Clara Eu deveria ter escutado Lucas. Essa verdade pulsa na minha cabeça enquanto sigo por ruas que não escolhi ao acaso, mas também não revelei a ninguém. Nem a ele. Especialmente a ele. Porque, pela primeira vez desde que tudo começou a ruir, eu entendo algo com clareza c***l, não sou apenas um alvo. Sou uma peça. E peças podem aprender a se mover sozinhas. Dirijo com as mãos firmes demais no volante, os olhos atentos a cada farol, cada reflexo nos retrovisores. A cidade parece conspirar em silêncio, oferecendo caminhos e saídas que se confundem. O coração bate acelerado, mas minha mente está estranhamente fria. Lucas acha que estou fugindo. Rafael acha que estou vulnerável. Os dois estão errados. O celular vibra outra vez. Lucas: Você não me respondeu. Clara, por favor.

