CAPÍTULO 59

586 Palavras

Clara Não é o medo que me paralisa. É a certeza. Fico sentada na cama, o celular ainda quente na minha mão, relendo a última mensagem de Lucas como se as palavras pudessem mudar se eu insistisse o bastante. Não saia amanhã à noite. Não discuta comigo sobre isso. Não foi um pedido. Nunca é. Levanto e começo a andar pelo quarto, de um lado para o outro, tentando expulsar aquela sensação sufocante de estar presa dentro da minha própria vida. Cada passo ecoa como se o apartamento tivesse ficado menor. Como se as paredes tivessem se aproximado um pouco mais. — Eu não sou sua — digo em voz alta, para ninguém. Ou talvez para mim mesma. Mas a frase soa fraca, Desacreditada. Como uma mentira que já foi desmentida vezes demais. Vou até a janela e espreito pela cortina. O carro dele nã

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