia que ele odiava dançar.
- Dançar? Eu? Só se eu estivesse muito bêbado.
- Ou representar.
- i****a, isso é coisa de mulher que adora fazer drama. Ficamos com “Liars to death” e negócio fechado. Pode avisar os outros. – Noah falou num tom decidido e eu peguei no meu celular, rindo da palhaçada dele.
*****
Charlotte Lionett
Corri pelas ruas movimentadas de Los Angeles em rumo da escola de artes e eu tinha apenas uns 15 minutos para chegar lá ou eu perderia a chance da minha vida. Enquanto corria pela baixa LA, quase derrubei algumas pessoas que reclamaram devido à minha pressa. Quase me controlei para não mostrar o dedo do meio para essas pessoas, pois eu não poderia perder meu tempo com elas agora. Dobrei na esquina e avistei o grandioso edifício que ia fazer parte da minha vida nos próximos meses. Corri mais um pouco e olhei meu relógio de pulso, ainda tinha alguns minutos. Mas porquê que eu não insisti com meu pai para trazer meu carro?
Parei finalmente na entrada, tentando recuperar algum fôlego, respirei fundo e finalmente entrei. Era tudo tão diferente dos lugares onde eu estudei, aqui as pessoas eram mais livres, diferente dos colégios caros que meus pais me obrigavam a ir, e aqui eu pelo menos não era obrigada a usar uniforme todos os dias. Olhei em volta e vi alguns dos alunos ensaiando para suas audições e muitos deles eram muito bons. Havia de tudo, músicos, bailarinos, atores… Estava até parecendo o aquele programa famoso de música.
Continuei andando pelos corredores um tanto coloridos até achar um banheiro próximo e assim que achei o banheiro feminino entrei. Eu não podia fazer minha audição naquele estado, vestida como se fosse para um consultório médico e também não queria que achassem que eu fosse alguma nerd ou alguma coisa do gênero. Entrei num dos compartimentos de porta vermelha, tirei aquele blazer clássico, ficando apenas de top vermelho, tirei aquelas sandálias rasas e calcei meu par de All Star vermelhos que tinha dentro da minha bolsa. Desfiz aquele r**o de cavalo, passei a mão pelo meu longo cabelo preto e volumoso, fazendo ele ficar meio rebelde e finalmente coloquei aquelas sandálias e o blazer dentro da minha bolsa. Quando estava pronta, me preparei para sair do compartimento, mas quando ouvi duas vozes entrando no banheiro fechei a porta, pois uma delas me pareceu ser muito familiar. Se essa pessoa fosse quem eu estava pensando, ela não podia me ver ali.
- Não Emily, claro que não estou nervosa, antes pelo contrário, estou muito descontraída. – A dona da voz que eu achei familiar falou.
- Você não se preparou para essa audição, Jennifer? – A tal de Emily falou.
- Claro que não gata. Eu Jennifer Van de Night sou o talento em pessoa, você vai ver. Tenho a certeza que no final desse ano eu serei uma das vencedoras das duas bolsas de estudo para o estágio na Broadway.
Droga. Eu não podia acreditar que essa era a Jennifer Van de Night, aquela garota que eu sempre odiei em toda minha vida, desde quando éramos pequenas. Jennifer era filha do diretor do hospital onde meu pai trabalha e nós estudámos juntas no mesmo colegial desde pequenas. Essa garota era um tanto cínica e sempre me fazia a vida n***a.
Abri um pouco da porta do compartimento e fiquei a escutar a conversa delas duas, talvez elas acabassem por ir embora.
- Você acha mesmo que vai ganhar uma das bolsas?
- Mas é claro! Se não ganhar é uma perda de tempo para mim estar estudando nessa faculdade.
Sério, ela era i****a demais e continuava a mesma fútil de sempre.
- Adorava ter toda essa sua confiança, Jenny.
A outra sorriu.
- Vamos. Já estamos ficando atrasadas. – A i****a pegou sua bolsa e as duas saíram do banheiro.
Saí finalmente do compartimento e ainda não queria acreditar que Jennifer de Night estudará aqui. Eu só podia ter muito azar na minha vida, primeiro meus pais que me inscreveram naquela faculdade i****a, segundo por ter perdido o contacto com Emir depois daquela festa, e terceiro essa i****a irá estudar aqui.
*****
Emir Rogers
Entrámos na sala de audições, pois antes de cada um se apresentar a gente tinha que fazer nossas apresentações pessoais. Como era de se imaginar, os alunos presentes estavam meio eufóricos por nos verem ali, mas nada se comparava com as reações das garotas que quase babavam em cima da gente. A diretora entrou finalmente na sala, acompanhada pelos júris e ocuparam seus lugares. As apresentações individuais começaram.
- Bom dia, meu nome é Megan Illinois e sou cantora e bailarina. – Sorriu.
- Seguinte, por favor.
- Bom dia. Emir Rogers e sou… - Não terminei de falar, pois naquele momento fui interrompido por duas garotas que entraram no salão como se estivessem desfilando. A de cabelo escuro, que se achava o último pacote de bolachas americanas do universo me empurrou e se colocou na minha frente, segurando no microfone.
