Lucas A verdade nunca vem sozinha. Ela sempre traz consequências. Clara continua ali quando o telefone vibra no meu bolso. O som é baixo, mas suficiente para cortar o ar já pesado da sala. Não olho para o visor de imediato. Conheço esse tipo de chamada. Ela não vem com avisos, vem com decisões impostas. Atendo. — Fala. A voz do outro lado é fria, sem emoção. Profissional demais para boas notícias. — Encontraram o corpo — diz. — Ou o que sobrou dele. Fecho os olhos por um segundo. Não preciso perguntar quem. — Onde? — pergunto. — Porto velho, Armazém abandonado. Execução limpa, Mas deixaram um símbolo. Meu maxilar se contrai. Rafael. — Isso é um recado — continuo. — Não só pra mim. — Exato. — Um breve silêncio. — Lucas seu nome está circulando. Alto. Gente grande quer sua

