Clara O mundo vinha e ia. Às vezes era apenas escuridão, densa como um poço sem fundo. Outras, luz demais, branca, agressiva, cortando meus olhos por dentro. Eu não sabia dizer quanto tempo passava entre um momento e outro. Minutos? Horas? Dias? Só havia uma constante. Lucas. Mesmo quando eu não o via, eu o sentia. A presença dele era como uma âncora presa ao meu peito, me puxando de volta toda vez que eu começava a afundar. Às vezes eu ouvia sua voz, baixa, firme, dizendo meu nome como se fosse um comando para viver. — Fica comigo, Clara. Eu tentava. Mas havia momentos em que o corpo parecia desistir antes da mente. A dor no ombro se espalhava, queimava, descia pelo braço, subia pelo pescoço. Cada respiração era um esforço consciente, como se meus pulmões precisassem se

