CAPÍTULO 56

700 Palavras

Clara Aprendi rápido que fingir normalidade é um tipo de atuação. Você sorri no momento certo, responde perguntas automáticas, anda pelas ruas como se não estivesse esperando que algo ou alguém salte das sombras a qualquer segundo. É exaustivo. Mas também é necessário. Porque a verdade é pesada demais para ser carregada em público. Volto para casa no fim da tarde com a sensação incômoda de estar sendo observada. Não vejo ninguém. Ainda assim, meu corpo reage antes da mente, ombros tensos, passos mais rápidos, a chave já entre os dedos como uma arma improvisada. Quando fecho a porta atrás de mim, o silêncio do apartamento não traz alívio. Só eco. Tiro os sapatos, deixo a bolsa cair no sofá e encosto a testa na madeira da porta por alguns segundos. Respiro fundo. Uma, duas, três

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