Entre Pensamentos e Desejos

535 Palavras
Clara entrou na cela e, como sempre, respirou fundo antes de encará-lo. Nando estava sentado na mesma posição, mas havia algo diferente hoje: um leve relaxamento no corpo dele, como se estivesse antecipando cada palavra que ela diria. Enquanto se aproximava, ela se pegou pensando: Ele é impossível de decifrar. Cada olhar, cada gesto… é como se me desafiasse a entendê-lo. Mas é perigoso sentir isso. Eu não posso me perder. — Bom dia, doutor Nando — disse ela, mantendo a voz firme, mas não pôde evitar que o coração acelerasse ao cruzar com aqueles olhos intensos. Ele inclinou a cabeça, avaliando-a. Em sua mente, Nando pensava: Ela é bonita demais para ser só uma psicóloga… o jeito que me encara, a calma, o sorriso… perigoso e provocador. Quero ver até onde ela vai resistir. — Hoje quero tentar algo diferente — disse Clara, tentando soar neutra — Quero que me conte algo pessoal. Algo que ninguém mais saberia. Ele deu um sorriso torto, os lábios se curvando lentamente, e respondeu: — Pessoal… depende do que você considera pessoal, doutora. Mas posso tentar. Enquanto falava, Clara percebeu como cada movimento dele, cada palavra, mexia com ela de um jeito inesperado. Pensou: Como ele consegue ser tão… sedutor sem sequer tentar? E eu aqui, disfarçando o quanto isso me afeta. Nando notou a forma como ela se inclinava levemente para anotar algo, o olhar que não conseguia evitar de se prender aos dele. Pensou: Ela tenta disfarçar… mas há algo queimando por dentro. Curiosidade, fascínio… desejo? Ela começou a ouvir a história dele, sobre decisões, traições, medos escondidos, e a tensão entre eles cresceu a cada palavra. Cada silêncio pesado carregava algo que nenhum deles podia nomear, mas ambos sentiam. — Você sente algo por mim, doutora? — perguntou ele, baixinho, como se estivesse testando os limites. Clara engoliu em seco, mantendo a postura profissional: — Apenas curiosidade profissional — disse, mas por dentro sabia que isso não era verdade. Cada gesto dele, cada olhar… estava mexendo com algo que ela não podia controlar. Ele se aproximou um passo, só o suficiente para que o perfume dele chegasse até ela, carregando perigo e sedução. — Curiosidade profissional é diferente de fascínio — disse Nando, a voz baixa e provocadora. — Mas você parece sentir os dois. Ela fechou os olhos por um instante, respirando fundo, tentando retomar o controle. Pensou: Não posso deixar ele perceber. Mas é impossível… Ele me atrai, me intriga, me provoca de uma forma que ninguém jamais conseguiu. — Talvez seja parte do meu trabalho compreender mentes perturbadas — respondeu Clara, tentando soar calma — mas conhecer o homem… isso ainda é arriscado. Ele se recostou, cruzando os braços, o olhar penetrante. Pensou: Ela disfarça, mas sinto cada pequeno tremor dela. Cada batida de coração. Isso é interessante… perigoso, mas fascinante. E assim, naquela cela pequena, entre palavras e silêncios, gestos e provocações, a química entre eles crescia de forma silenciosa, quase elétrica. Cada sessão se tornava um jogo perigoso: Clara tentando manter o controle, Nando testando seus limites. Ambos sabiam que algo mais intenso estava se formando. Algo que nenhum deles podia admitir em voz alta. Mas era impossível de ignorar.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR