CAP 25 - LÚCIO E AMÁLIA PARTE 5

2520 Palavras
O dia do casamento chegou. Amália não estava empolgada com a cerimônia. Para ela bastava ir para casa de Lúcio, mas a sociedade não enxergava assim. Época antiga e com muitas convenções sociais. Lúcio também não se importava com tudo aquilo. Só queria ver Amália com sua esposa e cuidá-la para sempre. Todas as coisas de Amália e Clara foram levadas para casa de Lúcio. Micael não notou que o nome da irmã de Amália era o mesmo de Clara. Na igreja, família e muitos contatos de Nicolau e pessoas que Amália nem sabia quem eram. Ela odiava toda aquela atenção. Estava nervosa com tanta gente e entrando na porta da igreja com seu pai, vendo todas aquelas pessoas olhando, lhe paralisou. Lúcio sabia que ela estava com receio. Já a conhecia só de olhar em seu semblante. Amália lembra-se de Lúcio e olha para ele, respirando. Naquele momento percebe que conseguiria enfrentar qualquer coisa se ele estivesse do seu lado. Pega o braço de seu pai e segue em direção ao seu lar. Micael vê Clara junto ao pai de Amália e se surpreende. Qual o motivo dela estar ali junto a família de Amália? Ele finalmente percebe que o nome de Clara, seu amor, era o mesmo do nome da irmã de Amália e sorri. Clara o vê sorrindo para ela e sorri de volta. Estava com medo que ao perceber ser ela, ele não gostasse da surpresa. A cerimônia aconteceu e Amália não prestava atenção em sua volta, mas em Lúcio. Era fácil se perder nos olhos dele como se mais nada estivesse em sua volta. Ele lhe dava paz de um jeito que nunca tinha sentido. Tudo nele lhe fazia sentir-se em casa, segura, respirando finalmente. Angélica assiste a tudo chorando. Lembrava exatamente daquela sensação. Quando viu Fernando a primeira vez era como sentir o cheiro de mil rosas brancas. Ele exalava um cheiro de lar, de paz, do único lugar onde ela queria estar. Foi assim sempre, em todas as suas vidas ao seu lado. Era só olhar para ele e vinha aquele cheiro inexplicável...como um dia de inverno ou outono...aquele ventinho bom...ou o cheiro de chuva caindo na grama ... .era um cheiro que dava saudade de casa. Sempre ao olhar para aquele espírito, seja ele em qual alma estivesse, sabia exatamente como era estar em seus braços, tocar sua pele, sentir seus beijos e senti-lo no amor. Era ele, sempre foi e sempre será. Angélica acorda e vê o pinheirinho de natal com os piscas coloridos. Sua amiga tinha enfeitado tudo, colocando o presépio que seu avô tinha feito com as próprias mãos. Ela olha tudo e lembra-se dos bons momentos da sua vida...olhando para a mesinha ao lado de sua cama, havia biscoitos de natal. Ela senta-se e começa a comer um...lembrando de coisas boas...adorava a época ... .os filmes...tudo dando certo...o bem vencendo ... .nada trágico como existe...a magia do amor acontecendo...tudo como não é na vida real… Ela lembra do seu casamento com Lúcio e seu coração aperta pensando em Fernando...então lembra de Vítor...o espírito de ambos...que aparecia para ela quando pequena...mesmas mãos ...mesmo sentimento que sentia ao olhá-los nos olhos...Havia a mesma essência atrás daquele olhos...E o cheiro que exalava da sua alma...de cada uma delas ... .que vinha do seu espírito? Não dava para descrever em uma só palavra a mistura...mas era o cheiro que sentia em sua pele sempre que o abraçava...para resumir em uma palavra ...lar. Saudade de casa...e toda vez que estava longe de casa...sentia o vazio e o abandono...a solidão… Normalmente quando não conseguia ficar só...entendendo não poder estar com Vítor...acostumava com aquele vazio e solidão e não lhe incomodava...era calmo...como solitude…Agora toda vez que chegava perto de estar novamente com ele e simplesmente isso sumiu...ali naquele momento que doía...e ficava sem chão longe de casa…. Não entendia porque Deus lhe colocava tantas vezes a esperança de tê-lo e perdê-lo. Se fosse para aprender a viver sem ele...já tinha...porque todas as vezes que perdia o chão sem ele...levantava-se...ficava bem de novo...para vir nova esperança...e saudade...Então não era essa lição...talvez fosse nunca sentir o abandono e a dor e ter certeza que eram um do outro e sempre seriam...Mas como ter certeza se ele sempre lhe escapava das mãos? Ela volta a dormir. Queria voltar ao momento em que foi dele naquela vida. Era essa a sensação de fazer amor com ele...de estarem para sempre unidos…como se fosse as bênçãos de Deus. Angélica acorda na festa do casamento de Lúcio e Amália. Eles dançavam como se não existisse mais nada...ali um coladinho no outro...como se o tempo parasse. Era bom a sensação de reciprocidade. O Senhor Nicolau tenta se aproximar de conhecidos de Lúcio, que poderiam lhe dar algum tipo de retorno. Júlio estava lá e se aproximar do Senador. Ambos se conheciam de longe, mas nunca ficaram muito tempo conversando. Os dois queriam estreitar laços, sendo agora da mesma família, tinham uma desculpa para isso. Conversaram sobre muita coisa, mas nada muito profundo. Não era hora nem lugar, mas deram a entender um interesse em firmar contato. Lúcio estava tão encantado com sua esposa, que não percebeu que duas pessoas perigosas, que lhe odiavam, tinham finalmente se conhecido. Júlio não, mas seu possessor, vibrava da mesma forma que Nicolau, de maneira baixa e umbralina. Micael se aproxima de Clara. Ele diz, sorrindo: - Você é a irmã de Amália que vai morar lá em casa? Clara: - Isso. Micael: - Mas qual o motivo de não me contar? Clara: - Não achei o momento. E, no início, não sabia. Micael: - E como descobriu? Clara não podia contar ser Isadora a lhe contar. Ela então, diz, disfarçando: - Pelas terras. Descobri de quem eram. Micael: - Entendi. - parecia lógico. Clara sorri. Micael: - Então agora vamos morar na mesma casa. Clara diz: - Sim. Micael: - Vou adorar isso. Clara sorri novamente, dizendo: - Eu também. Eles ficam se olhando com paixão, mas de forma tímida. Isadora e Miguel olhavam seu filho Lúcio com admiração e orgulho. Podiam ver a ligação entre almas de Amália e Lúcio. Era um laço espiritual único. Seus espíritos eram almas companheiras, também conhecidas, nesse mundo de almas gêmeas. Tinham um fio lilás que ligavam seus corações um no outro. Lucas e Iolanda estavam mantendo as aparências. Ficavam próximos, mas não agiam como casal, até pelo motivo que Lucas ainda não tinha saído da Paróquia. Francisco e Olívia estavam dançando e sorrindo. Ela estava com vestido, da mãe de Francisco. Ele estava fascinado pela moça. Márcia estava morrendo de ciúmes. Mateo e Anastácia assumiram a relação e estavam causando comentários, mas seguiam não se importando com a sociedade. Depois da conversa na casa da moça, decidiram enfrentar o mundo juntos. Madalena não tinha ido. Pediu desculpas, mas com o sumiço de Yasmin há dias, não tinha como participar. Mauro estava triste, pensando em Madalena e seu sofrimento. Havia um peso no ar das pessoas umbralinas, mas existiam muito amor entre as almas de luz. Só o brilho do amor entre Lúcio e Amália, já iluminava o quarteirão. Mesmo com um número maior de umbralinos, a luz era mais forte, o bem era mais poderoso. A festa não demora muito e logo Lúcio e Amália vão para casa, com a família. Micael, tinha apresentado na festa, Clara, para Ursinha. Os três estavam inseparáveis. Parecia que Clara e Ursinha tinham uma ligação espiritual...e tinham mesmo...viam Miguel e Isadora. As duas viviam entre dois mundos. A conexão foi na hora que foram apresentadas. Logo foram para cozinha conversarem. Mateo levou Anastácia para casa e estava de volta. Já era tarde da noite. Mauro foi deitar-se. Lucas e Iolanda voltaram ainda para a paróquia. Francisco levou Olivia para casa. Na despedida quase se beijaram, mas Bento, sem perceber, atrapalhou. Lúcio e Amália sobem e se ajeitam para dormir. Ela estava tímida. Nunca tinha estado com um homem tão perto e muito menos alguém que amava. Angélica estava ali buscando sentir o que amália sentia. Era sua primeira vez com Lúcio e queria reviver. Ele muito carinhoso e cuidadoso aos poucos foi se aproximando dela. À medida que ela ia deixando ele ia avançando aos poucos até o primeiro beijo acontecer. Depois disso com carícias, carinho e amor, o desejo foi se revelando e intensificando. Um se perdeu no corpo do outro, para que seus espíritos se encontrassem. Se todos soubessem a energia de luz que sai quando duas almas que se amam fazem amor… é como uma grande oração, entoada com a alma. A troca de energia entre almas companheiras é uma verdadeira experiência religiosa. Era mais que instinto e prazer. Era o enlace da união feita e abençoada por Deus. Tocar no seu amor e ser tocada por ele, é a maior prova da existência de Deus. Os dois ficam abraçados, em silêncio. Não precisavam dizer nada, só estarem ali juntos, se tocando. Amália fica acariciando o peito de Lúcio, seu antebraço, sua mão, cheirando seu pescoço, era algo que faria muito, parecia trazer nisso a certeza de que aquilo nunca terminaria...que não era um sonho… Sentir-se em casa nos braços de alguém é a sensação mais completa e plena que se pode ter...e isso dá muito medo. Você percebe que qualquer possibilidade de nunca mais sentir isso, de perder seu lar...é o que te deixa completamente vulnerável. Sentir isso nos braços de alguém é só para reencontro entre almas. A certeza de estar onde lhe pertence e é pertencente, no caminho até Deus, isso...tocar o semblante de Deus...essa é a sensação quando se está nos braços de sua alma gêmea. Quantos já oraram realmente com o coração e sentiram-se acolhidos, seguros, protegidos? Quantos se entregaram na certeza de que havia alguém maior cuidando de tudo? Quando se está nos braços de quem amamos verdadeiramente, é como se sentíssemos a força de mil orações. Angélica vai conversar com Clara. Já era tarde da noite. Clara, acordando, assustada, diz: - Angélica, você havia sumido. Angélica: - Desculpe, querida. Não estou mais controlando tanto minhas idas e vindas...algo está estranho… Clara: - Como assim? Angélica: - Estou enfraquecendo. Uma parte não se lembra de onde está, ou confunde, outra está esquecendo o que aconteceu. Percebo que tem coisas que nunca aconteceram...Lúcio e Amália não eram para ter uma noite de amor. Clara, com as bochechas vermelhinhas, questiona: - Não? Angélica: - Não. Eles brigam na primeira noite. Amália tinha sido envenenada contra Lúcio. Ela achava que ele tinha se aproximado dela para conseguir descobrir a verdade sobre a morte de seus pais. Ele não tinha contado para ela a verdade, antes do casamento. Isso abalou a confiança dela com ele. Só depois de meses, por ciúmes de Madalena, não sabendo ser a irmã de Lúcio, que Amália tem sua primeira noite com ele. Clara: - Você acha que a história deles foi mudada? Angélica: - Eu espero, e talvez por isso estou tão perdida e confusa...Se o futuro deles mudou...o meu também mudará. - ela lembra de Fernando automaticamente. Clara: - Isso é bom, não é? Será que Lúcio está salvo? Angélica senta-se, dizendo: - Eu acredito que sim. Vou tentar descobrir algo do meu futuro. Clara: - Você está sumindo… Angélica: - Preciso descobrir antes