Clara A casa está silenciosa demais. Não o silêncio confortável das noites comuns, mas aquele que grita ausência. Cada canto parece carregado de lembranças que ainda não tiveram tempo de esfriar. O sofá onde me sentei tantas vezes fingindo normalidade. A janela onde já esperei por algo que nunca veio no tempo certo. Eu me apoio na porta assim que entro, sentindo o peso do corpo ceder. Separação. A palavra ecoa na minha cabeça como uma sentença, mas também como um alívio culposo. Não porque eu deixei de amar Lucas, isso seria fácil demais , mas porque ficar significaria me perder por completo. Tiro os sapatos devagar, como se qualquer ruído pudesse quebrar o frágil equilíbrio que estou tentando construir. Minhas mãos tremem quando deixo a bolsa sobre a mesa. Só então percebo que

