capitulo 3

734 Palavras
Ponto de vista de Louis Eu estava deitado na minha cama, encarando o documento que mudaria minha vida e que o médico havia me entregado. — Eu estou morrendo — sussurrei. As palavras pareciam irreais. As incontáveis dores de cabeça tinham sido sinais de alerta. O sangramento nasal, a fraqueza... meu corpo estava praticamente gritando o tempo todo que havia algo errado. Eu simplesmente presumi que fosse estresse. Agora eu sabia que estava errado. Olhei ao redor do meu quarto e balancei a cabeça. — Eu vou sentir falta disso. Meu olhar caiu sobre uma foto emoldurada de Blaine e eu. Éramos mais jovens, cobertos de lama e sorrindo como dois idiotas depois de uma das nossas muitas tentativas de arrumar confusão. Nossos sorrisos eram radiantes, apesar de tudo. Naquela época, a vida era simples. Leve. Feliz. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Eu a enxuguei rapidamente. Meu olhar passou para outra foto. Minha família. Mamãe e papai estavam atrás de nós, sorrindo. Jake e Jade corriam atrás de uma bola. Bryan parecia não estar nem um pouco interessado em tirar aquela foto, mas até mesmo em seu rosto havia um pequeno sorriso. Então meu olhar caiu sobre a foto da nossa viagem à praia. Mamãe e papai me seguravam enquanto eu tentava chegar à água. Sorri com a lembrança. Então meu peito apertou. — Mãe... Minha voz falhou. — Quem vai cuidar de você quando eu não estiver mais aqui? Mais lágrimas escorreram pelo meu rosto. Eu tinha apenas três meses. Três meses para me tornar indispensável. Três meses para criar memórias que eles jamais esqueceriam. Passei a mão pelo rosto e me levantei. — Então preciso parar de chorar e começar a me preparar. Olhei para o meu reflexo no espelho. — Eu estou morrendo. Então não vou ficar aqui sentado, definhando, como o Bryan pensa. Minhas mãos se fecharam em punhos. — Vou provar que ele está errado. Eu também consigo estudar bastante. Peguei o diário que mamãe havia me dado e o abri. Se eu realmente precisava partir, queria deixar alguma coisa para trás. Virei até uma página em branco e escrevi: COISAS QUE QUERO FAZER ANTES DE MORRER 1. Deixar a mamãe orgulhosa. 2. Passar na prova do Bryan. 3. Planejar uma viagem em família. 4. Aproveitar minha vida ao máximo. Fiquei olhando para a lista. Quatro coisas. Não era muita coisa. Mas era um começo. Fechei o diário. Ping. Peguei meu celular. Blaine: Você ainda vem para a festa? Fiquei olhando para a mensagem. Um pequeno sorriso surgiu no meu rosto. Louis: Eu vou. Desliguei o celular. Pela primeira vez desde que saí do hospital, senti-me determinado. Se eu só tinha três meses... então faria com que cada um deles valesse a pena. --- Desci para jantar. Enquanto caminhava pelo corredor, diminui o passo. Eu havia passado a vida inteira andando por aqueles corredores. Cada discussão. Cada risada. Cada reunião em família. Tantas lembranças viviam ali. — Isso é realmente... Suspirei. — Eu realmente vou sentir falta deste lugar. Mamãe estava na cozinha, preparando o jantar. Fui até ela e arregaçei as mangas. — Mãe! Deixa eu ajudar. Peguei os legumes e comecei a lavá-los. Mamãe me lançou um olhar. — Ah, meu bebê está crescendo. Ela sorriu. — Você consegue cortar isso direito? Você sabe que seu irmão não consegue comer legumes compridos. — Não se preocupe, mãe. Eu dou conta. Sorri e continuei cortando. O resto da família logo desceria. Talvez eu pudesse mostrar meus incríveis dotes culinários. Papai entrou na cozinha e foi direto até mamãe, envolvendo-a com os braços. — Pai! Como foi o trabalho hoje? Ele congelou. Sua boca se abriu dramaticamente. — Você está perguntando como foi o meu dia? Ele me olhou desconfiado. — Que espírito entrou no Louis? Saia daí, seu impostor! Eu ri. Papai segurou minha cabeça de brincadeira. Uma dor aguda atravessou meu crânio. Eu estremeci. Mamãe percebeu. — Não machuque ele. Papai me soltou. Forcei um sorriso. — Está tudo bem, pai. Ele sorriu e começou a caminhar em direção ao quarto. Então parou. — Sabe, você não precisa se esforçar tanto. Ele me observou. — Eu vejo essas olheiras debaixo dos seus olhos. Seja lá o que estiver acontecendo, você pode confiar no papai. Meu sorriso congelou. Algo dentro de mim se partiu. Abri a boca. Nenhuma palavra saiu. Eu queria contar. **Pai, eu estou mor
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