Clara O medo não chega gritando. Ele se instala devagar, como uma mão fria na nuca, lembrando que agora cada respiração pode ser vigiada. Desde a noite em que Lucas falou em sentença de morte, nada mais voltou ao normal não que “normal” ainda existisse. A casa parece maior, mais silenciosa, como se as paredes escutassem. As janelas estão sempre fechadas. As cortinas, cerradas. E ainda assim, sinto olhos em mim. Lucas saiu cedo naquela manhã. Disse que era rápido. Disse que voltava antes do pôr do sol. Disse muitas coisas que eu não tive coragem de contestar. Agora, estou sozinha. Caminho pela sala tentando ignorar a sensação de que o ar está pesado demais. Meu celular repousa sobre a mesa, silencioso. Ele prometeu ligar. Promessas têm se tornado frágeis ultimamente. Vou até a c