- Meu nome é Van de Light, Jennifer Van de Light. – Ela falou sedutoramente e passou a mão pelo cabelo. Mas quem ela pensa que é?
Todo mundo começou rindo e o júri ficou furioso com a atitude dela.
- Por favor senhorita Van de Light, você vai esperar a sua vez de se apresentar. Agora vá para os fundos da sala. Obrigada. – A mulher elegante que pertencia ao júri falou o mais educadamente possível e a garota obedeceu, empurrando todo mundo enquanto ia em rumo dos fundos do salão. – Bom, a onde é que a gente ia?
- Meu nome é Emir Rogers, sou profissional na música e estou aqui para terminar minha formatura. Tenho três aulas que preciso terminar esse ano. – Falei seriamente e a júri sorriu para mim.
- Seguinte.
- Hey. Sou Noh Noh e estou na mesma situação aqui que meu melhor amigo Emir. – Noah falou em tom de brincadeira e o júri principal arqueou uma das sobrancelhas.
- Noh Noh e mais quê?
- Só assim, ou Noh como preferirem. É assim como meus amigos e companheiros de banda me chamam. – O garoto moreno continuou sorrindo.
- Noh? – A mulher tentou segurar o riso.
- É, Noh.
*****
Charlotte Lionett
Depois de ter saído do banheiro, fui em rumo do jardim, para ver se encontrava alguém que me indicasse onde era o local onde os alunos tinham que se apresentar para a audição. d***a, isso não podia estar acontecendo, não tinha ninguém em lado algum e eu já estava começando a me desesperar.
Caminhei pela grama verde até perto da fonte e encontrei uma garota meio gótica sentada na mesma enquanto ouvia heavy metal e tentava tocar algo no seu violão.
- Hey! – Eu chamei por ela e ela nada. – Garota, me desculpe. Oi. – Ela finalmente me olhou e tirou o fone do ouvido. – Você sabe onde eu posso encontrar o local onde fazem as audições para entrar na faculdade?
- Quê? – Ela pareceu não ter ouvido o que eu perguntei.
- Se você sabe onde eu posso fazer a audição? – Falei já impaciente.
- Ah sim, quer dizer não, eu vim com uns amigos, mas eles foram embora. d***a, mas onde é que eles foram?! – Ela parecia súper nervosa e eu revirei os olhos, saindo dali, em seguida.
Parece que eu terei que procurar pelos meus próprios métodos.
*****
Emir Rogers
- Noh Noh é como meus amigos me chamam, desde pequeno que eu tenho esse apelido, nem sei direito de onde ele surgiu, mas enfim. – Noah continuava falando e eu já estava ficando nervoso. Esse cara consegue ser i****a de vez em quando.
- Me desculpe, mas a gente precisa do seu nome verdadeiro. – O júri mais novo falou pacientemente.
- Ah, mas que eu saiba a há uma cantora que tem outro nome e chamam ela de Ga qualquer coisa, porquê que eu não posso ser chamado de Noh ou de Noh Noh?
Todo mundo começou rindo e eu bufei de impaciência.
- O nome dele é Noah Archin. – Falei seriamente e ele me cutucou, furioso.
- Aqui está o nome dele. Como disse irá apenas frequentar algumas aulas, não é?
- É. – Noah falou ainda me encarando furioso.
O pessoal presente no salão continuou se apresentando e no final, antes de sairmos, os júris ainda nos deram algumas informações.
- Vocês serão o grupo de idade mais avançada da escola e as vossas audições começarão em breve, é só esperarem lá fora. – O júri mais jovem falou e assim que nos preparámos para sair novamente do salão, a mulher nos impediu.
- Não se esqueçam que a prova será livre, vocês têm o direito de fazer o que quiserem, mas só podem representar, cantar ou dançar ok?
Todos assentiram e quando eu me preparei para sair da sala, eu ouvi uma voz feminina que eu conhecia de algum lugar.
- Me desculpem, será que eu posso entrar?
Eu olhei para ver a dona daquela voz doce e me deparei com Charlotte entrando no salão. Meu estômago revirou só de sentir a presença dela.
- Claro. Mas você está muito atrasada. – A mulher do júri falou.
- Eu sei, me desculpe, mas eu tive um contratempo.
- Tudo bem. – Ela suspirou e remexeu nos seus papeis. – Como é que você se chama?
- Charlotte. Charlotte Lionett. – Falei nervosa.
- Charles? Por aqui? – Aquela tal de Van de Light falou enquanto olhava de cima para baixo para Charlotte e ela ignorou a sua presença.
- Charlotte Lionett… sim, aqui está. – Ela sorriu para a dona dos olhos lindos. – Estão dispensados, agora é só aguardarem a vossa vez.
- Esperem. – O júri mais novo falou. – Eu quero recomendar para todos vocês que sejam naturais e vocês próprios em suas prestações, ok?
Todo mundo assentiu e começaram a sair aos poucos e eu fiquei quase sozinho com a dona daqueles lindos olhos azuis que me enfeitiçaram no dia daquela festa. Me aproximei dela e segurei o braço dela, fazendo com que seu olhar se pousasse sobre mim.
- Eu sabia que um dia nos voltaríamos a encontrar. – Sorri nervoso para ela e ela não disse nada, apenas sorriu para mim, soltou seu braço das minhas mãos com cuidado e deu as costas para mim, indo em rumo da saída.
Ok, não era esse tipo de reação que eu esperava da parte dela.
*****
Narrado na 3ª pessoa
Apartamento Lionett – 11h…
TRRRRRRRRRRRIIIIIIIIIIIIIMMMMMM!
O telefone de casa do luxuoso apartamento da família Lionett tocou e a bela mulher elegante de 42 anos correu para atender o mesmo.
- Alô? Sim, daqui é Claire Lionett. – Ela ouviu atentamente o que a pessoa do outro lado da linha estava falando e uma sensação de pânico invadiu seu corpo. – Quê? Como assim?... Não, eu juro que eu e meu marido acompanhámos ela e sua irmã na faculdade, é impossível Charlotte ter desaparecido… - Ela quase chorou e ouviu novamente o que a pessoa do outro lado falava. – Oh meu Deus, não entendo o que poderá ter acontecido com minha filha… Ok, muito obrigada Sra. Laik. Até mais.
A mulher jogou o telefone contra o sofá e mais uma vez o desespero invadiu seu corpo, ela não queria acreditar no que acabara de ouvir e ela começou pensando no pior.
Correu em rumo do seu quarto para buscar o celular, discou o número do marido e segundos depois ele atendeu. Claire deu início à conversa, sem saber exatamente o que falar até que ela foi direta ao assunto e contou o que estava acontecendo.
- Desapareceu?! – George já estava dirigindo de volta para casa. – Como assim desapareceu?
- Não sabem, ninguém soube me dar uma justificação concreta. Charlotte tinha que se apresentar num exame de conhecimento de matemática e como ela não apareceu, a professora pediu para a diretora me ligar.
- Mas isso é impossível Claire!
- George, a professora disse que Charlotte não foi no exame! – Ela agora chorava desesperada. – Maya também não sabe onde é que ela está e ela me disse que acha que Charlotte nem chegou a colocar os pés dentro da faculdade.
- Isso não pode ser verdade. Você já tentou ligar para ela? – George estava perdendo a paciência.
- Ela não atende…
*****
O celular dela começou tocando dentro da sua bolsa, talvez fossem Amy ou Megan a perguntarem como estava correndo o primeiro dia de aulas dela já que nem uma nem a outra sabiam o que Charlotte tinha em mente.
A morena pegou o celular e os nervos percorreram pelo seu corpo ao ver o nome do remetente da ligação. Seu pai estava ligando e nada parecia ser pior do que isso. Ela suspirou fundo e guardou o celular dentro da bolsa, na espectativa que ele deixasse de insistir a qualquer minuto.
******
- Mas onde é que ela está? – George adentrou o luxuoso apartamento em passos muito apressados. – Charlotte não atende o celular e eu já estou ficando louco com tudo isso!
- Se aconteceu algo com a minha filha eu… - A mulher estava agora mais calma.
- Se não aconteceu meu amor, vai acontecer porque isso não vai ficar assim, não vai não. Charlotte vai ter o que merece.
A mulher agitou a cabeça em sentido de reprovação.
- Não diga isso, George… E se ela… E se ela foi sequestrada ou algo parecido?
- Sequestrada? A Charlotte? Pelo amor de Deus meu amor, nós vivemos em Los Angeles não num país de terceiro mundo. – O homem bufou. – Não se lembra que ela estava com pressa de ir para a faculdade? – Claire fez uma expressão pensativa. - Claro, agora tudo faz sentido. Se ela ia com pressa para a faculdade é porque ela já tinha um plano idealizado naquela cabeça.
- É, ela de fato estava agindo de um jeito esquisito essa manhã.
- E como é que eu não suspeitei logo? – Ele começou andando em círculos pela sala. – E o pior é que ela nem atende o celular!
- Eu estou tão desesperada. – Lágrimas voltaram surgindo nos olhos de Claire.
- Eu estou mais que desesperado! Eu só quero saber a onde é que essa garota está! Tenho a certeza que ela deve estar aí em algum lugar bebendo.
- Ah por favor, George! – Claire se levantou do sofá, furiosa. – Não fale assim da Charlotte, ela nunca nos deu problemas!
- Claire, a nossa filha é uma garota como as outras e eu sei o que as garotas da idade dela fazem! Se a gente não tivesse educado nossas filhas como educámos, eu tenho a certeza que ela andaria todos os dias em festas, fazendo o que quer como uma v***a.
- Não seja desagradável e eu muito menos admito que você fale assim da minha filha! – Ela o encarou ainda mais furiosa e ele sorriu sarcasticamente. A expressão de rosto da Claire mudou para uma preocupada quando ela pegou numa foto de família que eles tiraram na Florida faz uns dois anos. – A onde é que você está filha?
*****