Clara entrou na cela e, como sempre, respirou fundo antes de encará-lo. Nando estava sentado na mesma posição, mas havia algo diferente hoje: um leve relaxamento no corpo dele, como se estivesse antecipando cada palavra que ela diria.
Enquanto se aproximava, ela se pegou pensando: Ele é impossível de decifrar. Cada olhar, cada gesto… é como se me desafiasse a entendê-lo. Mas é perigoso sentir isso. Eu não posso me perder.
— Bom dia, doutor Nando — disse ela, mantendo a voz firme, mas não pôde evitar que o coração acelerasse ao cruzar com aqueles olhos intensos.
Ele inclinou a cabeça, avaliando-a. Em sua mente, Nando pensava: Ela é bonita demais para ser só uma psicóloga… o jeito que me encara, a calma, o sorriso… perigoso e provocador. Quero ver até onde ela vai resistir.
— Hoje quero tentar algo diferente — disse Clara, tentando soar neutra — Quero que me conte algo pessoal. Algo que ninguém mais saberia.
Ele deu um sorriso torto, os lábios se curvando lentamente, e respondeu:
— Pessoal… depende do que você considera pessoal, doutora. Mas posso tentar.
Enquanto falava, Clara percebeu como cada movimento dele, cada palavra, mexia com ela de um jeito inesperado. Pensou: Como ele consegue ser tão… sedutor sem sequer tentar? E eu aqui, disfarçando o quanto isso me afeta.
Nando notou a forma como ela se inclinava levemente para anotar algo, o olhar que não conseguia evitar de se prender aos dele. Pensou: Ela tenta disfarçar… mas há algo queimando por dentro. Curiosidade, fascínio… desejo?
Ela começou a ouvir a história dele, sobre decisões, traições, medos escondidos, e a tensão entre eles cresceu a cada palavra. Cada silêncio pesado carregava algo que nenhum deles podia nomear, mas ambos sentiam.
— Você sente algo por mim, doutora? — perguntou ele, baixinho, como se estivesse testando os limites.
Clara engoliu em seco, mantendo a postura profissional:
— Apenas curiosidade profissional — disse, mas por dentro sabia que isso não era verdade. Cada gesto dele, cada olhar… estava mexendo com algo que ela não podia controlar.
Ele se aproximou um passo, só o suficiente para que o perfume dele chegasse até ela, carregando perigo e sedução.
— Curiosidade profissional é diferente de fascínio — disse Nando, a voz baixa e provocadora. — Mas você parece sentir os dois.
Ela fechou os olhos por um instante, respirando fundo, tentando retomar o controle. Pensou: Não posso deixar ele perceber. Mas é impossível… Ele me atrai, me intriga, me provoca de uma forma que ninguém jamais conseguiu.
— Talvez seja parte do meu trabalho compreender mentes perturbadas — respondeu Clara, tentando soar calma — mas conhecer o homem… isso ainda é arriscado.
Ele se recostou, cruzando os braços, o olhar penetrante. Pensou: Ela disfarça, mas sinto cada pequeno tremor dela. Cada batida de coração. Isso é interessante… perigoso, mas fascinante.
E assim, naquela cela pequena, entre palavras e silêncios, gestos e provocações, a química entre eles crescia de forma silenciosa, quase elétrica. Cada sessão se tornava um jogo perigoso: Clara tentando manter o controle, Nando testando seus limites.
Ambos sabiam que algo mais intenso estava se formando. Algo que nenhum deles podia admitir em voz alta. Mas era impossível de ignorar.