Lucas Voltar nunca foi sobre pedir permissão. Foi sobre assumir o que nunca deixou de ser meu. Estou estacionado do outro lado da rua há quase uma hora. O motor desligado, os faróis apagados, o mundo reduzido à janela iluminada do apartamento dela. Clara se move lá dentro como alguém que tenta parecer calma enquanto o instinto grita perigo. Eu conheço cada gesto. Cada pausa. Cada vez que ela olha para a janela antes de se obrigar a seguir em frente. Ela sente. Mesmo sem me ver, ela sente. Acendo um cigarro sem pressa, observando a fumaça se dissipar no ar noturno. Não fumo por prazer fumo para lembrar que ainda estou no controle das minhas mãos. Depois de tudo, isso não é pouco. Fui embora porque precisava. Porque se tivesse ficado naquele momento, teria destruído tudo an

