Lucas A decisão já foi tomada no instante em que fecho a porta atrás de mim. Não é racional. Não é justa. Mas é necessário. Dirijo por quase uma hora sem perceber o caminho. O volante firme demais sob minhas mãos, a mandíbula travada, o pensamento girando sempre no mesmo ponto, Clara não pode estar perto de mim agora. Enquanto Rafael respira, enquanto meus erros tiverem nomes e rostos que ainda caminham por aí, Clara é vulnerável. E isso… isso eu não aceito. Paro o carro em um lugar isolado, um dos poucos pontos onde sei que ninguém observa sem ser visto. Saio, acendo um cigarro que prometi a mim mesmo nunca mais fumar. A fumaça entra pesada, amarga, combina comigo. Pego o celular. Há mensagens dela. Várias. Não abro. Porque se eu ouvir a voz dela, se ler qualquer palavra q