de desencarnar. Talvez esteja me sentindo assim, porque está chegando a hora do meu desencarne. Clara: - O que eu faço? Como posso ajudar? Angélica: - Tenta mantê-los sempre unidos. Se seguirem sempre o coração e ouvirem o amor deles,vão superar tudo. Em todos os momentos que nos separamos, foi porque escutamos o orgulho e não o amor. Se tiver uma chance de mudarmos o futuro, de ficarmos juntos, vai ser escutando o coração e o amor. Clara faz sim com a cabeça. Angélica some e acorda no quarto. Ela percebe que tem coisas diferentes no quarto e Débora estava silenciosa. Vê mais cachorros deitados no chão do quarto e tenta se levantar, sem sucesso. Estava muito fraca. Precisava fazer força e ir ver o que estava acontecendo fora do quarto. Mas era inútil. Seu corpo pesava uma tonelada. Ela tenta olhar por tudo. O pinheirinho parecia diferente, mas estava montado em seu quarto. Olha nas paredes e percebe tudo mudado, novos objetos, até sua cama era diferente, de casal. Seu coração se enche de esperanças. Será que seu futuro havia sido mudado em outra vida? Ela não conseguia mais ficar acordada. Caí em sono profundo. Na época de Lúcio e Amália, ambos dormiam abraçadinhos, aproveitando cada segundo. Amália desperta e fica olhando Lúcio dormir. Ela não acreditava que pudesse ser tão feliz. Havia sim momentos de alegrias, mas felicidade plena e absoluta, só com ele: seu único e verdadeiro amor. Ela sentia que seria para sempre e que sempre foi. Não sabia explicar, mas desde a primeira vez que soube dele, algo em seu coração já tinha sussurrado serem um do outro. Era como se Deus tivesse feito ele para ela. Ele era a resposta de todos os seus sonhos. Sabia que estando do seu lado seria capaz de enfrentar o mundo. Lúcio desperta, olhando para sua amada, que o admirava. Ele lhe beija e os dois se amam novamente. Queriam que apenas o tempo parasse ali. Depois do amor, Lúcio diz o quanto a ama e ela a ele. Os dois estavam com a sensação de que jamais se deixariam. Era uma certeza como se tudo fosse dar certo. Como se nada fosse mais forte do que aquele amor. Sabiam que se confiassem um no outro, se escutassem aquele sentimento sempre, sem deixar que nada interferisse ou se colocasse no meio, tudo ficaria bem. Dependia somente deles e da vontade de se entregar aos seus sentimentos sem orgulho, vaidade, egoísmo ou outra mazela da alma. Tudo era como tinha que ser, tudo estava pleno. Sabiam que como indivíduo eram completos e que o outro vem para somar e era exatamente isso que sentiam. Mesmo diante da inteireza da individualidade, o conjunto dos dois era que dava o todo completo . Os dois ficara ali curtindo a pele um do outro, o toque, o gosto, as sensações, o carinho um do outro, o corpo um do outro, seu calor, o coração batendo, o sentir um no outro e o prazer do momento. E mesmo exaustos com a intensidade do momento, queria ficar juntos, se sentindo, para terem certeza de que nunca mais se perderiam. Fazer amor com quem se ama é indescritível. Os relacionamentos sem amor deixa o sexo sem gosto,sem cor, os beijos sem sentimentos sem graça. E se você achava que amava alguém, mas não era amor verdadeiro...e mesmo assim foi bom, quando é com a pessoa que você sente amor verdadeiro ...isso é único. É literalmente se perder no momento, tocando almas e espíritos. Quem nunca viveu esse momento, ainda assim, carrega em seu coração a lembrança de outra vida...e do dia que tocou sua alma gêmea...e mesmo estando num relacionamento por amor... não sendo o verdadeiro...sente falta exatamente desse momento..eternizado para sempre em sua memória espiritual. Se pudessem apenas viver isso novamente...
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR