CAPÍTULO 72

726 Palavras

Clara Acordei com o cheiro metálico antes da dor. Sangue tem um cheiro próprio. Não é como nos filmes. É mais denso. Mais real. Ele se mistura ao ar e fica preso na garganta, como se o corpo soubesse antes da mente que algo irrevogável aconteceu. Abri os olhos devagar. O mundo estava torto. Branco demais. Silencioso demais. Havia um apito constante irritante, persistente marcando um ritmo que não parecia meu. Meu ombro queimava, latejava em ondas, mas era uma dor distante, abafada por algo maior. Medo. Tentei me mexer e o corpo protestou. Um gemido escapou antes que eu pudesse impedir. — Clara A voz. Aquela voz. Virei o rosto com dificuldade, e lá estava ele. Lucas. Em pé ao lado da cama, imóvel como uma estátua prestes a se quebrar. O rosto dele não era o que eu conhecia.

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