Lucas As palavras dela doem mais do que qualquer soco que já levei. Mais do que o disparo que ecoou naquela noite. Mais do que o peso do corpo caindo aos meus pés. Porque tiros matam rápido. Palavras matam devagar. Clara saiu sem olhar para trás, e o som da porta se fechando ainda vibra dentro de mim. Não é só madeira contra batente. É algo se partindo. Algo que eu segurei por tempo demais achando que estava protegendo quando na verdade estava sufocando. — Parabéns — Rafael diz atrás de mim. — Você conseguiu, Sozinho. Viro-me num movimento brusco. Em um segundo, minha mão está no colarinho dele, pressionando-o contra a parede. Não penso, Não calculo. Só sinto a fúria subir como um animal solto dentro do peito. — Se você disser mais uma palavra — rosno. Ele não demonst

