CAPÍTULO 46

896 Palavras

Clara A primeira coisa que percebo é o silêncio estranho demais para ser seguro. Não é ausência de som, é expectativa. Como se o mundo estivesse inclinado para frente, aguardando o momento exato de desabar. O estacionamento ficou para trás, mas a sensação de estar sendo guiada permanece, invisível e firme, como mãos nas minhas costas. Rafael não anda ao meu lado. Ele anda um passo atrás. Isso é intencional. — Você confia pouco demais para alguém que veio até aqui por vontade própria — ele diz, a voz baixa, quase casual. — Eu confio exatamente o necessário para não ser manipulada — respondo, sem virar o rosto. Ele ri de leve. — Interessante. Lucas costumava dizer a mesma coisa. Meu coração falha uma batida. — Costumava? Rafael percebe. Sempre percebe. — Antes de aprender q

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