Lucas O silêncio é pior depois da violência. Não o silêncio comum, vazio, mas aquele que vem carregado de consequências. Ele se instala quando o último grito some, quando os motores desligam, quando até a cidade parece prender a respiração, como se soubesse que algo irreversível acabou de acontecer. Estou sozinho no carro, parado em uma rua escura demais para ser coincidência. O telefone está desligado. Não por falta de sinal — por escolha. Cada vibração agora pode significar Clara. Ou a prova de que falhei. Nenhuma das duas opções é suportável. Desço do carro e caminho até o prédio abandonado à minha frente. As luzes internas estão apagadas. Nenhum movimento. Nenhum som. Exatamente como disseram que estaria. Silêncio mortal. É assim que Rafael gosta de operar quando acredita q

