Clara A cidade parece diferente quando a gente anda sem rumo. Não porque as ruas mudaram, mas porque eu mudei. As pessoas passam por mim com pressa, conversando sobre coisas pequenas, enquanto dentro de mim tudo é grande demais, pesado demais, confuso demais para caber em palavras simples. Perdidos. É assim que me sinto. Não só longe de Lucas, mas longe de mim mesma. O quarto onde estou hospedada é impessoal, neutro, quase frio. Escolhi exatamente por isso. Nenhuma memória. Nenhum cheiro conhecido. Nenhum canto que me lembre que eu costumava pertencer a alguém ou achar que pertencia. Largo a bolsa na cama e me sento devagar, como se o corpo tivesse finalmente entendido que não precisa mais correr. O silêncio aqui não grita como o da casa antiga. Ele observa e Espera. Pego

