Pré-visualização gratuita Prólogo
Sinto meu corpo ser sacudido e tenho dificuldade para abrir os olhos. O que está acontecendo? Minha mente está lenta para processar.
— Luana? — ouço a voz distante de minha mãe, chamando por meu nome.
— Huuummm... — resmungo.
— Vamos querida, acorde. Seu irmãozinho já está acordado!
De fato, quando abro um olho o vejo escalando a cama. Para que eu precisava acordar cedo hoje mesmo? Minha mãe pareceu adivinhar e me respondeu:
— Está tão cansada que se esqueceu?
O sorriso de minha mãe me faz lembrar que passei a tarde organizando tudo e fazendo as malas. Depois de tantos anos, o sonho de viajar com a família está se realizando. E como eu poderia esquecer?
— Já está na hora? — Olho para a janela e percebo que ainda está escuro, mas uma cor azul acinzentada do céu, indica que em breve amanhecerá.
— Sim, querida. Seu pai quer sair cedo por causa do trânsito. Vamos, levante-se.
Ela me dá um beijo na testa e sai carregando meu irmãozinho.
Em meus 14 anos de vida, essa é a primeira vez que viajaremos. Meu pai passou o ano juntando dinheiro para passarmos uma semana na Região dos Lagos. Visitaríamos o máximo de praias possível, e eu sonho com as aulas de mergulho. Com toda empolgação, me arrumo rapidamente. Quando saio de meu quarto, meu pai já aguarda com a porta da sala aberta e um sorriso no rosto.
— Já guardou as malas? — pergunto já sabendo a resposta.
— Já, estão na parte de trás da van.
Não iremos sozinhos, meus tios e minha prima, que moram na cidade vizinha, viajarão conosco, e eles já deveriam estar chegando. Por isso meus tios e meus pais alugaram uma van para o passeio.
— Jeniffer, vamos nos atrasar! — Meu pai grita, chamando por minha mãe. Ela logo aparece.
— Já estou saindo. Meu irmão já chegou? — inquire, descendo as escadas com meu irmãozinho em seu colo e uma bolsa ao lado. — Já desligou tudo? Verificou as janelas? As portas?
— Está tudo certo, meu amor. João ligou há pouco tempo e disse que já está chegando — responde meu pai. Ele desvia o olhar para o lado de fora, tendo uma breve visão da rua, e seu sorriso amplia. — Ah, olha só. Acabaram de chegar.
Com um sorriso, minha mãe passa por meu pai, empolgada, carregando Erik no colo. Sigo-a, vendo o taxi que os trouxeram ir embora, e minha prima Ana corre para me abraçar. Temos a mesma idade e somos muito amigas.
Nos abraçamos, comemorando nosso passeio juntas, e nos acomodamos na van. Meus pais e meu tio vão na frente, minha tia e nós, as crianças, ficamos na parte de trás do veículo.
No caminho da nossa viagem tão sonhada, nós cantamos diversas músicas conhecidas até cansar. Meu irmão, preso à cadeirinha ao meu lado, adormeceu e o cansaço alcançou a mim e a Ana também.
— Pode dormir, meu anjo! — Minha mãe diz do banco da frente, me encarando do espelho. — Acordaremos vocês quando chegarmos.
Então dormimos.
E eu sonhei.
Em meu sonho, eu chorava tanto, tanto, com meu irmãozinho aninhado em meu colo...
Então acordo assustada e me alivio em ver meus pais e tios conversando.
Era só um sonho r**m.
O pensamento m*l se forma e eu vejo em minha frente: em uma curva fechada, um caminhão deixa seu lado da pista e vem em nossa direção. Ele vinha rápido demais e perdeu o controle, nos acertando com tudo. Meu mundo girou e girou. E então tudo ficou escuro.
Eu não morri, nem meu irmão nem Ana e sua mãe. Mas meus pais e meu tio João, que estavam na frente da van, morreram nesse dia, e na época achei que aquele era o pior dia da minha vida.